Além do uso de medicamentos, estratégias terapêuticas e ajustes no estilo de vida podem ajudar no manejo dos distúrbios mentais mais comuns atualmente.
Apesar dos avanços da medicina e da maior disponibilidade de informações, condições como depressão e ansiedade continuam afetando um grande número de pessoas no Brasil, independentemente da idade ou situação de vida. O tratamento farmacológico é frequentemente crucial, mas existem alternativas que podem complementar e até potencializar seus benefícios, promovendo conforto emocional e uma existência mais plena.
Para Elisângela Ribeiro, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Taboão da Serra, é vital entender o cuidado com a saúde mental de forma abrangente. Ela explica que, embora a medicação possa ser uma ferramenta valiosa, não deve ser vista como a única opção. A psicoterapia, o cultivo de relações saudáveis, a prática de exercícios, uma alimentação balanceada e a conexão com objetivos pessoais também desempenham um papel fundamental no caminho para a melhora.
A especialista observa que muitas pessoas buscam apoio psicológico apenas em fases agudas, o que revela uma falta de hábitos preventivos nessa área. A psicoterapia não serve só para quem enfrenta uma crise. Esse processo ajuda a compreender padrões mentais, a criar mecanismos para lidar com desafios e a reforçar a autoconfiança, fatores que podem evitar novos episódios e elevar o nível de satisfação geral.
O que pode funcionar além dos remédios?
Elisângela Ribeiro destaca várias abordagens que podem atuar junto com a medicação para depressão e ansiedade, ampliando seus efeitos:
- Psicoterapia regular: Auxilia a reconhecer padrões de pensamento, a elaborar estratégias para superar dificuldades e a fortalecer a autoestima, além de ajudar a evitar recaídas.
- Atividade física frequente: A prática de exercícios promove a liberação de neurotransmissores, como serotonina, dopamina e endorfina, que melhoram o humor e reduzem a ansiedade.
- Sono de qualidade: Manter uma rotina de descanso adequada influencia diretamente o equilíbrio emocional e o controle do estresse.
- Alimentação equilibrada: Uma dieta nutritiva e variada contribui para o bom funcionamento do corpo como um todo, inclusive para a saúde mental.
- Rede de apoio e vínculos saudáveis: Cultivar conexões afetivas positivas, participar de atividades em grupo ou dedicar-se a hobbies pode reduzir a sensação de solidão e aumentar o sentimento de pertencimento.
- Lazer: Atividades recreativas ajudam a treinar o cérebro para experimentar prazer, uma capacidade muitas vezes comprometida pela depressão, favorecendo o equilíbrio emocional e a retomada gradual do interesse pelas tarefas do dia a dia.
A psicóloga enfatiza que essas medidas não devem substituir o acompanhamento especializado, mas podem se tornar aliadas poderosas durante o tratamento.
O papel da rede de apoio na saúde mental
A importância dos laços afetivos e da sensação de integração é outro aspecto que costuma ser negligenciado. Conexões interpessoais construtivas, o envolvimento em iniciativas comunitárias, o trabalho voluntário ou mesmo um hobby com significado emocional ajudam a aliviar o sentimento de desconexão e a impulsionar a motivação. A professora destaca que ter uma rede de suporte pode ser tão decisivo quanto qualquer intervenção, especialmente nos momentos de maior fragilidade psicológica.
Quando procurar ajuda
Elisângela Ribeiro ressalta que buscar apoio profissional se justifica sempre que emoções como tristeza, medo, exaustão ou irritabilidade começam a atrapalhar a vida diária, o trabalho, o descanso ou os relacionamentos. Ela conclui lembrando que o primeiro passo costuma ser o mais difícil, mas também o mais significativo. Saber que existem múltiplos caminhos para o autocuidado pode tornar essa jornada mais suave e possível.






