Em Vitória (ES), o avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho deve ocorrer com transparência, responsabilidade e supervisão humana, sem comprometer a saúde e os direitos dos trabalhadores. Essa posição faz parte da Carta de Vitória, documento que encerrou o 42º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Enafit), realizado entre 13 e 18 de setembro na capital capixaba.
Organizado pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), o evento reuniu profissionais de diversas regiões do Brasil para debater transformações nas relações de trabalho e os desafios da fiscalização frente a novas modalidades de contratação, organização das jornadas e utilização de tecnologias.
Além da inteligência artificial, também foram discutidos nesta edição temas como a escala 6×1, o trabalho por aplicativos, a saúde mental no ambiente de trabalho e o enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo.
O documento final defende que inovações tecnológicas e novas formas de organização do trabalho não podem acarretar redução de direitos, transferência de riscos aos trabalhadores ou precarização das relações de trabalho.
Automação e redução de postos de trabalho entram no debate
O impacto da inteligência artificial não foi analisado somente pela ótica do uso de ferramentas tecnológicas. Os possíveis efeitos da automação sobre os postos de trabalho também fizeram parte da pauta.
Roberto Leão, auditor fiscal do Trabalho e presidente do 42º Enafit, declarou que o debate abrange tanto a saúde dos trabalhadores quanto alterações na estrutura do emprego.
“Quando se trata, por exemplo, da inteligência artificial, além de tratarmos da integridade ou da saúde do trabalhador, também discutimos os riscos provenientes da automação e da redução de cargos”, afirmou.
A Carta de Vitória estabelece três compromissos centrais assumidos pelos participantes: defesa da dignidade e dos direitos fundamentais no trabalho; atuação para que a inteligência artificial e as novas tecnologias tenham transparência, responsabilidade e supervisão humana; e cuidado com as condições de saúde e segurança, incluindo riscos psicossociais, assédio, discriminação e violência contra mulheres.
Saúde mental e novas relações de trabalho
As transformações tecnológicas foram abordadas em conjunto com mudanças mais amplas no mercado de trabalho.
De acordo com Bob Machado, presidente do Sinait, o encontro buscou debater questões que podem impactar direitos e condições de saúde dos trabalhadores.
“Na Carta de Vitória, sinalizamos à sociedade a posição da Inspeção do Trabalho no Brasil, deixando claro que lutamos para que alterações tecnológicas, políticas, econômicas e jurídicas não sejam utilizadas como justificativa para precarizar direitos dos trabalhadores”, declarou.
O documento igualmente defende uma fiscalização trabalhista estruturada e com independência para o exercício de suas funções.
Encontro reuniu auditores de todo o país
O 42º Enafit teve como tema “Auditoria Fiscal do Trabalho: protagonista na proteção do trabalho humano”. Esta foi a terceira ocasião em que o Espírito Santo sediou o encontro nacional da categoria.
A programação contou com palestras, painéis e mesas de debate, além da 16ª Jornada Iberoamericana da Inspeção do Trabalho.
A Carta de Vitória foi datada de 18 de setembro de 2026 e resume as posições aprovadas pelos participantes ao final do encontro.
O que você precisa saber
- Documento: Carta de Vitória
- Evento: 42º Encontro Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Enafit)
- Quando ocorreu: 13 a 18 de setembro de 2026
- Onde: Vitória (ES)
- Tema central: proteção do trabalho diante das transformações econômicas, jurídicas e tecnológicas
- Inteligência artificial: documento defende transparência, responsabilidade e supervisão humana
- Outros debates: escala 6×1, trabalho por aplicativos, saúde mental e trabalho escravo contemporâneo
- Realização: Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait)







