A saúde mental das mulheres é influenciada por fatores como a dupla jornada de trabalho, disparidades salariais e situações de violência. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a probabilidade de elas desenvolverem depressão é aproximadamente o dobro da observada entre os homens.
Em entrevista ao programa Alerta Brasil, Katie Almondes, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia, explica que essa diferença resulta de uma combinação de elementos psicossociais e neurobiológicos. A especialista destaca que, além dos desafios do cotidiano, aspectos hormonais também elevam os índices de ansiedade.
“A tripla carga para quem atua profissionalmente, as oportunidades frequentemente desiguais na gestão da carreira, as diferenças salariais e o papel de cuidadora no lar – responsável pela família e pelos filhos, muitas vezes sozinha –, todos esses fatores impactam negativamente o bem-estar psicológico”, detalha a professora.
Barreiras no acesso aos cuidados
Apesar da maior conscientização sobre essas questões, muitas mulheres ainda encontram dificuldades para obter suporte em saúde mental. Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece poucas opções de acompanhamento psicológico gratuito. Katie acrescenta que esses programas não estão disponíveis em todas as regiões do país.
“É um obstáculo significativo. Dependendo da localidade, há não apenas uma escassez de serviços especializados e de uma rede psicossocial organizada, mas também uma falta de profissionais qualificados para esse acolhimento. Isso afeta não só as mulheres, mas a população em geral”, observa.
Caminhos para mudança
Para transformar essa realidade, a presidente da sociedade defende a implementação de políticas públicas eficazes, voltadas especificamente às demandas femininas. Ela também acredita que a educação pode ser uma ferramenta fundamental para reduzir esses índices.
“O entendimento é crucial para qualquer transformação. […] Não basta abordar o tema apenas durante campanhas como Janeiro Branco, Setembro Amarelo, Dia Internacional da Mulher ou Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência. É preciso trazer essa discussão para o dia a dia”.
Na sua visão, quando a mulher reconhece seus próprios limites, ela também passa a compreender melhor sua saúde psicológica e consegue administrar com mais equilíbrio as diferentes esferas da vida.







