O sociólogo de 47 anos, que durante mais de 15 anos interpretou Jesus Cristo no Auto da Paixão de Vitória, foi liberado após passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (13). Ele havia sido detido em flagrante por injúria racial e ameaça contra um funcionário público na Rua da Lama, conhecido polo de bares e restaurantes da capital capixaba. A Justiça concedeu liberdade provisória sem necessidade de pagamento de fiança, desde que medidas cautelares sejam cumpridas.
A confusão na Rua da Lama
De acordo com a Polícia Militar do Espírito Santo, uma faca foi apreendida com o suspeito. Testemunhas relataram que ele teria utilizado o objeto para perseguir a vítima e intimidar outras pessoas que estavam no local.
Conforme a apuração da CBN, o desentendimento começou quando o funcionário público flagrou o suspeito importunando uma pessoa LGBTQIAPN+ em uma fila de posto de gasolina na região. Ao tentar intervir, o jovem passou a sofrer ofensas racistas e ameaças.
Imagens gravadas pela vítima registraram o instante em que o suspeito profere insultos, chamando o funcionário público de “preto, negro e burro”, além de ameaçá-lo com agressão física.
“Você é preto, negro e fora isso é um burro. Onde tem racismo aí? É a sua raça seu m*. Se você fosse um negro que tivesse orgulho, você daria a palma da sua mão pra ser escura também”, disse o sociólogo em um dos vídeos feitos pela vítima.
A Guarda Municipal de Vitória foi acionada, abordou o suspeito e o conduziu, juntamente com a vítima, à delegacia, onde ele foi autuado em flagrante por injúria racial e ameaça.
Decisão judicial
Na audiência de custódia, a Justiça homologou a prisão em flagrante, mas considerou que não estavam presentes os requisitos para converter a detenção em prisão preventiva, levando em conta que o investigado possui residência fixa e ocupação lícita. Dessa forma, concedeu liberdade provisória, condicionada ao cumprimento de medidas cautelares.
Em nota, a defesa do investigado informou que a Justiça rejeitou o pedido do Ministério Público para impor o uso de tornozeleira eletrônica como condição para a concessão da liberdade provisória.







