O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou, na última terça-feira, o incremento da proporção de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, que começará a valer a partir de 1º de agosto. A determinação será válida por 180 dias, podendo ser estendida uma vez.
De acordo com Maurício Muruci, analista de mercado da Safras & Mercado, a decisão visa reduzir a necessidade de importação de gasolina, especialmente diante do atual cenário de tensão geopolítica. “O combustível costuma encarecer com o recrudescimento do conflito iraniano, já que seu valor está atrelado ao petróleo”, afirmou Muruci. Na véspera, a commodity registrou alta de 9% no fechamento, o maior aumento em quatro semanas, em razão do colapso do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Quanto ao valor, o analista é categórico: sim, o preço cairá com a nova mistura, pois “quanto maior a proporção de etanol anidro na composição, menor será o custo final da gasolina”, completou.
O Ministério de Minas e Energia (MME) projeta que a adoção do E32 reduzirá em R$ 0,03 o valor do litro da gasolina comercializado nos postos.
Redução de importações e impacto ambiental
Além do impacto positivo nos preços, a medida deve diminuir a necessidade de importação de gasolina em aproximadamente 900 milhões de litros anuais e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Segurança para os motores
Muruci garante que a nova composição não oferece perigo aos motores. “Os ensaios foram conduzidos justamente para detectar eventuais problemas”, destacou. De acordo com o MME, as análises técnicas não apontaram efeitos significativos na operação dos veículos, mesmo nos equipados com motores convencionais (não flex). Foram avaliados critérios como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões, tanto em laboratório quanto em situações reais de uso.
Estudos para misturas superiores
Paralelamente à adoção do E32, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro realiza estudos para analisar misturas com porcentagens ainda maiores de etanol, como a elevação para 35%. No entanto, o analista da Safras & Mercado ressalta que um novo aumento da mistura só será autorizado a partir do segundo semestre de 2027, quando ocorrerá outra revisão.
O debate começou em abril, quando o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sinalizou a possibilidade de elevar em 2% a mistura. “Com essa mudança, podemos alcançar a autossuficiência, eliminando a necessidade de importar gasolina e atenuando os efeitos do conflito”, declarou ele em junho.
Resultados anteriores
De acordo com Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), após o último incremento – aprovado pelo CNPE em junho de 2025, que elevou a mistura obrigatória de 27% para 30% – o Brasil economizou R$ 8 bilhões em importações de gasolina. Ainda conforme Gussi, desde o início do conflito iraniano, a diferença entre os preços do etanol e da gasolina proporcionou ao brasileiro uma economia de R$ 2 bilhões, também em junho.







