O teste molecular DNA-HPV, usado na prevenção do câncer do colo do útero, já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em 26 das 27 unidades da Federação. A tecnologia permite identificar infecções pelo papilomavírus humano (HPV) ligadas ao desenvolvimento da doença antes mesmo do aparecimento de lesões, o que amplia as possibilidades de acompanhamento e de tratamento preventivo.
Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde na quarta-feira (28), a estratégia soma 153 mil amostras coletadas entre 2025 e 2026. Desse total, 93 mil foram processadas neste ano, sendo 9.904 resultados positivos para tipos de HPV considerados de alto risco.
O resultado positivo, no entanto, não significa que a paciente tenha câncer. O exame identifica a presença de tipos virais associados ao desenvolvimento da doença e permite que os profissionais de saúde indiquem os procedimentos necessários para investigar possíveis alterações.
A maior vantagem da nova tecnologia está na capacidade de identificar o HPV antes que ele provoque alterações nas células do colo do útero. O método ainda tem sensibilidade superior à do exame citopatológico tradicional, o Papanicolau.
Exame de HPV chega a 26 unidades da Federação
Conforme o Ministério da Saúde, todas as unidades da Federação, exceto o Espírito Santo, já receberam os materiais necessários e começaram a realizar os exames em pelo menos um município.
No Espírito Santo, a implantação depende da conclusão das etapas de organização da rede local. A previsão do governo federal é enviar os materiais ainda em 2026.
A expansão acontece de forma gradual. Por isso, a presença do teste em determinado estado não quer dizer que todas as cidades ou unidades de saúde já ofereçam o procedimento.
Os kits usados são produzidos pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná, em parceria com a Fiocruz. A implantação também envolve treinamento de profissionais e reorganização dos serviços responsáveis pelo acompanhamento das pacientes.
O Ministério da Saúde informou que já fez capacitações nas 27 unidades da Federação, com gestores e equipes que atuarão na ampliação da estratégia.
Como acessar o novo exame pelo SUS
O rastreamento com DNA-HPV é indicado, segundo as diretrizes nacionais, para mulheres e outras pessoas com colo do útero, de 25 a 64 anos, que já tiveram atividade sexual.
Para acessar o serviço, é preciso procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe pode verificar a disponibilidade do teste no município e orientar sobre o procedimento adequado.
A coleta é feita por profissionais de saúde. Em situações previstas pelo protocolo, também poderá ser realizada pela própria paciente, após orientação da equipe responsável.
Outra mudança diz respeito ao intervalo entre os exames. Quando o resultado para HPV de alto risco é negativo, o teste molecular poderá ser repetido após cinco anos, conforme as recomendações clínicas. O período maior é possível porque o método tem maior sensibilidade para identificar infecções associadas ao câncer.
O Papanicolau continuará disponível nas localidades onde a nova tecnologia ainda não foi implantada, garantindo a continuidade do rastreamento.
Câncer do colo do útero pode ter 19,3 mil casos por ano no Brasil
A ampliação do rastreamento ocorre em meio às estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que projeta aproximadamente 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
A doença pode se desenvolver sem sintomas nas fases iniciais. Sangramentos fora do período menstrual, após relações sexuais ou depois da menopausa, além de corrimento com sangue, estão entre os sinais que exigem avaliação médica.
A prevenção também depende da vacinação contra o HPV. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos chegou a 87% das meninas e 74% dos meninos.
Um estudo sobre doenças associadas ao HPV apontou cerca de 7,5 mil mortes anuais no Brasil no período analisado, o que reforça a importância da vacinação e da identificação precoce de lesões.
A incorporação do DNA-HPV integra a reorganização da prevenção do câncer do colo do útero no SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é ampliar o acesso ao rastreamento e facilitar o encaminhamento das pacientes que precisarem de exames complementares e tratamento.







