Um traficante capixaba preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, teria instruído um parente a coletar informações sobre a vida pessoal de uma juíza que atua na execução penal na região da Grande Vitória.
A comunicação, detectada pelo Sistema Penitenciário Federal, revelaria a insatisfação do detento com as decisões da magistrada, responsável por determinar sua custódia em outro estado.
Segundo as investigações, o criminoso usava as visitas autorizadas da filha para pedir que investigassem a juíza.
Ele também se valia do mesmo canal para enviar ordens e diretrizes sobre a administração da facção criminosa à qual pertence, o Primeiro Comando de Vitória (PCV).
O preso é Carlos Alberto Furtado, conhecido como “Nego Beto”, considerado uma das principais lideranças da organização.
Risco em potencial
Diante da ameaça à juíza, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-ES) — que reúne equipes de vários órgãos de segurança sob coordenação da Polícia Federal —, em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), realizou a Operação Argos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa de três integrantes da família de Carlos Alberto. Uma dessas pessoas tem permissão para visitá-lo, e outra é apontada como administradora dos recursos e propriedades do detento. Há indícios de que ela também intermediaria mensagens para outros membros da facção.
Houve uma tentativa de cumprir mandado de prisão contra Rhuan Alves Furtado da Silva, filho de Nego Beto. Ele é acusado de crimes ligados ao narcotráfico, mas não foi encontrado pela equipe da Ficco-ES.
De acordo com as investigações, ele teria a função de executar as orientações recebidas do pai, voltadas para o gerenciamento do tráfico no Bairro da Penha e, suspeita-se, para a coleta de dados sobre a magistrada.
Foram apreendidas armas e aparelhos celulares, enviados para perícia.
Segurança de Marujo
Duas pessoas foram conduzidas à Polícia Federal durante a ação. Uma delas é alvo da Operação Sicário, da Polícia Civil, identificado como um dos guarda-costas de Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, que também cumpre pena em unidade federal.
A segunda pessoa afirmou ser dona de uma pistola e dos carregadores encontrados em um dos imóveis revistados.
Consultado, o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) declarou que “para casos dessa natureza, impõe-se o sigilo necessário e, portanto, não fará comentários a respeito”.
O advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, que defende um dos familiares de Carlos Alberto, informou que não se pronunciará, visto que o processo corre em segredo de justiça.
Os defensores de Carlos Alberto e de Rhuan não foram localizados, mas o espaço para manifestação permanece aberto.







