Para avaliar o Neo com justiça, é preciso levar em conta o que ele pretende “superar”. O V60 clássico não é apenas um porta-filtro: trata-se de uma infraestrutura mental compartilhada por toda a comunidade global do café.
O que o V60 clássico representou para o café coado
Lançado em 2004 pelo designer Yuichiro Sugiyama para a japonesa Hario, o V60 transformou o café coado. Até então, o mercado utilizava coadores planos (como os do tipo Melitta) ou coadores com múltiplos furos, que limitavam o fluxo. O V60 apresentou uma proposta diferente:
- Formato cônico com ângulo de 60° — origem do nome “V60” — que conduz o fluxo da água para o centro
- Um único furo largo no centro que possibilita o fluxo livre, deixando o barista comandar a velocidade da extração por meio do despejo
- Nervuras em espiral que mantêm um espaço mínimo entre o filtro e o método, permitindo a circulação de ar durante a extração — o que favorece uma extração mais uniforme e evita a canalização
Controle da extração nas mãos do barista
Essas três escolhas técnicas, reunidas, deram origem a um coador que transfere o controle da extração para o barista. Em vez de o coador determinar como o café vai ficar, é você quem decide — moendo mais fino ou mais grosso, despejando rápido ou devagar, optando por padrão circular ou espiral. É por isso que o V60 se tornou referência em campeonatos mundiais como o World Brewers Cup e também o motivo pelo qual Tetsu Kasuya, campeão de 2016, desenvolveu seu icônico método 4:6 e o recente método de 10 despejos especificamente para o V60.
Um design copiado no mundo inteiro
Pouca gente sabe, mas o V60 é um dos designs de coador mais copiados do planeta. Existem versões chinesas, coreanas e americanas, todas com formato idêntico ou bastante próximo. Essa proliferação, por si só, é prova do sucesso do projeto original. Também não é coincidência que a Hario tenha conquistado o Good Design Award do Japão pelo V60 — trata-se de uma peça de design industrial reconhecida para além do universo do café.







