Dar banho no cachorro faz parte dos cuidados de higiene, mas, ao contrário do que muita gente pensa, a frequência não é igual para todos os animais. Raça, tipo e comprimento do pelo, rotina, ambiente em que o animal vive e condições de saúde são alguns dos fatores que devem ser levados em consideração para definir de quanto em quanto tempo o pet precisa ser higienizado.
Mas não é só isso! O excesso de banhos ou a falta deles pode prejudicar os cachorros. Isso porque a pele dos cães possui uma barreira natural que ajuda a protegê-la, e lavagens muito frequentes ou o uso de produtos inadequados podem retirar parte dessa proteção, podendo causar ressecamento, irritações e outros problemas de pele no animal.
Por outro lado, intervalos muito longos podem contribuir para o acúmulo de sujeira e oleosidade, principalmente em animais com determinadas características de pelagem ou que passam muito tempo em ambientes externos.
Cães de pelo longo, por exemplo, podem exigir uma rotina de higiene diferente daqueles de pelo curto. O mesmo vale para animais que vivem em casas com acesso frequente a áreas externas, têm contato com terra e outros ambientes que aumentam o contato com a sujeira ou possuem algum problema de pele.
“Cães de pelo longo, por exemplo, costumam precisar de banhos quinzenais, enquanto os de pelo curto podem tomar banho mensalmente”, explica Aline Zoppa, professora de medicina veterinária e coordenadora das Clínicas Veterinárias da Universidade Anhembi Morumbi.
“Já os filhotes, o ideal é que tomem banho apenas depois da segunda dose da vacina, o que geralmente ocorre entre os dois e três meses de idade”, acrescenta Zoppa.
Quais cuidados são necessários durante o banho?
Mais importante do que estabelecer uma frequência fixa é garantir que o banho seja feito de maneira correta. Produtos destinados a seres humanos não devem ser usados nos cães, já que a pele dos animais tem características diferentes. O ideal é usar produtos formulados especificamente para a espécie e, quando houver alguma alteração dermatológica, seguir a orientação do veterinário.
A temperatura da água também merece atenção. Ela deve ser confortável para o animal, evitando extremos, seja muito fria ou muito quente, que possam causar desconforto.
Durante o banho, também é importante impedir que água e produtos entrem em contato com os olhos e ouvidos do animalzinho, e o enxágue precisa ser cuidadoso para remover completamente os resíduos de xampu e outros produtos.
A secagem também faz parte do processo. Manter a pelagem úmida por muito tempo pode causar problemas de pele, principalmente em cães com pelos mais densos e longos. O animal deve ser seco, respeitando sua tolerância ao secador e evitando temperaturas muito altas.
“[Com] os animais mais velhos, é preciso ter mais cuidado, principalmente por causa da friagem. A pelagem protege a pele e pode levar bastante tempo para secar completamente, chegando, em alguns casos, a até 48 horas. Por isso, a secagem merece uma atenção ainda maior nesses animais”, acrescenta a veterinária.
Banho em casa pode ser um problema?
O banho em casa não é necessariamente proibido, mas pode trazer riscos quando é realizado sem os cuidados necessários. Um dos principais problemas é o uso de produtos inadequados. Xampus, sabonetes e outros produtos formulados para seres humanos podem irritar a pele do animal e alterar sua proteção natural. Até mesmo produtos destinados a cães devem ser escolhidos de acordo com as características do animal.
A temperatura da água também merece atenção. Água muito quente pode causar queimaduras e irritações. O animal também pode ficar agitado durante o banho e tentar escapar, aumentando o risco de quedas e acidentes, principalmente quando é colocado em superfícies escorregadias e altas.
Além disso, em cães com pelo longo, denso ou que exige técnicas específicas de escovação e secagem, o risco de formação de nós e de problemas na pele pode ser maior quando o procedimento é feito em casa. Por isso, nesses casos, o cuidado profissional pode ser ainda mais importante.
“O tutor pode dar banho em casa, desde que consiga tomar todos esses cuidados: proteger as orelhas, enxaguar bem, retirar os resíduos dos produtos e secar completamente o animal. Se ele não tiver condições de fazer isso com segurança, o melhor é procurar um local especializado. Também é importante conhecer o estabelecimento e, se possível, a pessoa que vai dar o banho. O cão precisa se sentir seguro durante o procedimento. O ideal é que o banho seja um momento tranquilo e prazeroso, e não uma situação de estresse”, detalha Zoppa.
Vale lembrar que o banho é apenas uma parte dos cuidados de higiene do cachorro. Escovação regular, limpeza adequada das áreas que acumulam sujeira e acompanhamento das condições da pele e da pelagem também ajudam a manter o animal saudável.







