Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) iniciam os dois últimos dias de campanha antes do primeiro turno concentrando as atenções na região Sudeste. Entre esta sexta-feira (2/10) e o sábado (3/10), os dois postulantes à Presidência vão percorrer Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, que são os três maiores colégios eleitorais do Brasil.
Somados, os três estados reúnem 63,3 milhões de eleitores, o que corresponde a cerca de 40% dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. Incluindo o Espírito Santo, o Sudeste concentra 66,3 milhões de pessoas habilitadas a participar do pleito, equivalente a 41,78% do eleitorado nacional. Essa movimentação acontece na véspera do primeiro turno, programado para domingo (4/10), e depois que Lula e Flávio encerraram a campanha sem um enfrentamento direto em debate.
Sexta-feira (2/10)
Lula inicia a agenda desta sexta-feira no Rio de Janeiro. Ao meio-dia, ele participa de uma caminhada no centro da capital fluminense, com concentração na Praça Pio X, na região da Candelária. O presidente estará ao lado de aliados da disputa estadual, como Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), que concorrem ao Senado.
Após o ato no Rio, o petista parte para Belo Horizonte. A partir das 16h, integra uma caminhada que terá como ponto de partida a Praça da Liberdade, acompanhado de Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas Gerais, e das postulantes ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSol).
A visita a Minas Gerais ocorre dois dias depois de Lula ter cancelado um compromisso que estava previsto para Juiz de Fora. O presidente era aguardado no município na quarta-feira (30/9), porém as condições meteorológicas impediram que o helicóptero decolasse do Aeroporto Regional da Zona da Mata com destino à cidade.
Flávio também estará em Minas Gerais nesta sexta-feira, porém se deslocará para o norte do estado. Às 18h, o senador participa, em Montes Claros, de mais uma edição do “Bloquinho do Nikolas”, mobilização organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Também são aguardados Flávio Roscoe, candidato do PL ao governo mineiro, e Domingos Sávio, que disputa uma cadeira no Senado.
Esta será a quarta passagem do candidato do PL por Minas Gerais durante a campanha presidencial. Antes de Montes Claros, Flávio já havia cumprido compromissos em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Governador Valadares e Teófilo Otoni.
Sábado (3/10)
São Paulo será palco dos principais atos dos dois candidatos no último dia de campanha. Maior colégio eleitoral do país, o estado conta com 34,1 milhões de eleitores, o que representa mais de um em cada cinco brasileiros aptos a votar.
Na capital, Lula vai participar de uma caminhada ao lado de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista. A concentração está agendada para as 10h, na Avenida Paulista, na esquina com a Alameda Ministro Rocha Azevedo. O grupo percorrerá a Rua Augusta até a Praça Roosevelt.
O percurso chegou a provocar um impasse com a Prefeitura de São Paulo. Inicialmente, a administração de Ricardo Nunes (MDB) tinha proibido a realização do ato na Avenida Paulista, mas voltou atrás na quinta-feira (1º/10) e comunicou que não impediria a caminhada.
Antes de seguir para São Paulo, Flávio cumprirá compromissos no Rio de Janeiro ao lado de Douglas Ruas (PL), candidato ao governo fluminense. As duas unidades federativas já tinham sido selecionadas pela campanha do senador para receber os últimos atos antes da votação.
No interior paulista, Flávio vai participar de uma carreata com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador que concorre à reeleição. O trajeto terá início em Santa Bárbara d’Oeste e prosseguirá até Americana, na região de Campinas.
Domingo (4/10)
No dia da eleição, Lula votará em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, e deverá permanecer na capital para acompanhar a apuração. Flávio irá às urnas no Rio de Janeiro, estado onde nasceu e que representa no Senado. Se houver necessidade de segundo turno, a nova votação acontecerá em 25 de outubro.
Debate cancelado
A reta final da campanha também ficou sem o último debate previsto entre os presidenciáveis. Lula já tinha comunicado à TV Globo que não participaria do encontro marcado para a noite de quinta-feira (1º/10). Flávio chegou a confirmar presença, mas desistiu cerca de duas horas antes do horário previsto, alegando que uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representava “censura” ao formato organizado pela emissora.
As regras do encontro tiveram alterações de última hora. O TSE proibiu que a Globo exibisse um púlpito vazio identificado com o nome de Lula, ao passo que uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a participação de Renan Santos (Missão). Diante dessas mudanças, a emissora cancelou o programa e alegou “insegurança jurídica” para manter o debate.
Lula ocupou parte da noite com uma entrevista ao Flow Podcast, iniciada às 20h53 e estendida pelo período em que o debate seria exibido. Durante a conversa, o presidente criticou o modelo atual dos confrontos televisivos e defendeu entrevistas de maior duração.
Flávio, por sua vez, fez uma transmissão própria com aliados depois de anunciar que não iria à Globo. O senador também vinha recorrendo a podcasts nos últimos dias da campanha e, na segunda-feira (28/9), participou por aproximadamente duas horas do SantoFlow Podcast, destinado ao público católico, após a repercussão negativa envolvendo o título de padroeira do Brasil atribuído a Nossa Senhora Aparecida.






