Uma chuva forte que atingiu Gaurama, no Rio Grande do Sul, levou Bruna Thais a parar o carro para socorrer um cachorro que estava sozinho na rua.
Guri, um cão de quase 40 quilos, passara cerca de um mês vagando pela cidade. Ele apresentava muitas cicatrizes pelo corpo e algumas falhas nos dentes. Pela aparência, Bruna imaginava que se tratava de um cachorro já idoso.
De acordo com Bruna, ele corria atrás dos carros e uivava, como se estivesse à procura de alguém que pudesse voltar para buscá-lo.
Quando finalmente se encontraram, a jovem decidiu que, ao menos naquela noite, ele não permaneceria sob a chuva. Ainda assim, o desfecho foi diferente do que ela imaginava.
A decisão de manter Guri não estava nos planos. Bruna e o marido viviam em um apartamento e já dividiam a rotina com três gatas.
A situação era ainda mais sensível porque, naquele momento, o casal ainda atravessava o luto por duas perdas recentes. Bituca e Zequinha, gatos da família, haviam morrido com menos de seis meses de diferença.
Essa experiência deixou os dois muito abalados e os levou a prometer que não adotariam mais animais. Até o encontro com o cão.
O marido de Bruna, também apaixonado por animais, concordou prontamente em tirar o cachorro da rua. A intenção, porém, era apenas resguardá-lo da chuva e decidir depois o que fazer.
Só que o “depois” chegou com Guri ainda dentro de casa.
Mais de 15 dias após o resgate, Bruna contou que o cachorro seguia com a família e se adaptava muito bem à nova rotina. Ele é obediente, respeita as três gatas e aprendeu a fazer as necessidades fora de casa.
No início, Guri chorava quando ficava sozinho, comportamento que Bruna associou ao tempo em que viveu nas ruas.
Com o passar dos dias, ele passou a compreender que aquele apartamento não era apenas mais uma parada, mas o verdadeiro lar dele.
“Não sei qual é a tua história, meu Guri, mas a nossa a partir de agora é cheia de amor, carinho e cama quentinha”, escreveu Bruna ao compartilhar a história.
Guri ainda está conquistando as irmãs felinas
A etapa mais delicada da adaptação é justamente a convivência com as três gatas. Bruna revelou que o grandalhão está perto de conquistar as novas irmãs.
A chegada de um cachorro a uma casa habitada por gatos exige alguns cuidados, principalmente porque os felinos podem encarar a presença de outro animal como uma mudança importante no território que já conhecem.
A ASPCA orienta que os animais recém-adotados tenham inicialmente um espaço próprio e seguro para se adaptarem.
A organização também recomenda que os primeiros dias sejam conduzidos com paciência, rotina e tempo, para que o animal conheça o ambiente e os demais moradores sem interações forçadas.
Quando há outros bichos na casa, a separação inicial pode tornar a apresentação muito mais tranquila.
A ASPCA sugere oferecer ao novo integrante um espaço separado para que os animais se habituem gradualmente aos cheiros e sons uns dos outros antes de ampliar o contato.
No caso dos gatos, é essencial assegurar que eles tenham locais para se afastar do cachorro. Prateleiras, móveis altos, tocas e outros refúgios permitem que os felinos escolham quando se aproximar e quando preferem permanecer longe.
Um cachorro adulto também precisa de tempo
Guri chegou ao novo lar depois de passar semanas nas ruas; portanto, não se tratava apenas de conhecer três gatas. Ele também precisava descobrir como funcionava uma rotina doméstica.
Cama, alimentação em horários definidos, presença de pessoas, passeios e um local seguro para dormir são experiências diferentes para um animal que passou um período vivendo sozinho.
A ASPCA ressalta que animais adotados podem reagir de variadas formas nos primeiros dias. Alguns se adaptam rapidamente; outros necessitam de mais tempo para se sentirem seguros.
A orientação é manter uma rotina previsível, agir com paciência e deixar o animal observar o novo ambiente no seu próprio ritmo.








