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Como Se Planejar Para Não Ficar No Vermelho

Como se preparar para pagar as contas eventuais que chegam no início do ano, como IPTU, IPVA e matrícula dos filhos, sem se endividar e ficar no vermelho?

Confira quais são os passos para se organizar

  • Conhecer o seu orçamento e fazer um planejamento financeiro mês a mês.
  • Calcular quanto você precisa reservar todo mês para os gastos eventuais.
  • Escolher os investimentos adequados para isso.

Como fazer o planejamento financeiro do mês

Lorena diz que, no primeiro momento, é preciso entender o que acontece no mês a mês no seu orçamento. Para isso, ela ensina:

  • Anote em um caderno ou planilha a sua receita (seu salário fixo ou, se você for autônomo, a sua renda média mensal).
  • Anote a parcela do seu empréstimo ou financiamento.
  • Relacione todas as despesas fixas mensais (aluguel, escola dos filhos, contas de água e de luz, etc.).

Ao subtrair as despesas fixas da sua receita, você vai chegar ao valor que sobra. “Desse valor que sobra, você vai guardar uma parte para seus projetos, como viagem no final do ano ou montar a sua reserva financeira. A outra parte, você vai separar para os gastos variáveis, como lazer, supermercado, farmácia, combustível, etc.”, afirma Lorena.

Se você recebe R$ 4.000, tem dívidas de R$ 200 e despesas fixas de R$ 1.800, sobram R$ 2.000. Deste valor, você guarda R$ 400 para a reserva financeira e o restante (R$ 1.600) para os gastos variáveis.

A dica da Lorena é: divida esse valor (R$ 1.600) por quatro, para você saber quanto tem por semana para os gastos variáveis no mês.

Essa é uma estratégia para controlar as suas finanças. Quando você monta esse planejamento e utiliza uma ferramenta para controlar os gastos, isso mostra que é você quem está tomando as decisões de para onde vai o seu dinheiro.
Lorena Pires, planejadora financeira

Como lidar com os gastos no início do ano?

Lorena diz que você precisa se planejar para os gastos eventuais, como IPTU, IPVA, matrícula escolar, material didático, seguros do carro e da casa, 13º salário e férias de funcionários, entre outros. “São contas fixas, mas que acontecem uma ou duas vezes por ano.

Quanto reservar:

  • Liste todos esses gastos.
  • Coloque o valor de todos.
  • Divida por 12 meses. O resultado é o valor de quanto você precisa separar todo mês para pagar essas contas em dia.

“Ao pagar em dia, você tem mais condições de negociar descontos, o que traz economia. E, de quebra, esse dinheiro investido ainda rende um pouquinho”, declara Lorena.

A planejadora financeira diz que você deve considerar esse valor mensal como um “boleto”, similar ao aluguel ou à conta de luz. Para isso, você estabelece um dia xis para mandar dinheiro da sua conta para o seu investimento.

Comece o quanto antes. Para ela, se você vai começar a juntar esse dinheiro agora e já tem muitas contas eventuais concentradas no primeiro semestre, precisará juntar por mês um pouco mais, já que não tem o prazo de 12 meses para isso.

“Mas não desista. Se você postergar o problema, quando ele chegar, vai ser mais pesado. Por exemplo: você tem uma conta de R$ 1.000 para pagar em fevereiro. É melhor você juntar R$ 500 em janeiro e R$ 500 em fevereiro, do que ter de desembolsar R$ 1.000 de uma vez só. Então, comece o quanto antes”, diz.

E para quem recebe o 13?

  • Liste os gastos eventuais.
  • Calcule o valor da receita eventual (13º e férias) e subtraia dos gastos eventuais.
  • A diferença é quanto falta para você conseguir cobrir todos os gastos.
  • Divida a diferença por 12 meses. O resultado é o valor que você precisa juntar todo mês para pagar as despesas eventuais.

Exemplo:

  • Gastos eventuais: R$ 7.000
  • Receita eventual (13º e férias): R$ 4.000
  • Diferença: R$ 3.000
  • Valor a ser juntado todo mês: R$ 250

O dinheiro precisa estar carimbado, para você não gastar o 13º com outra coisa. Busque ter pé no chão na hora de decidir como será utilizado esse dinheiro das receitas eventuais.
Lorena Pires, planejadora financeira

Onde aplicar o dinheiro?

Lorena diz que, para qualquer tipo de investimento, você deve definir, antes, para qual objetivo esse dinheiro será usado. “São informações relevantes na hora de escolher um produto para investir”, declara.

Para os gastos eventuais, o resgate deve ser feito no curto prazo, ou seja, o dinheiro não pode ficar travado por dois ou três anos.

Portanto, o investimento deve ter:

  • Liquidez diária, para resgatar o dinheiro a qualquer momento.
  • Segurança, sem a volatilidade do sobe e desce do mercado.

Alguns produtos com essas características são:

  • Poupança: “É uma alternativa, porém existem outros produtos tão ou mais seguros que a poupança e que rendem mais. Portanto, há opções melhores”, afirma Lorena.
  • Tesouro Selic: Paga a taxa Selic (hoje, está em 13,75% ao ano) mais um bônus. “Você empresta dinheiro para o governo. Quando você pede o resgate, o governo devolve o valor corrigido pela taxa Selic”, diz Lorena. Essa aplicação é segura por ter a garantia do governo.
  • CDB com liquidez diária e que renda 100% do CDI (que é similar à taxa Selic). Aqui, você empresta dinheiro para o banco.
  • Fundos de renda fixa simples e com taxa zero

Não é recomendável misturar os investimentos, sejam eles para a reserva financeira, para pagar os gastos eventuais ou para a compra de um imóvel, por exemplo.

“Se possível, não coloque no mesmo produto o dinheiro para diferentes objetivos. Separe os investimentos com muita clareza e carimbe: ‘Esse dinheiro é para tal coisa; o outro é para tal objetivo'”, afirma Lorena.

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