Envelhecimento cerebral: hábitos para reduzir o risco de demência

A demência não representa uma consequência inevitável do envelhecimento cerebral: de acordo com a OMS, até 45% dos casos podem ser prevenidos ou adiados. O manejo da saúde cardiovascular, a prática de exercícios, uma alimentação equilibrada, a interrupção do tabagismo e o estímulo cognitivo e social são fundamentais para a proteção cerebral. As mulheres apresentam maior risco ao longo da vida (48,2%). Aliados ao diagnóstico precoce e a novas tecnologias, como a fotobiomodulação, esses hábitos favorecem a longevidade com autonomia mental.

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Setembro marca o mês mundial de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, destacando a relevância da prevenção, do diagnóstico precoce e do monitoramento das mudanças cognitivas. Embora a demência se torne mais frequente com o passar dos anos, não deve ser vista como um desfecho inevitável do processo de envelhecimento.

Uma matéria recente da The Economist apontou a queda, nas últimas décadas, no percentual de idosos com demência em algumas nações desenvolvidas. Entre os motivos associados estão o controle mais rigoroso dos riscos cardiovasculares, os progressos no diagnóstico e as novas opções terapêuticas.

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“Esse é um dado importante porque mostra como prevenção e acompanhamento podem impactar o envelhecimento cerebral. A redução de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs), o controle de fatores de risco e o avanço de novas terapias contribuem para esse cenário”, afirma o Dr. Álvaro Pereira, angiologista, doutor em Cirurgia Vascular pela Divisão de Bioengenharia do INCOR-HCFMUSP e pós-doutor pelo B&H Hospital – Harvard.

Em julho de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revisou suas orientações para a redução do risco de declínio cognitivo e demência, indicando que até 45% dos riscos podem ser evitados ou adiados. As principais medidas incluem:

1. Praticar atividade física regularmente

Manter o corpo em movimento também traz ganhos para o cérebro. A atividade física favorece a saúde cardiovascular e auxilia no controle de pressão arterial, peso e diabetes, condições ligadas ao risco de declínio cognitivo. A OMS reconhece a prática regular de atividade física como uma das estratégias associadas à redução do risco de demência.

2. Não fumar

O tabagismo está associado a vários problemas cardiovasculares e pode potencializar fatores ligados ao risco de demência. Dessa forma, parar de fumar integra as estratégias de redução de risco recomendadas pela OMS.

3. Manter uma alimentação equilibrada

Uma dieta saudável ajuda a controlar peso, pressão arterial, glicemia e colesterol, além de beneficiar o sistema cardiovascular. Esses cuidados igualmente compõem as recomendações para reduzir o risco de declínio cognitivo e demência.

4. Moderar o consumo de álcool

O consumo abusivo de álcool pode comprometer a saúde de várias formas e figura entre os pontos a considerar na prevenção. A revisão das orientações da OMS inclui diminuir a ingestão de álcool entre as medidas de redução de risco.

5. Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia

Cuidar do sistema cardiovascular é igualmente uma maneira de proteger o cérebro. Hipertensão, diabetes e colesterol alto estão entre os fatores que exigem monitoramento e tratamento adequados. O manejo dessas condições pode auxiliar na redução do risco de demência.

6. Manter o cérebro e a vida social ativos

Aprender algo novo, manter a mente ocupada com atividades intelectuais e preservar os laços sociais integram uma rotina que favorece o envelhecimento ativo. O isolamento social e a solidão também estão relacionados a efeitos relevantes sobre a saúde e o bem-estar.

7. Fazer acompanhamento médico e não ignorar alterações cognitivas

Prevenir envolve ainda acompanhar a saúde de modo contínuo e buscar avaliação diante de alterações persistentes de memória, atenção, raciocínio ou outras funções cognitivas. O diagnóstico precoce possibilita investigar as causas dessas mudanças e traçar estratégias de acompanhamento.

Com o passar dos anos, mudanças na comunicação entre os neurônios podem afetar funções como memória, atenção, aprendizado e raciocínio. Isso, contudo, não quer dizer que a demência seja um desfecho inevitável da idade.

“Estamos vivendo mais. O desafio agora é envelhecer preservando autonomia, qualidade de vida e função cognitiva. Prevenção, acompanhamento médico e novas tecnologias podem contribuir para esse objetivo”, afirma o Dr. Álvaro Pereira.

Mulheres merecem atenção especial

O artigo “Lifetime risk of common neurological diseases in the elderly population”, divulgado no Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, calculou que, a partir dos 45 anos, o risco de desenvolver demência, AVC ou parkinsonismo ao longo da vida é de 48,2% nas mulheres e 36,2% nos homens. Na avaliação do Dr. Álvaro Pereira, os números reforçam a relevância da prevenção em todas as fases da vida.

Novas tecnologias também entram no radar

Para além dos hábitos preventivos e do controle dos fatores de risco, novas tecnologias têm sido investigadas como recursos complementares para a saúde do cérebro. Entre elas, destaca-se a fotobiomodulação transcraniana, método não invasivo que emprega luz em parâmetros determinados para modular processos ligados à atividade mitocondrial, à circulação cerebral e à neuroinflamação.

Pesquisas têm avaliado possíveis ganhos em memória, atenção e desempenho cognitivo, embora ainda sejam necessários estudos mais amplos e protocolos padronizados. “A fotobiomodulação pode ser uma ferramenta complementar dentro de um cuidado mais amplo com a saúde cerebral. A proposta não é substituir medicamentos ou outras terapias, mas ampliar as possibilidades de acompanhamento”, explica o Dr. Álvaro Pereira.

A expectativa é que a soma de prevenção, acompanhamento médico, diagnóstico precoce e progresso científico faça com que o aumento da longevidade venha junto com a manutenção da autonomia e da função cognitiva.

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