Uma pedagoga explica de que maneira organização, planejamento e autonomia podem auxiliar crianças e adolescentes a aproveitarem melhor o tempo dedicado aos estudos.
Passar horas diante de livros, cadernos e apostilas nem sempre indica que a criança ou o adolescente está de fato aprendendo. Conforme os alunos avançam no Ensino Fundamental, uma competência torna-se cada vez mais relevante: a de saber como estudar.
Mais do que simplesmente ampliar o tempo dedicado aos estudos, construir uma rotina organizada auxilia o estudante a entender o que precisa ser feito, definir prioridades, reconhecer dificuldades e assumir aos poucos a responsabilidade pelo próprio aprendizado.
Na avaliação de Carolina Paschoal, pedagoga e diretora da Escola Pedro Apóstolo, a autonomia deve ser desenvolvida conforme a idade e o progresso de cada estudante. O papel do adulto é orientar e acompanhar, mas também permitir que a criança assuma responsabilidades que já consegue realizar sozinha.
Quando os alunos entram nos Anos Finais do Ensino Fundamental, é comum que algumas famílias diminuam o acompanhamento escolar por acreditarem que, nessa etapa, os estudantes já deveriam ser mais independentes. Contudo, é exatamente nesse período que os conteúdos ficam mais desafiadores, cresce o número de disciplinas e docentes, e a rotina de estudos passa a exigir maior capacidade de organização, planejamento e responsabilidade.
“Seja aos 5, 6, 12 ou 13 anos, crianças e adolescentes ainda necessitam de orientação, acompanhamento e referências. A autonomia é uma construção e não surge simplesmente porque a criança cresceu. Antes de cobrar autonomia, é preciso ensinar a construí-la”, explica Carolina.
Segundo a especialista, a construção desse método deve acompanhar a idade da criança. As crianças menores necessitam de maior orientação dos pais para criar hábitos e organizar as tarefas. À medida que crescem, podem assumir gradualmente mais responsabilidades. Nesse cenário, o papel da família é justamente realizar essa transição: primeiro acompanhar de perto, depois orientar e, conforme o estudante ganha segurança, permitir que ele conduza a própria rotina.
Nesse processo, algumas responsabilidades podem ser transferidas aos poucos para o estudante, como organizar os próprios materiais, acompanhar prazos, estabelecer uma rotina de estudos e aprender a gerenciar as próprias responsabilidades.
Como construir um método de estudos
Mais do que apenas reservar algumas horas do dia para estudar, o estudante precisa aprender a organizar esse momento conforme suas necessidades. Construir um método envolve entender o que precisa ser feito, definir prioridades, encontrar um ambiente adequado, administrar distrações e identificar quais estratégias facilitam a compreensão dos conteúdos. A partir dessa organização, alguns hábitos podem fazer diferença na rotina, como distribuir as tarefas ao longo da semana, revisar conteúdos, estabelecer pausas e evitar deixar trabalhos e estudos para a véspera das avaliações.
Outro ponto que merece atenção são as distrações, sobretudo o celular. Notificações e mensagens podem interromper a concentração e prejudicar a continuidade do raciocínio. Por isso, estabelecer combinados sobre o uso do aparelho durante os estudos e organizar um ambiente com poucas interrupções pode ajudar. A tecnologia, no entanto, não precisa ser excluída: também pode ser usada como ferramenta de pesquisa e aprendizado.
Carolina também destaca a diferença entre estudar e simplesmente permanecer diante do material escolar. Reler várias vezes um conteúdo não significa necessariamente que ele foi compreendido. Explicar o assunto com as próprias palavras, resolver exercícios, fazer perguntas e identificar dúvidas são estratégias que ajudam o aluno a perceber o que realmente aprendeu.
A realização diária das tarefas de casa também se configura como um importante instrumento de estudo e aprendizagem. Quando o professor apresenta um conteúdo em sala e propõe exercícios para serem realizados de forma mais autônoma em casa, o estudante tem a oportunidade de perceber o que já compreendeu e identificar aquilo que ainda lhe causa dúvidas.
Essas dificuldades, quando retornam à escola, tornam-se indicadores importantes para o professor, que pode retomar conceitos, esclarecer dúvidas e identificar quais conteúdos ainda precisam ser trabalhados ou aprofundados.
“A tarefa de casa não deve ser vista apenas como uma atividade a ser cumprida. Ela faz parte do processo de aprendizagem e cria uma ponte entre o que foi ensinado, o que o estudante conseguiu realizar sozinho e aquilo que ainda precisa aprender”, afirma Carolina.
Para auxiliar as famílias nesse processo, Carolina sugere cinco perguntas que podem fazer parte da rotina de estudos:
Cinco perguntas para ajudar a criança a criar seu próprio método
- O que eu preciso fazer hoje? Ajuda a estabelecer prioridades.
- O que é mais difícil para mim? Permite identificar quais conteúdos precisam de mais atenção.
- Quando será minha prova ou entrega? Ajuda a compreender a importância do planejamento.
- Eu realmente entendi esse conteúdo? Estimula o estudante a perceber se apenas leu ou se conseguiu compreender.
- O que ainda preciso perguntar ou revisar? Ensina a reconhecer dificuldades e buscar ajuda.
“Mais do que formar estudantes capazes de obter boas notas, o desenvolvimento de um método de estudos contribui para que crianças e adolescentes aprendam a organizar o próprio tempo, lidar com responsabilidades e reconhecer a melhor maneira de aprender”, conclui a pedagoga.







