O envelhecimento fisiológico é um processo inerente ao ser humano. A expectativa de vida da população idosa no Brasil é de 76,4 anos (IBGE, 2023). Cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais são consideradas idosas, conforme definido pelo Estatuto da Pessoa Idosa (IBGE, 2024), aproximadamente 17% da população, que enfrentam diversos desafios diários para se manter ativos e saúdáveis, terem autonomia, mobilidade e serem incluídos nos diferentes espaços.
Sabe-se que certos problemas de saúde são decorrentes do avanço da idade. Apesar das capacidades e necessidades serem específicas de cada pessoa, alterações biológicas ou doenças crônicas podem afetar a cognição, a linguagem, a mobilidade física e a autonomia das pessoas, exigindo políticas públicas integradas.
No que diz respeito à saúde, cerca de 2/3 das pessoas idosas utilizam, exclusivamente, o Sistema Único de Saúde. Sendo assim, a saúde pública precisará adaptar-se à essa realidade, bem como os profissionais das áreas da saúde (Belasco AGS, Okuno MFP, 2019).
Algumas doenças alteram a dinâmica corporal e o risco de desenvolvimento de hipertensão arterial, depressão e a limitação funcional interferem na autonomia e na convivência social da pessoa idosa. Outros comprometimentos como declínio cognitivo leve, comum após os 65 anos, podem afetar a memória, bem como perdas auditivas, que dificultam a compreensão da fala, principalmente em ambientes ruidosos.
Pessoas idosas têm vários desafios que impactam tanto a mobilidade urbana, em calçadas e ruas mal conservadas gerando insegurança, reduzindo a circulação, quanto a participação social, inserção e ou permanência no mercado de trabalho, além da forma como são percebidas socialmente.
O etarismo ou preconceito etário é outro fator impactante na vida de uma pessoa idosa com condições para o trabalho, pois alguns empregadores ainda associam idade avançada à baixa produtividade ou dificuldade de adaptação tecnológica. Assim, alguns continuam ativos, mas trabalhando informalmente.
Outro desafio que essa população enfrenta é o uso de tecnologias de comunicação e informação em espaços abertos ao público. Um exemplo é que alguns locais exigem reservas, pagamentos, cardápios digitais ou por QR Code, sites e sistemas pouco intuitivos, com letras pequenas ou acesso por etapas, que dificultam a navegação.
A falta de alternativas analógicas como o atendimento presencial pode gerar isolamento e limitar o acesso cultural e social. Importante salientar que garantir acessibilidade comunicacional, digital ‘não é apenas uma questão técnica’, mas sim respeito às leis, direito à cidadania e inclusão social e que algumas práticas podem contribuir para a eliminação dos estereótipos negativos como:
- Manter atendimento físico para quem não domina a tecnologia digital.
- Empatia no atendimento: trabalhadores preparados para orientar e apoiar a pessoa idosa.
- Tecnologia assistiva: uso de leitores de tela, comandos de voz e dispositivos adaptados, em casos específicos.
- Mensagens com letras maiores, contraste de cores e linguagem clara.
- Valorização da experiência, conhecimento, práticas produtivas e habilidades interpessoais.
É fato que a pessoa idosa enfrenta barreiras culturais, econômicas e estruturais para se manter no mercado de trabalho e sua plena aceitação pela sociedade, mas a solução passa por uma mudança de mentalidade, políticas públicas inclusivas e adaptação nas cidades para maior acessibilidade a serviços, convivência social, valorização da experiência acumulada e incentivo à autonomia.
O envelhecimento saudável está relacionado à manutenção da capacidade funcional, que permite autonomia e a independência física e mental.
O futuro que desejamos depende de como valorizamos, ou não, aqueles que já abriram caminhos antes de nós. Será que estamos preparados para reconhecer o potencial da experiência?
Sugestões
Brasil. Ministério da Saúde. Sáude da pessoa idosa. Disponível aqui.
Belasco AGS, Okuno MFP. Realidade e desafios para o envelhecimento. Rev Bras Enferm. 2019;72(Suppl 2):1-2. Disponível aqui.







