Os países do BRICS estão construindo uma infraestrutura independente para pagamentos, desenvolvendo mecanismos para atrair investimentos e ampliando a cooperação industrial. A afirmação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Rechetnikov, na sessão “Plataforma BRICS como catalisadora da cooperação empresarial entre Rússia e África”, realizada durante o Fórum Econômico e Humanitário Rússia–África, em Moscou.
De acordo com o ministro, o BRICS representa para os países africanos um mercado aberto e também uma fonte de tecnologias, produtos industriais e bens de capital. Entre os mecanismos em elaboração, ele mencionou a Associação de Zonas Econômicas Especiais e a Bolsa de Grãos do BRICS. Os ministérios encarregados da indústria nos países do grupo também propuseram a criação de uma frente específica de cooperação voltada à digitalização industrial e ao acesso a tecnologias.
“Nos últimos tempos, o BRICS vem se tornando um grupo cada vez mais voltado à implementação de ações concretas. Surgem iniciativas, instrumentos e programas que permitem transformar a cooperação, antes concentrada no diálogo político, em resultados práticos. […] Podemos eliminar barreiras, mas, no fim das contas, é o setor empresarial que realiza todo o trabalho”, acrescentou Rechetnikov.
Logística e zona industrial
O ministro do Abastecimento e do Comércio Interno do Egito, Sherif Farouk, declarou durante a sessão que o país vê a zona industrial russa como uma oportunidade relevante para ampliar a cooperação. Em declaração, ele apresentou os planos para a criação de um centro logístico no Egito.
“Hoje estamos discutindo a criação de um centro logístico que servirá como porta de entrada para a África. Como vocês sabem, o Egito é o maior importador de trigo russo. Um centro logístico no país abriria grandes oportunidades para fortalecer a segurança alimentar de todo o continente”, explicou.
Conforme o presidente do Conselho Empresarial Rússia–Egito, Aleksei Kuzmitchiov, as primeiras empresas residentes da zona industrial russa na região do Canal de Suez deverão ser selecionadas até o fim de 2026. A expectativa é que a zona industrial comece a operar entre 2027 e 2028.
Infraestrutura, transporte e formação
O presidente da seção sul-africana do Conselho Empresarial Rússia–África do Sul, Elias Monage, indicou, em entrevista, setores nos quais os países do BRICS podem desenvolver projetos conjuntos. Durante a sessão, ele também informou que a África do Sul convidou a Rússia a colaborar no desenvolvimento de novas tecnologias ferroviárias.
“A cooperação no BRICS significa realizar projetos concretos em conjunto em nossos países, principalmente nas áreas de infraestrutura, transporte, logística e energia. É nesses setores que podemos trabalhar juntos e desenvolver iniciativas comuns. […] Outra área que estamos considerando para ampliar a cooperação é a cibersegurança, em seus mais diversos setores e aplicações”, acrescentou.
O presidente do Conselho Empresarial Rússia–África do Sul, Viktor Vekselberg, propôs incluir representantes dos conselhos empresariais nas comissões intergovernamentais e oferecer formação a estudantes africanos em áreas importantes para as futuras parcerias.
“Em breve, os jovens estarão à frente das empresas e dos países. Serão aqueles que hoje têm 20 anos. Onde estudam, o que aprendem e quais idiomas falam serão fatores decisivos para o sucesso da nossa cooperação”, destacou.
Segundo a moderadora da sessão, Irina Abramova, diretora do Instituto de Estudos Africanos da Academia de Ciências da Rússia, mais de 37 mil africanos estudam atualmente no país.
O 3º Fórum Econômico e Humanitário Rússia–África será realizado em 28 e 29 de outubro de 2026, em Moscou.






