Sondagem realizada com integrantes da IGLTA revela interesse em expandir a oferta brasileira no mercado internacional e indica experiências, destinos e iniciativas para apoiar a comercialização do país
Brasília – O caminho entre o interesse pelo Brasil e a decisão de colocá-lo na prateleira das viagens internacionais envolve informação, capacitação e conhecimento dos destinos. Uma pesquisa inédita conduzida pela Embratur junto a empresas filiadas à International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA) aponta oportunidades para ampliar a presença das experiências brasileiras no mercado internacional voltado ao público LGBTQIA+, com potencial de geração de negócios.
Nesta primeira edição, a sondagem escutou 34 associados da IGLTA e examinou o perfil das empresas, o relacionamento comercial com o Brasil, o interesse pelo destino, as experiências com potencial de venda e os principais obstáculos apontados pelo mercado.
Os números mostram um setor que já possui vínculo com o destino Brasil, embora ainda exista margem para expandir o conhecimento e as vendas.
De acordo com o presidente da Embratur, Bruno Reis, os resultados permitem converter dados de mercado em estratégias mais assertivas de promoção e suporte à comercialização. “Mais do que compreender o interesse pelo Brasil, a inteligência de mercado revela o que precisamos fazer para transformar esse interesse em viagens. A sondagem indica oportunidades concretas: há empresas que desejam conhecer melhor nossos destinos, produtos e experiências. Essas informações nos auxiliam a orientar ações de promoção, capacitação e relacionamento com o trade para ampliar a presença da diversidade brasileira no mercado internacional”, afirma.
Brasil na vitrine
Entre os participantes que já vendem destinos brasileiros, o Rio de Janeiro figura como o mais comercializado, mencionado por 95,65%, seguido por São Paulo (73,91%) e Foz do Iguaçu (47,83%). Também são citados Manaus (39,13%), Recife e Salvador (34,78% cada), Fernando de Noronha (30,43%), além de Florianópolis, Fortaleza e Gramado (26,09% cada).
A pesquisa indica espaço para expansão. Para 69,57% dos entrevistados, o Brasil responde por até 20% do volume total de vendas. Outros 17,39% afirmaram que o país representa uma fatia entre 21% e 40% dos negócios.
O interesse também se manifesta na procura por informações sobre o destino: 39,13% disseram pesquisar o Brasil com frequência e 17,39%, com muita frequência.
O perfil dos entrevistados auxilia a contextualizar esses números. Metade atua como agente ou consultor autônomo, 91,18% utilizam o ambiente digital como principal canal de vendas e 91,18% atendem diretamente o consumidor final (B2C). Os Estados Unidos figuram como principal país de origem das empresas consultadas.
O que o viajante busca
Ao focar especificamente o turismo LGBTQIA+, o levantamento mostra disposição para ampliar a presença brasileira nos portfólios: 72,73% das empresas participantes declararam intenção de apresentar o Brasil como destino para esse público.
Na avaliação de Clovis Casemiro, Gerente de Membros da IGLTA para América do Sul e Portugal, o estudo comprova o imenso potencial do Brasil no turismo LGBTQIA+. “Com mais de 72% das empresas do setor planejando incluir o Brasil em seus portfólios, a parceria entre Embratur e IGLTA é decisiva para estruturar e qualificar a promoção dos nossos eventos, superando o desconhecimento do mercado e convertendo esse grande interesse internacional em vendas e viagens concretas”, destaca.
O levantamento ajuda a identificar quais produtos despertam maior interesse. Entre as experiências vistas como atrativas, o Carnaval LGBTQIA+ aparece com 78,26%, seguido por bares, festas e vida noturna (65,22%) e praias e destinos de descanso (60,87%).
Os resultados revelam que as oportunidades de negócios vão além dos segmentos tradicionalmente ligados ao público LGBTQIA+. Quando perguntados sobre quais experiências os levariam a incluir o Brasil em seus portfólios, 81,82% apontaram roteiros histórico-culturais. Roteiros de luxo surgem com 63,64%, enquanto ecoturismo e aventura e experiências gastronômicas chegam a 54,55% cada.
A percepção acerca do acolhimento também foi avaliada. Entre os participantes, 44,12% consideram o Brasil um destino acolhedor para viajantes LGBTQIA+, e 20,59% o classificam como muito acolhedor.
Do interesse à venda
A sondagem auxilia a identificar o que ainda separa esse interesse da venda efetiva dos destinos. O pouco conhecimento sobre os destinos brasileiros foi citado por 50% dos participantes como um dos desafios para a comercialização, seguido por questões políticas ou sociais (41,18%).
Os próprios entrevistados indicaram quais medidas podem ajudar a aproximar o produto brasileiro desse mercado. Famtours e press trips foram apontados por 76,47%, seguidos pelo mapeamento de serviços especializados no atendimento ao público LGBTQIA+ (55,88%) e pela ampliação da oferta de informações sobre os destinos (52,94%).
Os resultados vão embasar as ações da Embratur direcionadas ao segmento, orientando iniciativas de promoção, capacitação e relacionamento com o mercado internacional. A proposta é que esta primeira edição sirva como ponto de partida para tornar o levantamento uma ação permanente no âmbito da parceria entre Embratur e IGLTA, permitindo acompanhar as transformações do setor e identificar novas oportunidades para ampliar a presença das experiências brasileiras no turismo LGBTQIA+ internacional.







