Redes de TV dos EUA suspendem cobertura de atos da Casa Branca

As redes de televisão norte-americanas CBS, NBC, ABC e Fox News anunciaram que deixarão de cobrir as atividades do presidente Donald Trump. A decisão é um gesto de apoio à CNN, vetada na sexta-feira (19) pelo governo para a cobertura dos assuntos da Casa Branca.

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“A partir de hoje, o pool televisivo [consórcio entre emissoras] não fará a cobertura dos eventos com a participação do presidente que estejam sob responsabilidade do pool”, declarou Bryan Boughton, representante da Fox e organizador desse grupo de canais, encarregado de filmar o líder norte-americano ao longo do dia e distribuir as imagens produzidas.

Essa é uma iniciativa inédita desde o retorno do dirigente republicano ao poder, e ocorre após sua decisão de bloquear o acesso de jornalistas da CNN, do canal MS NOW e do site Politico.

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“É essencial que o grande público receba informações corretas e independentes sobre o governo. Nenhuma administração deveria restringir o acesso de um veículo de comunicação porque discorda de sua cobertura”, afirmaram os cinco canais em nota conjunta.

O objetivo do pool da Casa Branca é registrar o presidente norte-americano durante todo o dia e distribuir as imagens geradas, seguindo um princípio de rodízio entre os cinco canais, que também são concorrentes entre si.

Existe um sistema semelhante para jornalistas de imprensa escrita, agências e fotógrafos. Participar do pool assegura acesso privilegiado ao chefe de Estado, e os meios integrantes se comprometem, em troca, a compartilhar as imagens, declarações e observações coletadas.

Trump acusou hoje parte da imprensa de representar “uma ameaça à segurança nacional”, três dias depois de ter excluído da Casa Branca a CNN, o MS NOW e o Politico, que ingressaram com ações judiciais pela manhã.

Em publicação na rede Truth Social, da qual é proprietário, Trump afirmou que conduz uma ofensiva contra as “notícias falsas” ao vetar a entrada de jornalistas dos três veículos na Casa Branca.

“A Casa Branca não está atacando a liberdade de imprensa, algo que valorizo muito. Está atacando um problema que se espalhou como um câncer nos nossos queridos Estados Unidos da América”, declarou Trump.

Trump disse que o fenômeno “é algo corrupto, deliberado, generalizado, totalmente coordenado e que está fora de controle”.

A CNN, o MS NOW e o Politico anunciaram nesta segunda-feira (21) uma ação judicial contra o governo Trump por considerarem que a medida “ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente, livre de interferências governamentais”.

“Pela manhã, notificamos o governo de que apresentaremos hoje uma ação judicial para proteger nossos direitos garantidos pela Primeira Emenda e defender o princípio de que o governo não determina o que a imprensa noticia ou publica”, afirmaram os três veículos de comunicação em declaração conjunta.

“Sem aviso ou processo, a Casa Branca revogou as credenciais de nossos jornalistas porque se opôs à nossa cobertura”, disseram os órgãos de imprensa. “Se não for contestada, essa atitude ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente e livre de interferência governamental”, acrescentaram.

O anúncio representou uma nova escalada na ofensiva do chefe de Estado contra a imprensa, depois de, no início do mandato, ter restringido o acesso da agência Associated Press (AP) a alguns eventos na Casa Branca por se recusar a usar o nome “golfo da América”, empregado por Trump para se referir ao golfo do México.

O embate é um dos ataques mais visíveis da administração à imprensa até o momento, com implicações que vão muito além dos três veículos proibidos. Na sexta-feira passada, ao anunciar a proibição, Trump disse que poderia incluir outros na lista.

Vários especialistas na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade fundamental de imprensa, entre outras, já classificaram amplamente a proibição como inconstitucional e a condenaram por ser “abrupta, discriminatória e prejudicial” à capacidade dos meios de comunicação de cobrir questões nacionais.

Espera-se que a ação judicial dos órgãos de imprensa se baseie na justificativa vaga apresentada por Trump na sexta-feira para revogar o acesso, quando disse que não gostava de “notícias negativas”.

Por Agência Brasil

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