Você já reparou que o desenvolvimento da Grande Vitória não acontece de maneira uniforme. Basta atravessar seus municípios para perceber que cada cidade vive um momento diferente de expansão, verticalização e transformação urbana.
Os números previstos para 2026 ajudam a visualizar esse movimento.
Das aproximadamente 6,66 mil unidades residenciais previstas para lançamento na Grande Vitória, 2.540 estavam projetadas para Vila Velha, 2.310 para a Serra e 1.146 para Vitória.
Não se trata apenas de descobrir qual município constrói mais. A questão mais interessante é entender por que o capital imobiliário escolhe determinado lugar para investir.
A resposta passa por uma combinação de fatores.
Disponibilidade e preço dos terrenos, infraestrutura existente, mobilidade urbana, legislação municipal, potencial construtivo, tempo de aprovação dos projetos e perfil de renda dos compradores podem tornar uma mesma operação extremamente interessante em uma cidade e pouco atrativa em outra.
Vila Velha possui historicamente forte presença do mercado imobiliário e continua concentrando grande quantidade de empreendimentos. A Serra, por sua dimensão territorial e diversidade de regiões em expansão, vem ocupando espaço relevante nos novos lançamentos. Vitória, por sua vez, possui território mais limitado e consolidado, fazendo com que parte importante de sua transformação futura dependa não apenas de novos terrenos, mas também da substituição, requalificação e melhor aproveitamento das áreas já urbanizadas.
Isso nos leva a uma questão que frequentemente passa despercebida: o Plano Diretor de uma cidade também é uma política econômica.
Quando um município define altura das edificações, coeficiente de aproveitamento, afastamentos, usos permitidos, exigências de vagas e parâmetros de ocupação, ele não está apenas desenhando regras técnicas. Está interferindo diretamente sobre a viabilidade dos investimentos que poderão ocorrer naquele território.
Por isso, a disputa entre municípios por novos investimentos não deveria ser entendida simplesmente como uma corrida para construir mais.
Uma cidade pode receber milhares de novas unidades e, ainda assim, crescer de maneira pouco eficiente caso esse desenvolvimento não seja acompanhado por mobilidade, saneamento, equipamentos públicos, comércio, emprego e espaços urbanos adequados.
O desafio da Grande Vitória é ainda maior porque nossas divisas administrativas não correspondem à maneira como utilizamos a metrópole.
É comum morar na Serra, trabalhar em Vitória, consumir em Vila Velha e atravessar Cariacica no mesmo dia.
O investimento imobiliário pode escolher um município. A vida urbana, porém, acontece em escala metropolitana.
Talvez seja justamente por isso que a pergunta sobre onde está indo o dinheiro da construção precise ser acompanhada de uma segunda:
que cidade estamos construindo com ele?






