Como melhorar a redação do Enem: 5 estratégias

Na reta final para o Enem, a preparação para a redação deve valorizar a qualidade e a análise crítica, em vez do excesso de produção. Especialistas orientam escrever um texto por semana cronometrado, aprender com as correções para eliminar falhas recorrentes e aplicar repertórios socioculturais já dominados em temas variados. Destacam-se ainda a atenção aos cinco elementos obrigatórios da proposta de intervenção, a leitura de artigos de opinião e a preservação do equilíbrio emocional para a prova.

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Faltando pouco menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os estudantes chegam à reta final de preparação para uma das fases mais decisivas do processo seletivo. Nesse período, mais do que ampliar a carga horária de estudo, é essencial concentrar os esforços nos principais pontos de dificuldade e aperfeiçoar as estratégias que serão aplicadas no dia do exame.

Entre os principais desafios está a redação, que exige do candidato domínio da norma-padrão, capacidade de compreender a proposta, organização das ideias, construção de argumentos e mobilização de repertório sociocultural. Por isso, nas últimas semanas antes do exame, a prática deve ir além da produção textual, acompanhada de análise e correção dos textos produzidos.

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Como integrar conhecimentos e aprender com os próprios erros?

Para Daniela Toffoli, professora de Redação do Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School e do Colégio Anglo São Paulo, a preparação para a redação não pode ser conduzida de forma isolada. Os conhecimentos adquiridos em outras disciplinas podem contribuir diretamente para a construção de argumentos, desde que o estudante saiba relacioná-los ao tema proposto.

“Na reta final, o aluno não precisa necessariamente acumular cada vez mais repertórios. O mais importante é saber mobilizar aqueles que já domina, compreender como eles podem ser relacionados a diferentes temas e, principalmente, transformar conhecimento em argumento”, explica Daniela Toffoli.

Segundo a professora, outro ponto essencial é estabelecer uma rotina que permita escrever, receber a correção e retornar aos próprios erros. A partir dessa dinâmica, o estudante consegue identificar padrões de dificuldade e direcionar os estudos para as competências em que apresenta maior defasagem.

Orientações para pontuar na prova

Para um estudo direcionado nas próximas semanas, Daniela Toffoli indica cinco estratégias para garantir a excelência na redação. Confira:

1. Escreva uma redação completa por semana

Para a especialista, escrever somente uma redação por semana, controlando o tempo, pode ser uma ação eficaz. Daniela Toffoli explica que dedicar tempo a apenas uma redação permite que o estudante se concentre nas demais dificuldades sem perder o ritmo de escrita adquirido ao longo do ano, além de evitar a exaustão.

Também é fundamental cronometrar o tempo de escrita, pois no dia da prova as horas deverão ser divididas entre a redação, a resolução das questões de Linguagens e Ciências Humanas e o tempo de revisão e preenchimento do gabarito. Por isso, ter esse controle ajuda a manter a calma durante o exame.

2. Mantenha a correção em dia

Além do tempo para escrita, o vestibulando também deve reservar um momento para revisão e correção. Para Daniela Toffoli, estudar a partir dos próprios erros e acertos é o caminho mais eficaz para a melhoria contínua e progressiva.

“O que faz diferença não é a quantidade de textos, mas sim o que o aluno faz com a correção. Recomendo que ele leia o comentário do corretor em cada competência e levante três questões: qual foi o erro, porque ele aconteceu e como evitá-lo no próximo texto”, indica.

Outro fator que pode ajudar a identificar erros recorrentes é anotar o que foi apontado como ponto fraco desde a primeira redação escrita. Segundo a professora, essa estratégia ajuda a identificar se foram apenas deslizes eventuais ou se são recorrentes, permitindo que o jovem concentre os estudos de maneira direcionada.

3. Trabalhe o repertório em contextos diferentes

Para Daniela Toffoli, a busca de repertório, nesse período do ano, deve estar voltada para temas que passaram pelo debate público recentemente, além de questões sociais vigentes, que podem ajudar na construção de uma base argumentativa sólida. Entretanto, o Enem não costuma trazer assuntos polêmicos que estejam no foco da mídia. Também é válido aprofundar-se em Filosofia e Sociologia, por serem disciplinas que analisam e compreendem questões sociais e da natureza humana.

Autores como Zygmunt Bauman, Hannah Arendt, Byung-Chul Han e Djamila Ribeiro podem ser estratégicos. Além disso, a orientação é que o aluno teste os repertórios mais sólidos — aqueles que domina melhor — em diferentes propostas de redação. Isso favorece profundidade na base argumentativa, em vez de acumular referências variadas sem saber como usá-las.

4. Dedique atenção especial à proposta de intervenção

Um ponto frequentemente esquecido por muitos vestibulandos é a proposta de intervenção. Por se localizar na conclusão, o Enem espera que o aluno apresente uma forma de solucionar o problema apresentado, que vai além do repertório e do argumento. Daniela Toffoli reforça a importância de se atentar aos pontos essenciais no último parágrafo da redação.

“Ela precisa ter agente, que é quem resolve o problema, a ação, que se refere ao que será feito, além do meio, que é por onde será resolvido, assim como também a finalidade e detalhamento da proposta. É aqui onde muitos alunos perdem pontos por descuido, não por falta de capacidade”, indica.

5. Leia textos de opinião

Para a especialista, essa estratégia ajuda o aluno a identificar, de maneira crítica, diferentes formas de argumentar com clareza, além de reunir boas referências. Vale ressaltar que a leitura deve ser feita em artigos de bons jornais, sendo uma experiência de analisar o texto com olhar de escritor.

Por fim, Daniela Toffoli reforça a importância de respeitar os limites psicológicos nessa reta final de estudos. “Chegar ao Enem descansado e com a cabeça tranquila vale tanto quanto qualquer técnica. Redação é também controle emocional”, conclui.

Por Laura Ragazzi

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