Na semana de 09 a 16 de abril, foi realizado o tradicional torneio de Monte Carlo, disputado em quadras de saibro e no nível do mar. Este torneio é o terceiro dos nove Masters 1000 que são disputados no ano, categoria de pontuação que só fica abaixo dos quatro grandes torneios de Grand Slam, que premiam com 2000 pontos ao campeão.
Nada menos do que oito dos dez primeiros colocados no ranking mundial estiveram presentes, incluindo o número 1, Novak Djokovic, o terceiro ranqueado, Stefanos Tsisipas, o quarto, Casper Rudd, o quinto, Daniil Medvedev, o sexto, Andrey Rublev, o oitavo, Jannik Sinner, o nono Holger Rune e o décimo, Taylor Fritz. Os ausentes foram o espanhol Carlos Alcaraz (2º), lesionado e o canadense Felix Auger-Aliassime (7º).
Djokovic já é um veterano do circuito, com 35 anos, e consagrado por suas conquistas. Considerados como tenistas da próxima geração, Medvedev (27 anos), Rudd (24 anos) e Tsisipas (24 anos) já fizeram final de Grand Slam, inclusive vencendo, como é o caso de Medvedev.
Mas a novidade neste torneio veio da novíssima geração, com tenistas com idades ainda inferiores. Primeiro com Lorenzo Musetti (21 anos), eliminando Djokovic nas oitavas de final. Na fase seguinte, Musetti enfrentou e perdeu de outro jovem tenista, Jannik Sinner (21 anos). Também nas quartas de final, Holger Rune (19 anos) venceu Medvedev. Os outros dois vencedores nas quartas foram Rublev (25 anos) e Fritz (25 anos).
Se levarmos em conta que os dois top ten ausentes (Alcaraz com 19 anos e Aliassime com 22 anos) seriam fortes candidatos a vencer o torneio, uma vez que Alcaraz foi o vencedor em 2022 e Aliassime chegou às quartas de final no ano passado, há que se perguntar: a novíssima geração está chegando? Serão esses tenistas que em breve dominarão o circuito?
É claro que todo exercício de previsão do futuro é incerto, sobretudo em um esporte individual como o tênis, que pode alijar um candidato das disputas a qualquer momento, como está acontecendo com Alcaraz. Mas a consistência de alguns desses tenistas da novíssima geração nos leva a prever que, em um futuro próximo, salvo contusões sérias, eles estarão dominando o circuito.
Senão vejamos: Rune venceu três torneios em 2022, sendo um no saibro (Munique) e dois em quadras rápidas (Estocolmo e o Masters 1000 de Paris), e agora foi finalista em Monte Carlo. Sinner tem currículo ainda melhor, com títulos em Sofia em 2020 (quadra rápida), Antuérpia, Washington, Melbourne e novamente Sofia em 2021 (todas quadras rápidas), Umag em 2020 (quadra de saibro), Montpellier em 2023 (quadra rápida) e semifinal em Monte Carlo (saibro).
Aliassime também teve performance vencedora em 2022, com títulos em Roterdã, Florença, Antuérpia e Basiléia, todos em quadras rápidas. E Musetti também venceu torneios em 2022, no saibro de Hamburgo e na quadra rápida de Nápoles.
Mas o mais promissor, e vencedor, da novíssima geração é Alcaraz. Além de ter se tornado número 1 do ranking em 12 de setembro de 2022, venceu oito torneios desde 2021. Naquele ano venceu Umag (saibro); em 2022 venceu no saibro do Rio de Janeiro e de Barcelona e foi campeão de dois Masters 1000, em Miami (quadra rápida) e Madri (saibro). Sua maior conquista foi no US Open 2022, quando venceu Casper Rudd na final, título que lhe rendeu a primeira colocação no ranking. Em 2023 já venceu dois torneios, sendo um no saibro de Buenos Aires e o outro o Masters 1000 de Indian Wells, em quadra rápida.
O maior desafio de Alcaraz, em minha opinião, é conseguir dosar suas energias e preservar sua saúde ao longo da temporada. Sua intensidade ao disputar cada ponto tem cobrado um alto custo em termos físicos. Caso consiga administrar essa situação, é grande candidato a dominar o circuito. O problema é saber se com a manutenção de uma intensidade não tão alta será suficiente para continuar vencendo.
Olhando para a novíssima geração, com Alcaraz, Rune, Sinner, Aliassime, Musetti, além de outros tenistas promissores, como Sebastian Korda, Jiri Lehecka, Ben Shelton e Jack Draper, pode-se afirmar que eles estão chegando para ficar.
E como é um exercício de “futurologia”, a conferir.







