Bolinhos, cubos de gelo e ursinhos de goma — sempre em versões apertáveis, é claro — estão entre os brinquedos mais populares de 2026.
Os chamados brinquedos squishy existem há anos, mas produtos como o NeeDoh, fabricado pela Schylling, empresa de Massachusetts, explodiram em popularidade neste ano, impulsionados por preços relativamente baixos e pelo forte apelo nas redes sociais.
As vendas de brinquedos squishy nos Estados Unidos alcançaram cerca de US$ 297 milhões (R$ 1,53 bilhão) até junho, quadruplicando na comparação com o ano anterior, disse à CNBC Kristen McLean, vice-presidente de insights de clientes e líder do Entertainment Knowledge Group da Circana.
No mesmo período, as vendas em unidades saltaram quase 200%, para 58,6 milhões, segundo McLean.
“Embora o preço e as lojas onde são vendidos os tornem amplamente disponíveis e acessíveis financeiramente, a febre do NeeDoh, em particular, começou nas redes sociais”, afirmou McLean.
A combinação de “cores divertidas, embalagens interessantes, alívio do estresse e brincadeira” ajudou a criar a base viral para uma adoção mais ampla. “Eles realmente conseguiram capturar um momento do espírito do tempo”, acrescentou.
A TikTok Shop cresceu e passou a representar 1% do total das vendas no varejo e 3% das vendas do comércio eletrônico em apenas dois anos, conforme dados do Social Commerce Tracking da Circana, com brinquedos, hobbies e itens colecionáveis aparecendo como a terceira maior categoria da plataforma.
Os preços relativamente baixos também podem facilitar a transformação da atenção conquistada na internet em compras.
“Os brinquedos squishy são amplamente acessíveis e relativamente baratos, o que os torna uma compra por impulso fácil depois que os consumidores os veem em alta nas redes sociais”, disse Loo Wee Teck, gerente global de insights para brinquedos e jogos da empresa de inteligência de mercado Euromonitor International.
“Em um cenário de incerteza econômica, aumento do estresse e fadiga digital, os consumidores estão cada vez mais atraídos por produtos que oferecem momentos simples de conforto e relaxamento”, completou Loo.
Mudança ‘dramática’
Kevin Kwok, diretor da Kids Village Asia, distribuidora exclusiva do NeeDoh, da Schylling, em Singapura, Malásia e Brunei, disse à CNBC que as consultas comerciais e o interesse de varejistas aumentaram quase 20 vezes na comparação com o mesmo período do ano passado.
“A mudança na demanda foi dramática”, afirmou Kwok.
Segundo ele, a disparada começou por volta de janeiro, alimentada principalmente pelas redes sociais, inclusive por celebridades que mostravam o NeeDoh em suas plataformas.
“O que torna o atual boom diferente é que os brinquedos squishy estão sendo cada vez mais valorizados por seus benefícios sensoriais e emocionais, e não apenas como itens de novidade”, acrescentou Loo.
A NeeDoh não respondeu a um pedido de comentário da CNBC.
Dados do Checkout Toys Recipient, da Circana, relativos aos três meses encerrados em junho, mostram que 60% dos compradores de NeeDoh eram pais comprando para os filhos, enquanto 18,2% disseram ter comprado os brinquedos para si mesmos.
Crianças de 7 a 12 anos formaram o maior grupo de destinatários entre ambos os gêneros, e 72% de todos os destinatários eram do sexo feminino.
Depois de uma alta tão expressiva em tão pouco tempo, a dúvida é saber por quanto tempo a febre dos squishies poderá continuar.
“O entusiasmo atual vai diminuir com o tempo, como aconteceu com os fidget spinners, mas o apelo mais amplo das brincadeiras sensoriais e táteis vai persistir”, disse Loo, da Euromonitor. “À medida que os consumidores buscam cada vez mais maneiras simples de relaxar e se desconectar da sobrecarga digital, brinquedos que favorecem uma brincadeira mais consciente continuarão relevantes.”







