O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) inaugurou uma nova unidade em Salvador, Bahia, reafirmando seu compromisso de longa data com o Brasil, especialmente com os governos nordestinos e o estadual baiano. A abertura marca trinta anos de cooperação produtiva e investimentos compartilhados no progresso das comunidades rurais.
Globalmente, o portfólio de iniciativas do FIDA no Brasil é o quinto maior da organização, representando 40% dos financiamentos do Fundo na América Latina e no Caribe. “Esses são motivos sólidos para consolidar nossa presença estratégica no país, com uma equipe multidisciplinar e experiente que agora intensifica as ações a partir de Salvador”, destacou a diretora regional do FIDA, Rocío Medina Bolívar. Ela completou dizendo que o Brasil é a única nação onde a instituição mantém dois escritórios: um em Brasília e outro no Nordeste, situado em Salvador.
O FIDA se consolida como um parceiro firme para o Brasil e a região Nordeste. Atualmente, conta com “um conjunto de investimentos que soma 1,1 bilhão de dólares nessa parte do país, com ações de desenvolvimento rural que promovem prosperidade para cerca de um milhão de famílias”, enfatizou durante a cerimônia de abertura o diretor de país do FIDA para o Brasil, Arnoud Hameleers. O secretário de Desenvolvimento Rural do Governo da Bahia, Osni Cardoso, também participou do evento.
Nordeste produtivo
Só no estado da Bahia, o FIDA cofinancia um montante total de investimentos próximo a 250 milhões de dólares, por meio de quatro programas: o Projeto de Desenvolvimento Sustentável da Mata Atlântica (Parceiros da Mata), em conjunto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); o Projeto Sertão Vivo (PCRP), em parceria com o BNDES, focado no aumento da resiliência climática no campo; e o projeto Promoção do Pagamento por Serviços Ambientais para cadeias de valor livres de desmatamento no Brasil (CompensAção), em cooperação com o governo da Alemanha.
Além disso, a Bahia integra o projeto federal Segurança Alimentar e Nutricional e Resiliência às Mudanças Climáticas no Semiárido do Nordeste Brasileiro (Dom Hélder Câmara III – PDHC III), realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
Mais recentemente, o FIDA iniciou na Bahia a implementação do Projeto Raízes Agroecológicas, com recursos da União Europeia e da Bélgica, por meio do Programa Global para Produtores de Agroecologia de Pequena Escala e Transformação de Sistemas Alimentares Sustentáveis (GP-SAEP). O objetivo é fomentar o melhoramento genético e a diversidade de sementes adaptadas às condições locais.
A longa trajetória de colaboração do FIDA com a Bahia também tem fortalecido a agenda de Cooperação Sul-Sul, incentivando a troca de experiências baseadas na realidade rural de diferentes países. Entre essas ações, destacam-se as visitas recentes de delegações de Angola e Moçambique, centradas em temas como acesso à terra, mercados, políticas públicas, equidade de gênero, juventude e segurança hídrica.
“Vale ressaltar que, no Brasil, o financiamento do FIDA funciona como um investimento catalisador, correspondendo a cerca de 15% do custeio total dos projetos. A partir desse aporte estratégico, o Fundo atrai recursos adicionais de várias organizações nacionais e internacionais — como o Fundo Verde para o Clima (GCF), o BID, a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), o governo alemão e o BNDES, entre outros — ampliando consideravelmente a escala, o alcance e o impacto das operações apoiadas”, acrescentou Donal Brown, vice-presidente adjunto de Operações do FIDA.
Investimentos dessa natureza demonstram o papel essencial do FIDA na mobilização de recursos em prol das populações rurais mais vulneráveis do Nordeste. A instituição adota uma abordagem geográfica específica para essa região, que registra os índices mais elevados de pobreza do Brasil e demanda maior acesso a oportunidades de desenvolvimento.
O FIDA é uma instituição financeira internacional e uma agência especializada das Nações Unidas, com sede em Roma, o centro do sistema da ONU para alimentação e agricultura. O Fundo aplica seus recursos nas populações rurais e, ao capacitar essas pessoas, ajuda a diminuir a pobreza, aumentar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e reforçar sua resiliência. Desde 1978, destinou mais de 25 bilhões de dólares em doações e empréstimos com condições favoráveis para financiar projetos em países em desenvolvimento.







