27 de janeiro de 2026
terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Peça ajuda sem medo

Independentemente da razão ou das circunstâncias, há momentos em que surge a sensação de isolamento em relação ao mundo. São situações em que a esperança parece se esvair e a vontade de viver desaparece. Nessas horas, não hesite em buscar auxílio. Sempre haverá alguém disposto a ouvir e oferecer suporte.

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Setembro Amarelo é uma campanha dedicada à prevenção do suicídio. A discussão sobre saúde mental, no entanto, deve ocorrer todos os dias, sem preconceitos.

Buscar apoio não demonstra fraqueza

Segundo a psiquiatra Maria Carol Pinheiro, é essencial entender que solicitar ajuda não significa falta de força, mas sim aceitar que precisamos dos outros para nos construirmos.

“Ao pedir suporte, não revelamos fragilidade, mas sim a sabedoria de confiar no próximo e permitir o crescimento por meio do relacionamento. A honestidade ao buscar auxílio contém o potencial de transformação e a beleza de quem ousa ser plenamente humano.”

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A especialista, que também leciona na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e no curso de pós-graduação em Medicina do Estilo de Vida do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza que essas palavras vão além do poético: são respaldadas pela ciência.

“Quando administramos bem o estresse, por exemplo, o cérebro produz ocitocina (o hormônio da conexão), que nos motiva a buscar amparo, fortalecer relacionamentos e, principalmente, desenvolver a coragem interior de sermos quem realmente somos”, explica.

Juliana Sato, psicóloga especializada em suicidologia e prevenção de riscos à saúde mental, complementa que a busca por apoio representa “um convite para estabelecer conexões”.

“Ao expressarmos nossos sentimentos, criamos oportunidades para que outros participem de nossas vidas e fortaleçamos nossos laços.”

“Pode ser algo tão simples como telefonar para alguém próximo e dizer ‘preciso conversar’ ou aceitar o convite de um familiar que quer acompanhá-lo a uma consulta. Esses atos demonstram que cuidar da saúde mental inclui reconhecer que fazemos parte de uma rede de relações e podemos nos apoiar reciprocamente”, completa.

A importância da escuta autêntica

É crucial que a escuta seja genuína. Isso não exige soluções imediatas. A simples disposição de acompanhar alguém que enfrenta dificuldades emocionais já constitui uma forma valiosa de suporte.

“O mais importante é estar disponível, ouvir sem críticas e aceitar os sentimentos do outro. Frases como ‘não sei exatamente o que você está vivendo, mas quero estar ao seu lado’ ou gestos como preparar uma comida ou simplesmente ficar em silêncio juntos fazem toda a diferença”, observa Juliana.

Maria ressalta a necessidade de estabelecer limites saudáveis para evitar esgotamento emocional, lembrando que ninguém deve se sentir responsável por “solucionar” a dor alheia. “Apoiar significa ajudar a suportar, não assumir o peso sozinho, criando espaços seguros para diálogo, incentivo e respeito mútuo, beneficiando todos os envolvidos.”

Cuidado que vai além do Setembro Amarelo

A atenção à saúde mental vai além dos limites da campanha Setembro Amarelo, embora esta seja fundamental. O bem-estar emocional deve ser tratado cotidianamente como forma de prevenção e conscientização.

Maria enumera diversos aspectos importantes: “É vital combater o estigma em torno da saúde mental, incentivar políticas públicas e envolver-se em iniciativas comunitárias, levando o tema para escolas, empresas, famílias e redes sociais. O cuidado permanente surge da soma de pequenas ações diárias que constroem uma cultura de acolhimento muito mais ampla do que uma campanha anual.”

Juliana enfatiza que a prevenção precisa ser contínua. “Atitudes simples no dia a dia, como perguntar sinceramente ‘como você está?’, criar oportunidades para conversas descontraídas, respeitar os momentos de silêncio enquanto se mantém disponível, ajudam a manter o tema em evidência após setembro.”

A psicóloga destaca que toda forma de sofrimento merece atenção. “Não existe uma medida para determinar quando é apropriado buscar ajuda, nem para comparar dores. O que existe é sofrimento emocional, com causas variadas. Não há uma única origem nem uma única forma de procurar auxílio. Se algo causa desconforto, angústia ou peso, já é motivo suficiente.”

“Isso pode variar desde agendar uma consulta com psicólogo até compartilhar sentimentos com um amigo ou pedir companhia em momentos difíceis. Buscar suporte é válido em qualquer fase da vida, e ninguém precisa alcançar um ‘limite’ para merecer acolhimento.”

Ações individuais rotineiras, como atenção ao sono, alimentação equilibrada, momentos de lazer, autoconhecimento e fortalecimento de vínculos, também contribuem para prevenir o agravamento de sintomas e criam ambientes mais acolhedores.

“É fundamental adotar hábitos preventivos durante todo o ano, como exercitar-se, manter diálogo aberto sobre emoções, procurar ajuda profissional quando necessário e promover espaços de escuta sem julgamentos”, conclui Maria.

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Reinaldo Olecio

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