Exportações do Brasil aos Brics alcançam US$ 154,8 bilhões

As exportações brasileiras para os países do Brics ampliado alcançaram o valor recorde de US$ 154,82 bilhões no acumulado de doze meses até setembro de 2026, com alta de 14,9% sobre os US$ 134,74 bilhões registrados nos doze meses anteriores. Os dados são do levantamento por países de destino disponível no portal ComexStat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ao somar as compras de China, Índia, Rússia, África do Sul, Egito, Emirados Árabes Unidos, Irã, Arábia Saudita, Etiópia e Indonésia, o grupo passou a absorver 41,3% de tudo que o Brasil vende ao exterior em doze meses, o que reforça o deslocamento do eixo comercial brasileiro para a Ásia, o Oriente Médio e o norte da África.

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Recorde nas vendas ao Brics ampliado

Na composição do bloco, a China seguiu como maior destino individual dos produtos brasileiros, com compras de US$ 109,03 bilhões no acumulado de doze meses até setembro de 2026, pelo critério de embarque nos portos brasileiros, avanço de 16,6% frente aos US$ 93,53 bilhões dos doze meses imediatamente anteriores. Além do mercado chinês, o desempenho do bloco foi sustentado pelo aumento das vendas brasileiras de óleo de soja, açúcar, petróleo e carnes para a Índia, que superaram US$ 9,6 bilhões em doze meses, e pela expansão dos embarques de milho, aves, carne bovina e minério para Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Indonésia.

Estados Unidos em segundo lugar

Entre os parceiros individuais do Brasil, os Estados Unidos ocuparam o segundo lugar, com exportações de US$ 42,64 bilhões no acumulado de doze meses até setembro de 2026, crescimento de 8,4% em relação aos US$ 39,34 bilhões dos doze meses anteriores. Ao contrário da pauta voltada a grãos e minérios enviada à Ásia, o avanço das vendas ao mercado norte-americano em doze meses combinou mais embarques de petróleo bruto com bens industriais de maior valor agregado, em especial jatos comerciais fabricados no interior paulista, motores, máquinas de terraplenagem, aço semimanufaturado, celulose, café e carne bovina industrializada.

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Na leitura do acumulado do ano, de janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras para o Brics ampliado totalizaram US$ 119,45 bilhões, alta de 13,2% ante os US$ 105,52 bilhões dos nove primeiros meses de 2025. Desse montante, a China respondeu por US$ 84,68 bilhões, avanço de 12,0% sobre os US$ 75,58 bilhões de janeiro a setembro de 2025 e também acima dos US$ 76,42 bilhões do mesmo período de 2024. Os embarques para os Estados Unidos, por sua vez, somaram US$ 31,85 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, com crescimento de 7,9% sobre os US$ 29,51 bilhões de igual intervalo de 2025.

Setembro e novos membros

No resultado isolado de setembro de 2026, o Brasil exportou US$ 12,15 bilhões para o conjunto dos países do Brics ampliado, sendo US$ 7,89 bilhões destinados diretamente aos portos chineses e US$ 4,26 bilhões distribuídos entre Índia, Oriente Médio, Rússia, Sudeste Asiático e África. Para os Estados Unidos, as vendas brasileiras em setembro de 2026 alcançaram US$ 3,68 bilhões, superando em 11,2% os US$ 3,31 bilhões embarcados em setembro de 2025 e mantendo o mercado norte-americano com participação próxima a 11% das vendas externas totais do Brasil.

A entrada de novos membros plenos no Brics nos últimos dois anos teve efeito direto na geografia das exportações brasileiras de alimentos e energia. Países como Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e Indonésia reúnem populações numerosas e forte crescimento urbano, mas contam com terras agricultáveis e recursos hídricos limitados, o que os transforma em importadores permanentes de proteínas animais, açúcar, milho, soja e minério de ferro produzidos no Brasil. A criação de rotas marítimas diretas e o uso crescente de moedas locais na liquidação de contratos comerciais diminuíram custos de intermediação bancária e aceleraram os negócios com essas praças.

A comparação simultânea dos principais destinos revela que o Brasil ampliou suas receitas externas tanto no mundo emergente quanto no mercado norte-americano ao longo dos últimos doze meses. Enquanto a parceria com a China e os novos integrantes do Brics assegura escala gigantesca para o agronegócio, a mineração e a indústria de alimentos, a relação comercial com os Estados Unidos e com a América do Sul preserva encomendas vitais para as fábricas instaladas no país, diversificando as fontes de dólares da balança comercial brasileira.

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