Gastrite, úlcera ou refluxo? Entenda as diferenças e como identificar cada doença

A sensação de desconforto estomacal pode acontecer após exageros em refeições, mas se for frequente não deve ser considerada normal. Ela pode ser sinal de doenças com sintomas relacionados à produção de ácido no estômago, como a gastrite, úlcera e o refluxo.

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Embora possam afetar os pacientes de forma conjunta, essas doenças são bem diferentes, mas a semelhança entre os sintomas pode dificultar a identificação por parte das pessoas. Por isso, a gastroenterologista Roseane Bicalho explica cada uma delas.

Foto: reprodução

A gastrite é um processo inflamatório da mucosa do estômago. Entre as possíveis causas estão a agressão aguda causada por medicamentos (anti-inflamatórios e corticoides), o consumo abusivo de bebidas alcoólicas e estresse excessivo, a infecção da mucosa gástrica por helicobacter pylori, uma bactéria presente em cerca de 70% da população brasileira, adquirida por meio da ingestão de alimentos e água contaminada, geralmente desde a infância.

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Mas também existe a gastrite autoimune, que é induzida pelo próprio organismo, com a inflamação da mucosa gástrica, evoluindo com atrofia, principalmente no corpo gástrico. Essa atrofia impede a absorção de vitamina B12 e ferro, levando à anemia. Segundo a gastroenterologista, não existe medicamento para combater essa doença. O paciente faz endoscopia com um intervalo mais recente, para uma vigilância preventiva, devido ao aumento do risco de tumores.

Dependendo do grau da inflamação, a gastrite pode causar dor no estômago, sensação de queimação, má digestão e náuseas. Após o tratamento com medicamentos e erradicação da bactéria (caso ela esteja presente), a gastrite é curada. Na maioria das vezes, os sintomas podem persistir por estarem relacionados a uma outra doença: a dispepsia funcional, interpretada erroneamente como gastrite, em que não há inflamação ou infecção, mas sim um aumento da sensibilidade do estômago.

A úlcera é uma ferida que pode ocorrer na mucosa do estômago ou no duodeno, próximo ao intestino delgado. Quando o duodeno sofre as consequências de uma úlcera, em 90% dos casos, está associado à gastrite provocada por bactéria. A lesão é curada após a eliminação da bactéria e raramente é desencadeada por medicamentos anti-inflamatórios e corticoides. Um outro nível de úlcera, a gástrica, também pode estar relacionada ao câncer gástrico, sendo necessário fazer controle de cicatrização por endoscopia.

A geralmente apresenta os mesmos sintomas da gastrite, mas de forma mais intensa, como dor de estômago e queimação intensa, além de sensação persistente de fome, que, em alguns casos, melhora com a ingestão de alimentos leves.

O refluxo é o retorno de ácido e, às vezes, de bile, do estômago para o esôfago, é uma condição fisiológica normal. Quando ocorrem episódios excessivos de refluxo ou por duração prolongada, caracteriza-se como doença do refluxo gastroesofágico, que é o processo inflamatório da mucosa do esôfago, com erosões e até mesmo úlceras.

Neste caso, as pessoas podem ter náuseas, azia (queimação na região do estômago ou tórax), dor torácica atípica e tosse seca persistente frequente, ou vômito ácido por, pelo menos, duas vezes por semana durante, no mínimo, três meses.

Em pessoas com refluxo alto, pode haver inflamação de garganta e até mesmo alterações respiratórias pulmonares, causando crises de broncoespasmo (tipo asma) e roncos, principalmente em pacientes com sintomas noturnos.

É possível praticar hábitos diários que ajudam a evitar o surgimento dessas doenças. Roseane Bicalho explica que, em todas as três condições, deve-se evitar, sempre que possível, o uso de medicamentos anti-inflamatórios e corticoides.

“Em pacientes com necessidade de uso prolongado dessas medicações, a ingestão de medicamentos antisecretores, que reduzem a secreção de ácido gástrico, pode auxiliar. Além disso, é necessário tratar a bactéria helicobacter pylori em pacientes com gastrite e úlcera, e em pacientes com refluxo gastroesofágico, que farão uso prolongado desses remédios. É recomendado ter uma dieta regular, evitando alimentos condimentados e ácidos, como aqueles conservados em sal, incluindo os embutidos (bacon, linguiça, salame, cerveja, refrigerante e pão branco)”.

Para ajudar a evitar o refluxo gastroesofágico, não se deve tomar líquido durante as refeições e nem se deitar após elas, mastigar bem os alimentos e ingerir refeições leves em quantidades pequenas e mais frequentes durante o dia.

A elevação da cabeceira da cama pode auxiliar na redução do refluxo ácido e biliar noturno. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes permanece sem sintomas por longos períodos. Mas alguns podem necessitar fazer uso contínuo ou prolongado de antisecretores gástricos.

A cirurgia de refluxo é indicada, mais raramente, para correção de hérnia hiatal (um dos fatores responsáveis pelo refluxo) e para pessoas que necessitam de altas doses de antissecretores de ácido, de forma contínua.

“A doença de refluxo gastroesofágico não tem cura, mas o processo inflamatório é tratado com um controle adequado. É importante lembrar que a automedicação e a ausência de avaliação médica podem causar complicações sérias, incluindo aumento do risco do câncer gástrico e de esôfago. Na ausência de complicações, é recomendado, da mesma forma, consultar anualmente um gastroenterologista, fazendo controle por endoscopia a cada 3 anos ou de acordo com avaliação médica.

E vai aí outra dica: “O paciente, quando for realizar um exame de endoscopia digestiva deve conferir no site do Conselho Regional de Medicina (CRM) se o médico possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), que comprova sua capacitação técnica de atendimento para evitar falhas no diagnóstico”, conclui a gastroenterologista Roseane Bicalho.

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