A startup chinesa DeepSeek recebeu convite para integrar, nesta semana, uma reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada aos riscos da inteligência artificial. O encontro está agendado para quarta-feira (23), em Nova York, durante a Assembleia Geral anual da organização.
A discussão abordará os impactos da IA na segurança internacional. Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, deverá comparecer, juntamente com representantes da Anthropic. A empresa chinesa Moonshot também foi chamada.
DeepSeek vai falar na ONU
De acordo com duas fontes consultadas pela Reuters, a DeepSeek e outras companhias chinesas foram convidadas a fazer declarações durante a reunião. Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek, não pretende comparecer, conforme uma das fontes. A programação, contudo, ainda pode sofrer alterações.
O Conselho de Segurança, composto por 15 países, já havia debatido os riscos da inteligência artificial em 2023. Aquela foi a primeira sessão do órgão dedicada ao assunto.
Naquela oportunidade, a China declarou que a tecnologia não deveria se tornar um “cavalo desembestado”. Os Estados Unidos advertiram sobre o uso da IA na censura e na repressão de indivíduos.
O novo encontro ocorre em um momento de crescente preocupação com sistemas capazes de executar tarefas cada vez mais complexas. Entre os pontos que farão parte da discussão estão:
- Riscos associados a sistemas de IA mais poderosos;
- Possibilidade de perda de controle humano;
- Impactos da tecnologia sobre a segurança internacional;
- Diferenças entre Estados Unidos e China na abordagem do desenvolvimento da IA.
Pressão por desaceleração
O encontro acontece poucas semanas após líderes do setor de IA defenderem uma desaceleração coordenada no desenvolvimento de sistemas mais avançados. Eles alertaram que essas tecnologias poderiam aprimorar suas próprias capacidades e fugir do controle humano.
Na semana anterior, o secretário-geral da ONU, António Guterres, também alertou que os riscos decorrentes do rápido avanço da inteligência artificial não podem ser ignorados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota posição distinta. Ele considera adequadas as salvaguardas atuais e declarou que a China deveria receber o benefício da dúvida quanto ao desenvolvimento da IA.
A imprensa estatal chinesa, por sua vez, qualificou os pedidos de desaceleração como parte de um “manual da Guerra Fria”, de acordo com a Reuters. A avaliação apresentada é de que essas iniciativas buscam preservar a liderança de Washington em tecnologias avançadas e excluir Pequim da governança global da IA.
Segurança entra nas negociações
Estados Unidos e China também retomaram conversas sobre a segurança da inteligência artificial. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou na segunda-feira que os dois países concordaram em realizar novas discussões sobre o tema.
As negociações acontecem antes do encontro previsto entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping em Washington ainda nesta semana. A reunião do Conselho de Segurança ocorre, portanto, em um contexto no qual Estados Unidos e China também tratam diretamente de questões ligadas à segurança da inteligência artificial.







