A defesa de uma intervenção estrangeira por um deputado, a intensificação da oposição de Anadelso, a atuação do PL e da bancada governista na Ales e outros temas compõem o noticiário político.
Montagem infame
Entre as muitas coisas que passam cotidianamente na Assembleia Legislativa do Estado (Ales) sem receber maior atenção, um episódio da última semana talvez mereça um olhar mais cuidadoso. Em discurso na tribuna, o deputado estadual Capitão Assumção (PL) exibiu uma montagem produzida com inteligência artificial a partir da conhecida (ou infame) imagem do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vendado dentro de uma aeronave enquanto era sequestrado por militares dos Estados Unidos. Na versão apresentada, porém, quem aparecia sendo sequestrado era o presidente Lula (PT). Assumção afirmou que esse seria o destino “desse vagabundo”. A declaração ocorreu no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro (PL) e sua família seguiam para o “exílio” nos Estados Unidos.
Capitão Assumção também tratou do tema nas redes sociais, em postagem feita a partir de um corte do discurso na Ales. “A quadrilha achou que tinha feito tudo certo pra colocar as mãos no Flávio Bolsonaro. Os bandidos se ferraram. Acharam que tinham controle sobre tudo. Agora, estão com o rabo entre as pernas, pois o fim deles será no mesmo presídio que Maduro. Cambada dos infernos! Flávio Bolsonaro fez a coisa certa!”, escreveu.
Não é trivial
É necessário dizer com clareza: Capitão Assumção está defendendo explicitamente uma intervenção estrangeira em solo brasileiro. Atentar contra a soberania nacional é crime previsto no Código Penal. As falas do deputado não deveriam ser encaradas como triviais; há uma acomodação em esperar qualquer coisa dos bolsonaristas.
Agora, entretanto, parece que o cansaço do extremismo chegou. A maior parte da direita não embarcou na aventura estadunidense de Flávio Bolsonaro e já considera encerrado o resultado da eleição.
Não há contradição
Como podem os bolsonaristas conviver com a contradição de seguir o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade” e, ao mesmo tempo, pedir intervenção estrangeira no país? O doutor em filosofia Moysés Pinto Neto argumentou em um texto publicado na Revista Piauí em 2025 que, na verdade, não existe contradição alguma. Isso porque o processo de construção de uma identidade, como a do “patriota”, não segue necessariamente uma condição “real” estabelecida objetivamente – uma pessoa pode perfeitamente se considerar “nacionalista” e, na prática, trabalhar contra os interesses nacionais. Na verdade, as pessoas se baseiam em seus desejos, no que querem ou supõem ser. Nesse sentido, a extrema direita projeta um Brasil tutelado pelos Estados Unidos como a “verdadeira” solução para que o país alcance suas “reais” potencialidades. Moysés Pinto Neto chama essa característica de “patriotismo de vassalagem”, uma visão “nacionalista” que aceita de bom grado submeter o território nacional ao império estadunidense.
Callegari critica PL
O deputado estadual Callegari (DC), que está no fim do mandato, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que o único partido “viril” do Brasil é o Novo, a única legenda a contestar o resultado das eleições que deram vitória ao presidente Lula. Ele disse que o Partido Liberal (PL) abandonou a família Bolsonaro ao reconhecer a derrota no pleito. No ano passado, Callegari deixou o PL para tentar se candidatar a senador, já que, na legenda “oficial” dos bolsonaristas, Magno Malta fechou as portas.
Nem todo o PL com Pazolini
O PL, que integrou a aliança de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na eleição para governador, elegeu seis deputados estaduais. Entretanto, não se pode esperar que todos fiquem automaticamente na base do novo governador na Ales. Capitão Assumção tem um histórico de disputa eleitoral contra Pazolini e o criticou durante a campanha. Já o vereador Darcio Bracarense, que também vai assumir uma das cadeiras do Partido Liberal na Assembleia, mantém uma postura bastante crítica em relação ao ex-prefeito de Vitória.
Anadelso fiscaliza
O vereador de Vila Velha Anadelso Pereira (PSDB) vestiu de vez o “figurino” de opositor do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) e passou a publicar nas redes sociais ações de fiscalização de serviços e equipamentos públicos. Anadelso ficou magoado porque, segundo suas palavras, Arnaldinho “chamou minhas lideranças e pediu para nenhuma delas me apoiar mais para deputado estadual” – ele teve baixa votação. Isso ocorreu depois de o próprio vereador arriscar o mandato ao trocar de partido, sob a orientação do prefeito.
Ato dos trabalhadores portuários
Em sintonia com uma mobilização global que alcançou quase 100 portos espalhados por quatro continentes, os trabalhadores portuários do Espírito Santo realizaram um manifesto na sexta-feira (30) na escadaria do Palácio Anchieta, no Centro de Vitória. Com vista para o Porto de Vitória, a ação reuniu lideranças sindicais, representantes de centrais e trabalhadores do setor em defesa da paz mundial, da garantia de empregos dignos e contra a precarização provocada pelo avanço desordenado da automação. A iniciativa integra a jornada internacional de lutas contra o uso de infraestruturas portuárias para o embarque e transporte de armas destinadas a guerras e genocídios, com destaque para a solidariedade ao povo palestino e o repúdio aos bloqueios econômicos imperialistas.






