O Brasil no prato

Existem viagens que se iniciam com a compra de uma passagem. Outras têm início em uma garfada. E, quando se trata do Brasil, essa talvez seja uma das formas mais saborosas de pegar a estrada. Foi justamente por isso que o lançamento da segunda edição do Guia da Boa Lembrança despertou atenção.

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Imagine conhecer um destino pelo sabor de seu ingrediente mais marcante, explorar uma cidade pela cozinha de um chef ou chegar a um restaurante sem saber exatamente o que esperar.

Pense agora com mais atenção: e se você sair de lá com uma nova história para contar e, talvez, com vontade de descobrir a origem daquele sabor? Sem mencionar a louça pintada à mão que o cliente pode levar para casa.

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Esse é o tipo de viagem que se torna cada vez mais interessante: aquela em que gastronomia e território se encontram.

A publicação reúne 98 restaurantes associados em diversas regiões do Brasil, com receitas exclusivas para 2026. Mais do que uma simples lista de endereços, o guia funciona como uma bússola para explorar o país por meio da mesa.

E é possível viajar sem sair de São Paulo, por exemplo.

Basta observar o próprio estado com olhar de viajante e permitir que a gastronomia guie a descoberta.

Em São Paulo, três estabelecimentos podem marcar o início desse roteiro. O Esch Café São Paulo traz o Salmão Oscar, acompanhado de arroz cremoso de parmesão e espinafre; o Jacarandá oferece o Ravioli de Zucca, massa recheada com creme de abóbora cabotiá e ingredientes italianos; e, em São Roque, a Cantina Piovanelli apresenta o Tortellone de Bacalhau com Alcachofra.

Outra ideia interessante nas viagens gastronômicas é escolher uma hospedagem que também funcione como ponto estratégico para o roteiro.

Onde ficar

Na capital paulista, o Radisson Pinheiros surge como uma opção interessante para esse tipo de experiência. Situado em Pinheiros, na Rua Cristiano Viana, o hotel está em uma área repleta de restaurantes, cafés e alternativas de lazer, além de oferecer fácil acesso a importantes vias da cidade.

A região ainda conta com estações de metrô próximas, como Oscar Freire e Clínicas.

A localização possibilita criar uma espécie de base gastronômica: explorar os restaurantes da capital durante a hospedagem e reservar um dia para estender o roteiro até São Roque.

O café da manhã, incluído na diária, é variado e abundante. O edifício também dispõe de academia, bar, restaurante e serviço de quarto 24 horas.

A diária para casal é garantia de satisfação e pode ser encontrada a partir de R$ 571, mas vale verificar a disponibilidade com antecedência. São diversas opções de suítes, todas com comodidade e atendimento excelentes para a finalidade turística.

Um país que cabe no prato

Uma das formas mais interessantes de utilizar um guia gastronômico durante uma viagem é inverter a lógica convencional do roteiro.

Em vez de apenas questionar “o que há para conhecer nesta cidade?”, pode-se perguntar: “o que existe aqui que ainda não experimentei?”

A partir desse ponto, o restaurante deixa de ser somente uma parada para a refeição e passa a fazer parte da experiência do destino.

O próprio Guia da Boa Lembrança demonstra como isso funciona.

Em São Paulo, por exemplo, o Esch Café São Paulo serve o Salmão Oscar, acompanhado de arroz cremoso com queijo parmesão e espinafre. Já o Jacarandá, também na capital, investe no Ravioli de Zucca, massa recheada com creme de abóbora cabotiá e ingredientes italianos, com destaque para a mostarda de Cremona. Em São Roque, a Cantina Piovanelli apresenta o Tortellone de Bacalhau com Alcachofra.

São três restaurantes, três pratos e três possibilidades de iniciar uma pequena jornada gastronômica.

E o mais interessante é que esse exercício pode ser repetido por todo o Brasil.

Um Brasil para ser descoberto de garfo e faca

Uma viagem dessas poderia começar pelo Norte.

Em Santarém, no Pará, o pirarucu é apresentado com legumes salteados e molho teriyaki de cupuaçu. Em Palmas, no Tocantins, o peixe recebe outra interpretação, servido com purê de mandioquinha, farofa de banana e molho de cerveja com sabor de cajá.

Duas cidades, dois preparos e duas maneiras de narrar um pouco do Brasil.

É justamente aí que a gastronomia se torna uma companheira de viagem tão interessante: ela mostra que o mesmo ingrediente pode mudar de personalidade de acordo com o território.

No Nordeste, essa jornada de sabores ganha ainda mais intensidade.

Alagoas surge com camarão, vatapá, banana-da-terra, carne de sol e bode. Em Piranhas, o “Ode ao Bode” transforma a carne em uma criação contemporânea com batata-doce, queijo de cabra e azeite de cactos. No Maranhão, a tiquira — bebida ancestral maranhense — aparece em uma receita com camarões da região. De repente, o que poderia ser apenas um jantar se converte em uma saborosa aula sobre território.

Esch Café, na capital paulista, tem o Salmão Oscar, servido com arroz cremoso de parmesão e espinafre

Viajar também é experimentar o que não conhecemos

Talvez uma das melhores maneiras de viajar seja sair da zona de conforto.

Pedir aquele ingrediente nunca antes experimentado. Provar uma receita que não saberíamos reproduzir em casa. Perguntar ao garçom a origem de determinado produto. Conversar com o chef. Descobrir uma fruta, uma bebida, um queijo ou uma técnica culinária que nunca havia feito parte do repertório.

Em Pernambuco, o guia reúne experiências que percorrem ingredientes como banana-da-terra, mandioca, manga, jerimum, maxixe, castanha-de-caju e queijo coalho. Em Fernando de Noronha, os peixes da ilha ganham interpretações particulares. No Rio Grande do Norte, caju, macaxeira, camarão, rapadura e manteiga de garrafa aparecem em diferentes criações.

É quase como montar um roteiro sem sair de casa — e depois ter ótimos motivos para sair.

Do Cerrado às montanhas

No Centro-Oeste, o mapa segue se ampliando.

Em Cuiabá, o pintado surge em uma criação que combina melado de cana, gengibre e cajá-manga. Em Pirenópolis, o robalo grelhado encontra um molho romesco.

Minas Gerais, por sua vez, oferece outra paisagem gastronômica. Em Diamantina, filé-mignon, cogumelos, batata-baroa e requeijão moreno dividem espaço no prato. Em Belo Horizonte, ingredientes como mandioca, jabuticaba, PANCs, carne suína e legumes aparecem em releituras autorais.

O Brasil se revela assim: aos poucos, de região em região, ingrediente por ingrediente.

O Sul também conta suas histórias à mesa

No Paraná, a gastronomia se manifesta em criações que vão da massa artesanal ao salmão acompanhado de maracujá, gengibre, melado e temperos caiçaras. Em Santa Catarina, o pinhão e a cerveja preta figuram entre os ingredientes que ajudam a narrar histórias locais. No Rio Grande do Sul, carnes, cogumelos, galinha caipira, abóbora e produtos regionais integram receitas que mesclam tradição e criatividade.

É nesse momento que se percebe que viajar pelo Brasil também pode ser uma coleção de sabores.

O guia como bússola, não como roteiro engessado

A ideia de considerar o Guia da Boa Lembrança como uma bússola gastronômica é bastante atraente.

Não é necessário transformar a viagem em uma maratona de restaurantes. Basta escolher uma cidade, encontrar uma experiência, sentar-se à mesa e experimentar.

Depois, permita que o prato conduza o restante da viagem.

Descubra o produtor daquele ingrediente, visite um mercado, conheça uma feira, procure uma bebida regional, caminhe pelo centro histórico, converse com quem vive ali e observe a paisagem que, de alguma forma, também chegou ao prato.

A Associação da Boa Lembrança, criada em 1994, tem entre seus objetivos valorizar e difundir a gastronomia brasileira, seus ingredientes regionais e as particularidades de diferentes cozinhas. Os restaurantes associados passam por um processo de avaliação e apresentam receitas inéditas renovadas anualmente.

Isso torna o guia mais do que uma seleção de endereços: ele reúne diferentes formas de interpretar o Brasil.

O que levar na mala

Além de fome de novidade, recomenda-se levar o Samsung Galaxy S26 Ultra, que apresentou bom desempenho nas desafiadoras fotos e vídeos de comida.

Uma fotografia pode preservar uma paisagem e um vídeo pode registrar um momento, mas um sabor possui uma forma muito particular de permanecer na memória.

Talvez seja esse o motivo pelo qual a Boa Lembrança tenha optado por transformar parte dessas experiências em cerâmicas artesanais inspiradas nos pratos de cada restaurante. São objetos que levam para casa um pouco da história vivida à mesa — e a associação informa que mais de 2 milhões de exemplares já foram produzidos e entregues a clientes e colecionadores.

No fim das contas, é disso que se trata quando falamos de viagem: lembrança.

Daquela comida provada em uma cidade distante e nunca mais esquecida. Daquela receita com um ingrediente que nem se sabia que existia. Daquela mesa em que a conversa se prolongou além do planejado. Daquele lugar que entrou no roteiro quase por acaso e acabou se tornando um dos pontos altos da viagem.

O Brasil é grande demais para ser conhecido de uma só vez, mas podemos começar por perto.

Quem sabe a próxima viagem não esteja a algumas garfadas de distância?

Abra o mapa, escolha um sabor, siga a pista e deixe o prato mostrar o caminho.

Restaurante Jacarandá - Guia da Boa Lembrança 2026

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Redação representa o esforço colaborativo de toda a equipe de jornalistas e editores dO Capixaba. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, contextualizando as informações e acompanhando as novidades do momento com agilidade e rigor.

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