A Operação Nacional Mata Atlântica em Pé 2026resultou na imposição de R$ 656 mil em multas e no embargo de 80,18 hectares de vegetação no Espírito Santo. A fiscalização gerou 84 autos de infração após a vistoria de 97,23 hectares, distribuídos em 98 pontos dos municípios de Afonso Cláudio, Brejetuba e Laranja da Terra, na Região Serrana do Estado.
Os resultados foram divulgados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e órgãos ambientais colaboradores durante uma coletiva de imprensa na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Vitória. As inspeções em campo ocorreram entre os dias 10 e 21 de agosto de 2026.
A escolha das áreas a serem fiscalizadas foi realizada com apoio de monitoramento via satélite, utilizando os sistemas MapBiomas e ES+, que detectam indícios de desmatamento com precisão de até três metros em relação aos focos identificados.
No evento, o Procurador-Geral de Justiça do MPES, Francisco Berdeal, enfatizou a colaboração institucional na operação. “A Operação Mata Atlântica em Pé é o resultado de um grande esforço coletivo de várias instituições, que há anos se dedicam à proteção de um dos biomas mais importantes do nosso país. O Ministério Público tem muito orgulho de participar ativamente desse resultado, alinhado ao comprometimento das instituições envolvidas nesse mesmo objetivo, reconhecida em nível nacional como a operação mais diligente e eficiente entre os Estados brasileiros”, declarou.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Defesa do Meio Ambiente (CAOA/MPES), promotora de Justiça Bruna Legora de Paula Fernandes, ressaltou o impacto da legislação após duas décadas de implementação. “Nesta edição, celebramos 20 anos da Lei Mata Atlântica em Pé e, antes da aprovação da lei, a média de desmatamento anual atingia 110 mil hectares. Caso essa tendência tivesse continuado, a situação provavelmente seria muito mais crítica. Contudo, com a força dessa lei, tão vital para a proteção desse bioma, atualmente, alcançamos uma média de 10 mil hectares desmatados por ano, graças a todos esses esforços. A meta das instituições é alcançar o desmatamento zero”, destacou a promotora.
No Espírito Santo, as vistorias também resultaram na apreensão de 53 aves e na emissão de 16 autos relacionados à captação irregular de água sem autorização.
A força-tarefa no Estado contou com a participação de equipes do MPES, da Polícia Militar Ambiental (BPMA), do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Em todo o Brasil, a operação foi realizada entre 17 e 27 de agosto, abrangendo 17 estados. O balanço preliminar nacional aponta a fiscalização de 1.520 alertas de desmatamento, com a constatação de 8.370,28 hectares de vegetação destruída e a aplicação de cerca de R$ 100 milhões em multas. Devido ao bom desempenho nas ações, o MPES, a coordenação do CAOA e o Batalhão de Polícia Militar Ambiental foram agraciados com o Prêmio Mata Atlântica em Pé, concedido pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.







