O inferno são os outros (Jean Paul Sartre), será?
O “eu” na sua forma individual, só pode existir através de um contato com o “outro.”
O homem cresce, em seu desenvolvimento psíquico, numa relação subjetiva do não-EU e o não-MEU, uma relação de alteridade (ou outridade).
O homem Freudiano não é o centro do universo e nem de seu próprio universo. É governado por forças que nem controla e nem conhece.
Os tabus dos homens primitivos não se encontram tão distantes de nós, “homens civilizados.”
“As proibições morais e as convenções pelas quais nos regemos podem ter uma relação fundamental com esses tabus primitivos”
“Uma explicação do tabu pode lançar luz sobre a origem obscura de nosso próprio “imperativo categórico.”
O homem cresce, em seu desenvolvimento psíquico, numa relação subjetiva do não-EU e o não-MEU, uma relação de alteridade (ou outridade).
ETNOPSICANÁLISE
“As causas básicas para os problemas comportamentais não podem ser explicadas somente a partir do indivíduo”
“Lidar com o ser humano é uma experiência sem precedentes. Nada é tão perigoso, nada é tão sedutor, nada é tão inesperado e, por tudo isto, nada é tão fascinante.”
ALTERIDADE/outridade – o que é diferente daquilo que vivemos e convivemos com o outro que é diferente.
“O eu, o outro e o nós”. Esse campo contempla o autoconhecimento, a construção de relações, a criação de vínculos sociais, o sentimento de pertencimento e de coletividade. Além da diversidade cultural e do respeito às diferentes formas de pensar e de agir do outro.
Quem sou eu no campo da essência. Experiência, vivência e existência?
Quem sou eu no implacável mundo do não-EU (coisas distintas do eu) e não-MEU (pertencimento)?
Para responder a estas perguntas subjetivas, é mais fácil lidar com o óbvio e responder apenas as coisas que eu acho ser, na minha dialética psíquica, apenas os meus pontos fortes.
Será que sei? ÀS vezes, nem sempre. Hoje, nesta busca de mim mesmo, “só sei que nada sei” a respeito dos meus pontos fortes e que nada sei dos meus pontos a melhorar.
Quero e preciso mergulhar dentro de mim mesmo e me aventurar em um autodescobrimento.
O que você sente no momento de comunhão com o outro: Nostálgico, Triste, A vontade, tenso ou Ansioso para que tudo acabe?
Qual a importância da vivência relacional de você com o outro?
- Para vivenciar uma ordenação tradicional ou um encontro obrigatório (social).
- Para confraternização e celebração do seu gozo individual.
- Para compartilhamento social e vivência comportamental.
- Para uma troca entre ensino e aprendizagem.
- Para reforço, ratificação, retificação e renovo de uma aliança.
- Para colocar a fofoca em dia.
Vou me olhar no espelho do outro, ou melhor, meu autoespelho que está no outro. Me olhando assim, nada satisfeito! Pois tudo que percebo é o reflexo da minha subjetividade e muitas vezes irritante.
Como aprender com o outro em sua plenitude, dignidade, direitos e diferenças?
Como apreender do outro?
Alteridade é um termo apresentado por Platão (na Sofista). Considerado por ele como “Gênero Supremo”. Ao ser é atribuído a capacidade de ser na multiplicidade das ideias, entre as quais existe uma relação de alteridade recíproca.
A qualidade ou estado do que é outro ou do que é diferente. O “eu” na sua forma individual só pode existir através de um contato com o “outro.” Implica que um indivíduo seja capaz de se colocar no lugar do outro, em uma relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes. O homem social interage e interdepende do outro.
A Alteridade é muito mais que um conceito, é uma prática comportamental e socioafetiva. Ela consiste em solidariedade e compaixão para com o outro. Colocar-se no lugar do outro, entender as necessidades e angústias do outro. Reconhecer a diversidade, singularidade, assertividade e o protagonismo do outro.
A Alteridade é a garantia da adaptação social coletiva e sua coesão. A condição necessária para evitar o etnocentrismo (modelo cultural de referência, intolerância religiosa e xenofobia), a exploração de outros povos e a escravidão.
Na abordagem do não-EU e não-MEU podemos refletir sobre:
- As relações sociais e comportamentais verticalmente e horizontalmente.
- As Marcas de satisfações e prazeres relacionados as “Relações objetais e transacionais”.
- Como trabalhar os Traços narcísicos existentes na vulnerabilidade específica do ser humano.
- Como lidar com as Forças pulsionais X objetos de satisfações relacionados as nossas demandas (instintos, desejos e necessidades).
- Como superar Anseios e frustrações que forjam a subjetividade.
- Como aplicar as dinâmicas identificatórias e seletivas (abordagens terapêuticas) para um olhar piedoso e construtivo no espelho do outro.
- Como ir em busca por um lugar satisfatório no mundo e nas relações sociais. Um espaço e ambiente de construção e reforma do EU.
- Como lutar Relacionalmente para existir para si e existir para o outro.
O MEU ESPELHO NO OUTRO
- EU PERCEPTIVO
- Tudo que me incomoda, irrita e me tira do sério no outro está dentro de mim.
- Tudo que o outro, sua opinião ou sua presença me critica, julga e me incomoda, está recalcado e reprimido dentro de mim.
- EU CONCEITUAL
- Tudo que o outro me critica, julga ou quer mudar em mim, sem que me afete, pertence a ele.
- Tudo que amo e gosto no outro, também está dentro de mim, as vezes ainda sem ser percebido.
- EU INTERDEPENDENTE – Js 24:15
- Uma interseção que expressa link, ligação, junção, soma, adição de sentimentos, atitudes e pensamentos. Uma coligação de reciprocidade e mutualidade.
- Pressupõe: O uno é ligado ao todo coletivo que estabelece atitude num ciclo incondicional de aliança. Não somos uma ilha. As nossas decisões e escolhas são individuais de fluxo coletivo, tendo como significado que os meus interesses se tornam uma interseção quando nos relacionamos com o outro. Somos criados para o convívio. Não solidão, nem solitários, muito ao menos sozinhos e isolados. Somos comunhão e solidariedade, empatia e compaixão.
- “…minha casa.” – Sentimento de pertencer. Faço parte integrante de um todo. Amo e sou correspondido. Uma unidade coletiva de trocas. Na hora das escolhas sou lembrado da minha importância, herança, valor e suporte. Isto me traz segurança e responsabilização para escolher com zelo e consideração posso contribuir com minha unidade e coletividade.
Tudo que elaboro em mim, elaboro também no outro.
PARA PRATICAR
Por detrás de cada ser humano existe um mundo a ser descoberto, uma rica história, um garimpo. (Augusto Cury)
Como respeitar a capacidade de pensar dos outros?
Somos desafiados a conviver e bem viver – Mc 3:13-10, Tg 5:16 – No convívio…
- Conhecemos um ao outro,
- Descobrimos nossas fraquezas,
- Encontramos nossas mazelas,
- Mostramos diferenças e geramos ajustes, isto gera amadurecimento.
- Manifestamos o ser enquanto ser humano múltiplo e complexo com necessidade de dar sentido a vida e existir sempre em busca de absolutos e perfeições.
OLHAR NO ESPELHO DO OUTRO – Como lidar com pessoas que não suportamos e somos obrigados a conviver. Um dos segredos do sucesso é saber se relacionar com todas as pessoas. Você pode ser um excelente profissional, mas se não souber se relacionar com as pessoas não terá êxito. A nossa vida espiritual depende muito do tipo de relação que temos com o nosso próximo.
- Pare de perder tempo reclamando. Ficar sofrendo e praguejando porque o outro não muda e não ajuda em nada. Ao contrário, a frustração e as divergências tendem a piorar. – Mt 6:27
- Ame. Amar é um mandamento bíblico. “Como cristão não temos obrigação de gostar de todo mundo, e sim de amar.” – Mt 22:37, Jo 13:35
- Enfatize as semelhanças. – Gn 1:26,27, I Pe 1:3
- Foque nas qualidades do outro. – Jz 6:11-12
- Pague o mal com o bem. Um dia a pessoa se manca e percebe que as coisas podem ser diferentes. Mt 5,6 e 7
- Seja franco. A melhor política para conseguir o melhor das pessoas é estabelecer com elas um diálogo honesto e construtivo. Mas antes procure criar um clima de confiança e harmonia. Ou o tempo pode fechar. – Pv 15:4
- Não perca a cabeça. Todo mundo sabe que quando um não quer, dois não brigam. Sim, arme-se de paciência. Não se queime à toa. Gl 5:22-23, Pv. 15:1.
- Saiba que você é falho. Reconhecer que também podemos errar é a melhor receita para aceitar aos erros dos outros. – Rm 3:23
- Pense que o outro é importante para Deus. Você já pensou que aquela pessoa que você não suporta é muito importante e especial para Deus? Isso mostra que ela tem valor. – Lc 15
- Olhe por trás dos seus atos investigue e pense: ” O que será que leva essa pessoa a agir dessa maneira?” Muitas vezes atrás dos atos de uma pessoa insuportável existe uma vida sofrida, que precisa de ajuda. – Mt 7:1-5
OLHAR NO SEU ESPELHO – AUTOIMAGEM SADIA – Sl 139:13-15
Aquilo que pensamos sobre nós mesmos pode influenciar decisivamente na nossa relação com outras pessoas.
- Quem você acha que é?
- Quem você está tentando ser?
- Quem você consegue ser?
- Já se olhou no espelho hoje?
- Como está o seu saldo comportamental?
Diferente de autoestima, que é um sentimento a respeito de você. Mas, autoimagem, um autorretrato, como você percebe a você mesmo.
Nós somos produtos das coisas que nos disseram e das Imagens que nos autoimpomos. Não podemos ser sabotadores de nós mesmos!
MEACEIT – Modificar, entender, acreditar, expressar, introjetar e transformar, verbos que indicam ação.
- Modifique-se – “Somos pessoas perfeitamente capazes” – Sl 139:16
- Olhe para você como Deus lhe vê. – I Pe 2:5,9
- Não se concentre em suas fraquezas, reconheça-as! – Mostre onde o ferro do machado caiu. Mostre onde você foi imprudente, imperito e irresponsável. – II Rs 6:1-7
- Evite comportamentos e relacionamentos que o privem da graça de Deus e da comunhão com as pessoas.
- Saia da cova, da caverna, do deserto, da tempestade, do naufrágio e do vale. Nenhum deles são eternos.
- Você não é um acidente cósmico. Você não é o que fizeram com você.
- Você não é um miserável, deprimido, solitário, derrotado e doente.
- Entenda o seu valor. Não se destitua da grandeza dada por Deus. Do amor de Deus e das oportunidades, possibilidades e probabilidades estabelecidas por Deus na sua vida.
- Sou obra de Deus, estou em obra. Na idade completo, na vivência inconcluso!
- Deus inseriu valor em nós, quando nos criou. Nos valorizou tanto e de tal maneira quando enviou seu filho como substituição e regeneração para as nossas vidas.
- “Coroa da criação” Um “poema” de Deus – Ef 2:10
- Criado de modo “assombroso” e extraordinário. – Sl 139:14
- Hoje, em Cristo, Mordomos Despenseiros da Graça de Deus e suave Perfume de Cristo.
- Deus conhece o seu valor, Ele enxerga o seu potencial. Olhe para você com os olhos de Deus.
- Modifique-se – “Somos pessoas perfeitamente capazes” – Sl 139:16
- Acredite em você
- Você é aquilo que acredita ser – Pv 23:7
- Pensamentos
- Expectativas
- Iniciativa e criatividade.
- Você é aquilo que acredita ser – Pv 23:7
- Deus nos ajuda, mas, você dá o voto decisivo. “Vai nesta tua força, homem valente!”
- A Bíblia diz: “Seja feito segundo a vossa fé” – os dois cegos – Mt 9:27-30
- Expresse suas emoções e pensamentos de modo brando para desviar o furor.
- Introjete para a ruminação e reflexão. Mas, projete para a elaboração e ressignificação.
- Transforme-se pela renovação da sua mente para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Transforme o espaço em lugar e o lugar em ambiente saudável e intencional para o relacionamento com o outro. – Rm 12:1-2
Portanto, saia dos complexos, da inutilidade e da zona de conforto, quebre esta timidez que toma conta de você, lance um bálsamo de alívio nos seus traumas e viva. – I Pe 2:9
Se depois de tudo isso não funcionar, ou se o número de pessoas que você não suporta é muito grande, o problema pode ser você.
Talvez o insuportável seja você mesmo; por isso, avalie sua vida e comece a amar as pessoas.






