Embora o câncer de mama seja geralmente associado a mulheres com mais de 50 anos, os registros da doença vêm crescendo entre pacientes mais jovens, acendendo um alerta neste Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o tema.
Levantamento do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) mostra que, em 11 anos, a participação de mulheres com menos de 40 anos quase triplicou. Em 2009, elas correspondiam a 8% do total de casos; em 2020, o percentual chegou a 22%.
No Espírito Santo, dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) indicam que 151 mulheres com menos de 40 anos foram diagnosticadas com câncer de mama em 2025, o equivalente a 11,3% dos 1.332 casos registrados no estado naquele ano. Em 2024, haviam sido 168 diagnósticos nessa faixa etária, representando 10,7% do total.
A oncologista Morgana Stelzer Rossi, referência técnica da Rede de Crônicas da Sesa, explica que esse cenário pode sofrer influência do estilo de vida, além de fatores hormonais e genéticos.
“Sedentarismo, sobrepeso, obesidade e uma alimentação de baixa qualidade, muito baseada em produtos ultraprocessados, podem contribuir para o diagnóstico precoce de vários tipos de câncer, inclusive o de mama”.
Por estarem fora da fase de rastreamento da doença – indicado pelo Ministério da Saúde entre 50 e 74 anos e pelas sociedades médicas a partir dos 40 –, é comum que essas mulheres descubram o câncer em um estágio mais avançado.
“Uma mulher jovem, que ainda não faz mamografia de rotina, muitas vezes descobre a doença quando percebe alguma alteração sozinha, quando o nódulo pode já estar maior”, acrescenta Morgana.
Além disso, o tratamento nessa fase da vida carrega desafios específicos, segundo a oncologista Vitória Sampaio Cunha, da Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc) e do Hospital Santa Rita.
“É preciso considerar não apenas o controle do câncer, mas também os projetos de vida da paciente. A quimioterapia, por exemplo, pode comprometer a fertilidade. Então, essas coisas precisam ser conversadas com a mulher”.
Diante desse cenário, o oncologista Fernando Zamprogno, da Rede Meridional, reforça a importância de conhecer o próprio corpo e manter os cuidados em dia.
“A mulher precisa se conhecer a ponto de saber identificar alterações na mama. Nódulos, caroços, abaulamentos, endurecimentos ou saída de secreção pelo mamilo precisam ser investigados. Sem esquecer, é claro, do acompanhamento com ginecologista”.
Fase final do tratamento
Em 2025, durante o banho, a analista fiscal Marilene Jahring dos Santos, de 39 anos, percebeu uma alteração em sua mama. Apesar de estar com os exames em dia, resolveu investigar e recebeu o diagnóstico de câncer de mama. “Foi um choque enorme, a gente não imagina que isso pode acontecer”.
Hoje, ela está na fase final do tratamento e afirma que o autoconhecimento salvou sua vida. “Precisamos aprender a ouvir nosso corpo”.
“Nunca perdi a minha fé”
Quando tinha 28 anos, a assistente administrativo Larissa dos Santos Rocha, hoje com 29, recebeu o diagnóstico de câncer de mama.“Primeiro, senti alguns nódulos na mama e depois comecei a ter uma secreção. Fiquei preocupada e fui atrás dos exames”, lembra.
Ela conta que o tratamento, que agora está no fim, foi difícil e exigiu diversas mudanças. Hoje se sente grata. “Estou viva e nunca perdi a minha fé”.
Saiba mais
Câncer de mama
É o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, e também a principal causa de mortalidade feminina pela doença.
O risco da doença aumenta com o envelhecimento, sendo mais comum em mulheres acima dos 50 anos, mas pode surgir em qualquer idade.
Casos em jovens
Nos últimos anos, vem crescendo o número de diagnósticos entre mulheres com menos de 40 anos.
Estilo de vida sedentário, obesidade e alimentação inadequada podem ser alguns dos fatores.
Sinais de alerta
Nódulo ou caroço na mama ou na axila, mudanças no formato da mama, retração da pele ou do mamilo, pele com aspecto de casca de laranja e saída espontânea de secreção pelo mamilo devem ser investigadas.
Rastreamento
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama e é capaz de identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
O Ministério da Saúde recomenda o exame de rotina entre 50 e 74 anos, enquanto sociedades médicas brasileiras orientam o início aos 40.
Em mulheres mais jovens, a realização de exames depende da presença de alterações ou de fatores de risco, conforme avaliação médica.
Casos no Estado
2024
0 a 39 anos – 168 casos
40 anos a 80+ – 1.405 casos
2025
0 a 39 anos – 151 casos
40 anos a 80+ – 1.181 casos
2026 (até agora)
0 a 39 anos – 56 casos
40 anos a 80+ – 372 casos







