A picada de um inseto minúsculo, muitas vezes quase invisível, é capaz de causar sérios transtornos, incluindo febre, dores musculares e articulares e manchas cutâneas. Em situações mais severas, pode até ser fatal. Em 20 de agosto, quando se celebra o Dia Mundial Contra os Mosquitos, o alerta reforça que a luta contra esse vetor precisa ser constante e diária.
A prevenção está entre as principais estratégias para conter a multiplicação do mosquito transmissor dessas enfermidades. Dessa forma, os cuidados não devem se limitar aos períodos de alta incidência, mas integrar a rotina da população.
A Secretaria da Saúde (Sesa), por intermédio do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE), explicou que as arboviroses são enfermidades provocadas por arbovírus, vírus transmitidos pela picada de insetos e carrapatos, sobretudo mosquitos. No Espírito Santo, os arbovírus predominantes e acompanhados pelas autoridades sanitárias são os que provocam dengue, chikungunya, Zika, oropouche, febre amarela e febre do Nilo.
A médica de família da Bluzz Saúde, Jetele Piana, inicia o alerta destacando que as medidas de manutenção e prevenção precisam ser adotadas ao longo de todo o ano para impedir a proliferação do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
“É essencial manter as precauções o ano inteiro, pois o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika se reproduz em locais com água parada. A prevenção constante diminui as chances de formação de criadouros e, por consequência, contribui para reduzir a circulação dessas doenças. Não podemos esperar o crescimento dos casos para então agir”, afirmou.
Água parada exige atenção
A médica ressalta que o principal elemento que favorece a multiplicação do mosquito é o acúmulo de água parada, especialmente em recipientes expostos à chuva. Ela chama a atenção para alguns pontos dentro do ambiente doméstico que exigem cuidado.
“O descarte incorreto de lixo, o acúmulo de objetos no quintal, caixas-d’água sem vedação apropriada, calhas obstruídas e recipientes com potencial de acúmulo de água também requerem atenção.”
Para ajudar na identificação de possíveis focos do mosquito, Jetele aponta os principais locais da residência que devem ser vistoriados.
“É fundamental examinar sobretudo as áreas externas, como quintais, varandas e jardins, onde podem estar vasos de plantas, pratos, baldes, garrafas, brinquedos e outros objetos que acumulam água. Também é preciso inspecionar caixas-d’água, ralos, calhas e demais locais que possam reter água”, destacou.
Combate também depende de espaços públicos
A médica acrescenta que não somente as casas exigem atenção. Outros ambientes também podem apresentar condições que favorecem a reprodução do mosquito.
“Qualquer lugar que possa acumular água deve ser monitorado. Isso abrange terrenos baldios, canteiros de obras, escolas, empresas, condomínios, cemitérios, praças e áreas públicas. A prevenção precisa ser abrangente, já que o mosquito não respeita as fronteiras de uma casa”, enfatizou.
De acordo com a médica, a prevenção exige a atuação conjunta da sociedade e do poder público.
“O poder público exerce uma função essencial na vigilância, na orientação e no controle, mas a população também é peça-chave nessa prevenção. Pequenas atitudes adotadas no dia a dia ou durante uma inspeção semanal podem evitar que o mosquito encontre condições de reprodução. Trata-se de uma responsabilidade de todos.”
Jetele ainda alerta para situações cotidianas que muitas vezes passam despercebidas e terminam contribuindo para a formação de criadouros.
“Muitas vezes, o problema reside justamente nos pequenos detalhes. Um pratinho de vaso com água, uma garrafa sem tampa, um brinquedo esquecido no quintal ou uma calha não higienizada podem se tornar criadouros. Outro engano frequente é supor que a água precisa se acumular em grande volume. Pequenas porções de água também são suficientes para a reprodução do mosquito”, salientou.
Monitoramento no Espírito Santo
Conforme a Sesa, por meio do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica, no Espírito Santo, os principais arbovírus prevalentes e monitorados são os responsáveis por doenças como dengue, chikungunya, Zika, oropouche, febre amarela e febre do Nilo.
A NEVE esclarece que as arboviroses podem provocar uma série de sintomas, de febre leve, dores no corpo e nas articulações e manchas na pele a complicações mais graves, algumas potencialmente fatais. Os mosquitos, principais vetores das arboviroses, tornam-se portadores do vírus ao picarem uma pessoa infectada e, posteriormente, transmitem o vírus a outras pessoas durante novas picadas.
A Sesa acrescentou que, desde 2025, o Governo do Estado acompanha ativamente quatro principais arboviroses em seu painel oficial de dados e monitoramento em tempo real: dengue, chikungunya, Zika e febre do Oropouche. A plataforma virtual “Monitoramento das Arboviroses no Espírito Santo” reúne informações atualizadas diariamente sobre essas doenças em todo o território capixaba.
João Paulo Cola, referência técnica de Arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Sesa, destacou que, além do monitoramento epidemiológico, a Sesa reforça que a prevenção das arboviroses está diretamente ligada à participação popular no controle dos vetores.
Ele afirma que é indispensável manter as residências e seus arredores livres de locais que possam se tornar criadouros do mosquito, principalmente recipientes com água parada. A remoção periódica desses focos, aliada às ações dos serviços de saúde e de controle de vetores, está entre as principais medidas para diminuir a transmissão das arboviroses e resguardar a população.
Atenção aos sintomas e sinais de alarme
A Sesa recomenda que, ao surgirem sintomas compatíveis com arboviroses, a população busque uma unidade de saúde para avaliação e orientação. Durante o curso da doença, a hidratação deve ser priorizada, sobretudo em casos suspeitos de dengue. A ingestão regular de líquidos precisa ser mantida ainda que os sintomas sejam leves, seguindo as orientações dos profissionais de saúde.
É essencial ficar atento aos sinais de alerta, principalmente depois dos primeiros dias da enfermidade ou quando a febre começa a ceder. Dor abdominal forte e persistente, vômitos recorrentes, sangramentos, tontura ou desmaio iminente, sonolência ou irritabilidade, falta de ar, fraqueza acentuada e diminuição do volume urinário requerem atendimento médico urgente.
No caso da dengue, a redução ou o desaparecimento da febre não indica, obrigatoriamente, a cura da doença. É justamente nessa fase que alguns pacientes podem sofrer piora do quadro. Identificar os sinais, procurar assistência médica e manter a hidratação são atitudes fundamentais para diminuir o risco de complicações, formas graves e óbitos.
Para encerrar, a médica enfatiza que a prevenção precisa estar incorporada à rotina e ter início no ambiente doméstico.
“Meu conselho é que as pessoas não esperem por uma epidemia para tomar providências. O enfrentamento ao mosquito começa em casa e deve ser incorporado ao cotidiano. Reservar alguns minutos para localizar e eliminar possíveis criadouros é uma medida simples, porém capaz de resguardar toda a comunidade. Prevenção é um dever coletivo e, quando cada um cumpre seu papel, é possível reduzir os riscos de dengue, chikungunya e zika”, concluiu.






