29 de janeiro de 2026
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Porta-aviões americano chega ao Oriente Médio

O porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de combate naval foram deslocados para o Oriente Médio, segundo comunicado do Exército dos Estados Unidos desta segunda-feira. O movimento amplia o contingente militar americano na região em um período de crescente tensão com o Irã. A força-tarefa foi redirecionada do Mar da China Meridional no momento em que o governo iraniano enfrenta grandes protestos internos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não declarou uma operação bélica contra o Irã, mas reafirma que “todas as opções estão sobre a mesa”.

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  • Tensão crescente: Os Estados Unidos impuseram sanções à chamada “frota fantasma” do Irã, acusada de viabilizar exportações clandestinas de petróleo e de financiar a repressão interna.
  • Guga Chacra: A deportação de refugiados iranianos por Trump para o regime ditatorial do Irã é considerada uma medida cruel.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio e em partes da Ásia Central, declarou que o Grupo de Ataque do Porta-aviões Abraham Lincoln cumpre uma missão na região para “promover a segurança e a estabilidade”.

Troca de declarações entre Washington e Teerã

Na quinta-feira passada, Trump mencionou pela primeira vez o envio de uma “força significativa” da Marinha americana ao Golfo Pérsico para observar o Irã “de perto”. Em reação, o general Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária, advertiu sobre “erros de cálculo” e afirmou que suas tropas estavam com “o dedo no gatilho”. O mandatário americano tem ameaçado repetidamente um ataque em retaliação à violenta supressão dos protestos pelo regime, mas demonstrou hesitação após informações de que Teerã teria paralisado as execuções de manifestantes.

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Os protestos que abalaram o Irã começaram no fim de dezembro, inicialmente motivados pelo alto custo de vida, mas se transformaram em um movimento de oposição ao regime teocrático instaurado após a revolução de 1979. Uma organização de direitos humanos sediada nos Estados Unidos informou nesta segunda-feira ter verificado a morte de aproximadamente seis mil pessoas durante os levantes, contidos com extrema violência.

Trump tem alertado constantemente o Irã de que uma intervenção militar americana ocorreria caso manifestantes fossem mortos, além de exortar os iranianos a tomarem o controle das instituições estatais. “A ajuda está a caminho”, declarou.

  • Petróleo, conflitos, onda migratória: Conheça as preocupações dos países vizinhos do Irã diante da possibilidade de um ataque dos Estados Unidos.

Contudo, o presidente americano não autorizou ofensivas, observando que o governo iraniano suspendeu mais de 800 execuções devido à pressão exercida por Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, advertiu contra qualquer intervenção estrangeira, expressando “confiança nas próprias capacidades” do país.

Em aparente menção ao USS Abraham Lincoln, ele afirmou que a presença de um navio de guerra daquele porte não abalaria a determinação do Irã em defender a nação.

Planejamento militar e repressão interna

Apesar de uma aparente moderação na retórica de Trump — que repetidamente vinculou um ataque à morte de manifestantes, prometendo auxílio —, Washington mantém a mobilização militar na área. Segundo o jornal americano Wall Street Journal (WSJ), o presidente considera os recursos navais “decisivos”, enquanto o Irã intensifica a repressão aos protestos, que já duram quase três semanas com milhares de fatalidades. As autoridades têm confiscado propriedades, fechado negócios e processado aqueles acusados de instigar os distúrbios.

Esses movimentos fizeram com que assessores do Pentágono e da Casa Branca refinassem um leque de opções para Trump, incluindo algumas que visam a derrubada do regime iraniano. De acordo com o WSJ, as autoridades também preparam alternativas mais moderadas, que poderiam envolver ataques a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.

O Ministério da Saúde do Irã orientou, nesta segunda-feira, que os feridos nos protestos busquem atendimento hospitalar, no momento em que entidades de direitos humanos acusam as forças de segurança de prender manifestantes dentro de unidades de saúde.

Organizações de direitos humanos responsabilizam as autoridades pela morte de milhares em uma repressão inédita, realizada sob um bloqueio da internet. O Irã, por sua vez, alega que a violência foi provocada por “manifestantes violentos” instigados pelos Estados Unidos e por Israel.

Em comunicado veiculado pela televisão estatal, o Ministério da Saúde recomendou à população que, em caso de qualquer ferimento, evite tratamentos caseiros e procure imediatamente assistência médica.

  • Troca de ameaças: Trump afirma que ‘vigia’ o Irã e confirma envio de frota ao Golfo; comandante da Guarda Revolucionária retruca: ‘Dedo no gatilho’.

Entidades de direitos humanos acusaram as forças de segurança iranianas de atirar diretamente na cabeça e no tronco de manifestantes com rifles e espingardas carregadas com balas de borracha durante a repressão. Elas também teriam invadido centros médicos e residências para identificar e prender participantes dos protestos com base em seus ferimentos.

O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos EUA, relatou na sexta-feira que alguns feridos foram detidos antes de receber qualquer tratamento, outros durante o processo médico e alguns logo após receberem alta, sendo então conduzidos para locais não divulgados.

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