Na manhã de 8 de setembro, o público poderá acompanhar a criação das obras enquanto elas acontecem na orla de Camburi. A intervenção mostrará os artistas em atividade e permitirá observar diferentes etapas do processo, desde os primeiros traços até o desenvolvimento de cada trabalho.
A partir das 8 horas, 60 artistas terão quatro horas para desenvolver seus trabalhos. Tinta acrílica, óleo, aquarela e spray estão entre os materiais que serão usados, com liberdade para que cada participante conduza a tela de acordo com a própria linguagem.
A intervenção faz parte do Vale em Cores, projeto da Rede Vitória em parceria com a Vale, e será realizada durante o aniversário de Vitória. As obras formarão um corredor artístico na Praia de Camburi.
O grafite como caminho profissional
Entre os participantes está Starley Bonfim, cuja relação com o desenho começou ainda na infância. Na escola, saber desenhar fazia com que ele se destacasse entre as outras crianças, muito antes de considerar a possibilidade de trabalhar como artista.
“Eu era muito popular na escola por saber desenhar, então isso me diferenciava das outras crianças. Eu só entendia que a arte me colocava em um lugar de destaque”, destaca o artista. Transformar essa habilidade em profissão não foi uma decisão imediata. A possibilidade surgiu durante um percurso no qual Starley também passou a compreender a arte como parte da construção da própria identidade.
A arte me ajudou a me reconhecer, a me entender como protagonista da minha própria história. Mas eu não vislumbrava um caminho profissional. Foi só ao longo do percurso, no decorrer da jornada, que essa possibilidade de atuar profissionalmente como artista apareceu.
Starley Bonfim, artista
Starley foi um dos artistas que apareceram pintando pelas ruas de Vitória e despertaram a curiosidade de quem passava. No dia 8, ele levará novamente o grafite para perto do público, desta vez em um encontro com outras técnicas e linguagens na orla de Camburi.
A cidade como parte da criação
Anderson Moska também chegou às artes visuais pela cultura urbana. O primeiro contato com o hip-hop despertou o interesse pelo grafite, especialmente pelas letras e formas de escrita.
“Conheci a cultura hip-hop. Aí, dentro do hip-hop, um dos elementos era o grafite, e foi o que já me despertou de imediato. Essa parte da escrita, da letra, foi o que mais me fascinou no grafite”, destaca.
Para Anderson, a cidade não é apenas o lugar onde o trabalho aparece. A observação do espaço urbano, das pessoas e das relações ao redor também interfere no que ele produz. “A forma como eu me movimento, olho para a cidade, para a sociedade, para o geral”, pontua o artista.
Essa relação ganha outra dimensão quando o artista deixa de trabalhar sozinho e passa a criar diante de quem circula pelo local. Em Camburi, o público poderá observar o desenvolvimento das obras, conversar com os participantes e conhecer etapas que não aparecem quando o contato ocorre apenas com o trabalho finalizado.
A curadora do Vale em Cores, Flávia Dalla Bernardina, acredita que reunir os artistas em atividade pode provocar uma mudança na rotina da orla durante aquela manhã.
Quebra um pouco aquele cotidiano. As pessoas vão caminhar e vão se deparar com aquele corredor cultural e vários artistas produzindo. Vão poder parar, perguntar, assistir à obra acontecendo ao vivo. Acho que isso realmente é algo bem único.
Flávia Dalla Bernardina, curadora do Vale em Cores
Quatro horas e 60 resultados
Todos os artistas terão quatro horas para desenvolver os trabalhos, mas cada um poderá seguir o próprio processo criativo e utilizar os materiais relacionados à sua linguagem. Essa liberdade permitirá que diferentes técnicas e referências apareçam nas 60 obras.
O corredor artístico será aberto ao público a partir das 8 horas. Durante quatro horas, quem estiver na Praia de Camburi poderá acompanhar como referências pessoais, experiências profissionais e diferentes materiais são transformados em 60 obras.







