Durante mais de uma década, milhares de jovens quenianos atuaram nos bastidores dos trabalhos que outros jovens entregavam a milhares de quilômetros de distância. A partir de 2011, o Quênia se transformou em uma potência no mercado de redatores-fantasma para universitários ocidentais. Profissionais locais, como Teresios Bundi, deixaram suas carreiras para abrir empresas lucrativas dedicadas à redação acadêmica, cobrando até 70 dólares por texto. No auge da década de 2010, estima-se que cerca de 40 mil quenianos dependiam financeiramente dessa atividade, um modelo de negócios altamente rentável que agora enfrenta transformações drásticas com o avanço da IA.
Colar nas provas ou pedir a alguém para fazer aquele trabalho que não se conseguiu terminar é uma tentação tão antiga quanto a própria educação. Muitos estudantes cresceram com a malandragem de sites como o “El Rincón del Vago”, mas o negócio não parou por aí e, com o tempo, profissionalizou-se, com tarifas fixas e prazos de entrega. E, nesse mercado, houve um país que se tornou uma verdadeira potência: o Quênia.
Os escritores-fantasma quenianos
Uma reportagem do New York Times conta a história de Teresios Bundi. Em 2011, ele se mudou para Nairóbi para cursar a universidade e, quase por acaso, acabou se dedicando a um novo trabalho online: escrever trabalhos para universitários ocidentais, sobretudo americanos e britânicos. Ele recebeu 7 dólares (cerca de R$ 35 na cotação atual) pela sua primeira encomenda e, a partir daí, não parou mais de trabalhar.
Como ganhava dinheiro, Bundi decidiu abandonar sua carreira no setor de saúde pública para se dedicar 100% à redação de trabalhos. Com o tempo, chegou a criar uma empresa na qual empregava outros estudantes que, assim como ele, buscavam ganhar um dinheiro extra. Ele diz que chegou a redigir 2.500 trabalhos e cobrava entre 40 e 70 dólares (entre R$ 204 e R$ 358 na cotação atual) por cada um deles.
Um emprego muito lucrativo
Bundi não foi o único a ver uma oportunidade de trabalho nesse novo mercado. O início da década de 2010 marcou o auge desse negócio, e estima-se que pelo menos 40 mil quenianos viviam de fazer as tarefas de outras pessoas. Com o avanço da inteligência artificial, esse modelo altamente rentável passou a enfrentar mudanças profundas.






