2 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Torcedores no Tênis

Uma das características do esporte mais popular do Brasil, o futebol, é a forma apaixonada que os torcedores dos clubes demonstram seu apoio durante os jogos. Torcem, nos dois sentidos, de apoiar o seu time e de torcer os fatos em favor dele, sem qualquer pudor. Há até quem comemore quando seu time ganha um jogo com arbitragens duvidosas.

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No tênis, esporte individual por excelência, mesmo havendo jogos de duplas, sempre menos valorizados, o torcedor se identifica com determinados tenistas em detrimento dos demais. Isso fica ainda mais evidente quando se pensa no tênis dos últimos vinte anos, com o surgimento de figuras lendárias como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray, o famoso “big four”, que dominou completamente o circuito.

Os estilos desses jogadores são bastante diversos, mesmo com a aposentadoria há pouco tempo de Federer e de Murray, que se aposentou após participar dos Jogos Olímpicos de Paris. Federer, o mais velho do quarteto, tinha um estilo clássico, com um tênis vistoso e de jogadas de grande habilidade. Qualquer amante do tênis é capaz de perceber a excelência e a plástica de seu estilo de jogo. Nadal, com sua persistência e força mental, se dedicou e ainda se dedica intensamente em cada ponto, fazendo uso de sua potência física e resiliência impressionante. Djokovic, em um estilo que mais se assemelha a um tenista de videogame, com precisão e flexibilidade incríveis, é capaz de se manter motivado em todo jogo, mesmo com todos os recordes que tem acumulado. Murray, recém aposentado, se manteve no nível dos outros três, vencendo Grand Slams improváveis e saindo vitorioso em Wimbledon, feito que um britânico não conseguia há décadas. Quatro grandes tenistas, vitoriosos e ídolos em todo mundo.

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A realidade não é exatamente a mesma entre os torcedores desses quatro. Cada torcedor, sobretudo dos três primeiros, costuma considerar o seu preferido como o G.O.A.T. (great of all time), como o melhor. Torcedores de Federer apontam a sua elegância, a sua técnica e seu carisma como motivos para ser escolhido como o melhor de todos; torcedores de Nadal apontam para sua superação e carreira vitoriosa, mesmo não tendo a mesma técnica de Federer, o que seria fruto de seu esforço extra, além de sua liderança no confronto com o suíço; torcedores de Djokovic apontam os números do sérvio como motivação para ser o melhor, além da prevalência mais recente no circuito, após a aposentadoria de Federer e das recentes lesões de Nadal e Murray.

Pessoalmente, penso que essa forma de avaliar o tênis e o melhor tenista de todos os tempos está mais próxima daquele sentido básico de torcer, aquele que torce os fatos para que sejam destacados os pontos que se tem interesse. Explico. O tênis é muito mais do que números e estatística. A forma de vencer também tem peso. O exemplo que o tenista dá fora de quadra também tem peso. A maneira de tratar os adversários, árbitros e os torcedores também tem peso. A maneira que os outros tenistas vêm o atleta também tem peso.

Dito isso, imagino que os torcedores do Nadal destacarão as muitas vitórias do espanhol em Roland Garros, os torcedores do Djokovic dirão que números não mentem, e os torcedores do Federer dirão que o carisma do suíço é insuperável. Todos estão corretos. Mas todos estão incorretos e incompletos. O tênis é mais do que seus torcedores. Ainda bem.

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