Enquanto a sociedade acompanha os índices de criminalidade e as apreensões divulgadas diariamente pela Polícia Militar do Espírito Santo, há uma estatística silenciosa que raramente ocupa espaço nos noticiários: a saúde mental de quem está na linha de frente.
O policial militar convive, de forma reiterada, com cenários de violência, sofrimento humano e risco iminente. A exposição constante a ocorrências complexas e acidentes graves, conflitos armados, mortes e situações de extrema tensão não passa ilesa pelo psicológico. O custo emocional desse enfrentamento diário é uma conta que, cedo ou tarde, chega.
Diferentemente de outras profissões, o policial não “desliga” ao retirar a farda. O estado permanente de alerta, conhecido como hipervigilância, é um mecanismo de sobrevivência no serviço operacional. O cérebro é treinado para identificar ameaças, antecipar riscos e reagir rapidamente.
A dificuldade para relaxar, o sono fragmentado, a irritabilidade e o distanciamento emocional são sintomas frequentemente relatados. O profissional permanece em alerta mesmo em ambientes seguros, impactando relações familiares, desempenho social e qualidade de vida. A família, muitas vezes, também sente os reflexos dessa tensão contínua. Seja pela resposta curta e grossa do policial ou por seu estado emocional distante.
É preciso romper o estigma que ainda cerca o tema dentro das instituições de segurança pública.
A segurança pública se faz com preparo técnico, equipamentos adequados e inteligência operacional. Mas para ela é imprescindível profissionais emocionalmente saudáveis. Valorizar quem protege vai além do reconhecimento em elogios em boletins oficiais, passa pelo cuidado real com a mente de quem, diariamente, enfrenta o caos para garantir a ordem.
Falar sobre saúde mental na polícia não é fragilizar a instituição. É fortalecê-la. E entender que atrás da farda existe uma pessoa.







