ONU e Cruz Vermelha exigem urgência na adoção de normas sobre armas autônomas

Diante de relatos de que drones totalmente autônomos, guiados por inteligência artificial (IA), estariam sendo utilizados em zonas de combate, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, reiteraram, nesta terça-feira (25/08), um pedido urgente por regulamentações mais rígidas, antes que seja tarde demais.

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O momento em que o apelo foi divulgado evidencia a preocupação crescente de que armamentos cada vez mais sofisticados vêm sendo produzidos e empregados com rapidez e magnitude cada vez maiores, impulsionados por tecnologias de IA progressivamente mais potentes.

“Estamos perigosamente próximos de ultrapassar um limite moral: o ataque autônomo a seres humanos por máquinas”, declarou o secretário-geral António Guterres, em um apelo conjunto com a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric Egger.

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Atacar civis e infraestruturas civis durante conflitos já é expressamente proibido pelo direito internacional humanitário. A apreensão adicional reside no fato de que decisões de vida ou morte possam ser delegadas a máquinas sem capacidade de diferenciar combatentes de não combatentes.

Reforçando tais preocupações em Genebra, a chefe de assuntos de desarmamento da ONU na cidade suíça, Mélanie Régimbal, salientou a posição histórica do líder das Nações Unidas de que sistemas que selecionam ou atacam alvos e ceifam vidas humanas sem controle e julgamento humanos “são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser proibidos pelo direito internacional”.

No apelo, Guterres e Egger ressaltaram que as armas autônomas “não fazem parte de um futuro distante”, já que a corrida por maior autonomia está em pleno curso. Cientistas e engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento desses sistemas também externaram preocupações quanto aos riscos envolvidos, destacaram.

A ONU e a Cruz Vermelha conclamam os governos a dar início a negociações sobre um instrumento juridicamente vinculante que defina proibições e restrições claras.

O apelo ocorre às vésperas da Sétima Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCW), marcada para novembro, em Genebra. Os dirigentes da ONU e da Cruz Vermelha qualificaram o encontro como o “caminho mais claro disponível” para que os Estados cheguem a um consenso e avancem nas negociações sobre um instrumento juridicamente vinculante.

Bases importantes para um acordo já foram consolidadas por meio de debates na Assembleia Geral da ONU e no Grupo de Peritos Governamentais da CCW, afirmaram, com progressos na delimitação do julgamento e do controle humanos necessários para assegurar o cumprimento do Direito Internacional Humanitário.

A ONU e o CICV haviam lançado seu apelo conjunto pela primeira vez em 2023, instando os Estados a negociarem um instrumento juridicamente vinculante até 2026. Aquele primeiro chamado destacou que o controle humano precisa ser preservado nas decisões de vida ou morte e que máquinas capazes de tirar vidas sem participação humana devem ser proibidas pelo direito internacional.

O chamado desta terça-feira (25) renova esse esforço com prazo determinado, sublinhando que o trabalho minucioso dos últimos anos precisa agora converter-se em ação.

“Conclamamos os Estados a aproveitarem este momento”, afirmaram os dirigentes.

“A inovação deve estar a serviço da humanidade – e não colocá-la em perigo.”

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