Cansaço ou problema neurológico? Causas do brain fog e quando não é normal

É comum passar por fases em que a mente parece funcionar em câmera lenta. Esquecer uma informação recebida há pouco tempo, perder o raciocínio durante uma conversa ou ter que reler o mesmo parágrafo várias vezes são situações que fazem parte do dia a dia de muita gente. O fenômeno ganhou destaque nas redes sociais com o nome de brain fog, ou névoa mental, e vem sendo associado principalmente a períodos de estresse, noites mal dormidas e excesso de estímulos.

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Apesar de ser um termo cada vez mais popular, o brain fog não é um diagnóstico médico. A sensação de falta de concentração ou de memória pode ter diversas origens, desde mudanças na rotina até condições que exigem avaliação profissional. O sinal de alerta deve estar ligado principalmente à frequência, à intensidade e à evolução dos sintomas.

A seguir, confira os principais fatores que podem deixar a mente mais lenta e entenda quando é hora de procurar um médico.

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1. Veja se o problema é pontual ou persistente

Esquecer uma palavra, perder um objeto ou sentir dificuldade para se concentrar ocasionalmente é normal. “Alterações pontuais de memória e concentração podem surgir em momentos de cansaço, estresse ou privação de sono. O que precisa de atenção é quando essas dificuldades se tornam frequentes, progressivas ou passam a atrapalhar as atividades do cotidiano. Nesses casos, é importante investigar a causa, em vez de simplesmente atribuir os sintomas ao envelhecimento ou à rotina”, explica o neurocirurgião Wilson Faglioni Júnior.

2. O sono deve entrar na investigação

Dormir mal não afeta apenas a disposição no dia seguinte. Para o neurocirurgião Dr. Leandro Miranda Macedo, a relação entre o sono e o funcionamento cerebral não pode ser ignorada. “O sono é fundamental para a consolidação da memória, para a regulação da atenção e para o correto funcionamento do cérebro. Quem dorme poucas horas ou tem um sono fragmentado pode perceber lapsos de concentração, dificuldade para raciocinar e uma sensação de lentidão mental. Quando isso persiste, é importante investigar também a qualidade do sono e possíveis distúrbios que estejam interferindo nesse processo.”

3. Estresse e excesso de estímulos pesam no dia a dia

Uma rotina marcada por notificações constantes, múltiplas tarefas, pressão no trabalho e pouco tempo de recuperação pode fazer com que a pessoa sinta que perdeu a capacidade de se concentrar. Na maioria dos casos, não se trata de uma perda real de capacidade cognitiva, mas de um cérebro que vive dividido entre diferentes estímulos.

Wilson Faglioni Júnior reforça que o contexto em que os sintomas aparecem deve ser levado em conta. “Estresse prolongado, ansiedade, sobrecarga de trabalho e excesso de estímulos podem atrapalhar a atenção e dar a impressão de que a mente está mais lenta. Quando a pessoa está sempre interrompendo uma tarefa para responder mensagens ou mudar de atividade, por exemplo, a dificuldade para manter o foco aumenta. Por isso, a avaliação precisa considerar não apenas o sintoma, mas também a rotina em que ele acontece”, afirma.

4. Medicamentos também podem atrapalhar a concentração

Alguns medicamentos podem causar sonolência, redução do estado de alerta ou dificuldade de concentração como efeito colateral. Além disso, a interação entre diferentes remédios pode modificar a forma como a pessoa se sente ao longo do dia. Por isso, o histórico medicamentoso é uma informação valiosa durante uma consulta.

“Quando um paciente apresenta uma mudança recente na memória, na atenção ou no nível de alerta, é preciso verificar se houve início, suspensão ou alteração na dose de algum medicamento. Isso não quer dizer que o remédio seja necessariamente a causa, mas essa possibilidade precisa ser considerada. O paciente nunca deve interromper uma medicação por conta própria; essa decisão deve ser tomada com o profissional que acompanha o caso”, orienta o Dr. Leandro Miranda Macedo.

5. Alimentação e condições clínicas podem influenciar o quadro

A sensação de cansaço mental não deve ser analisada por si só. Alterações metabólicas, deficiências nutricionais e outras condições clínicas podem refletir em energia, disposição e desempenho cognitivo. Assim, dependendo do histórico do paciente, o médico pode pedir exames para investigar causas que não estão diretamente ligadas ao cérebro.

Segundo Wilson Faglioni Júnior, uma avaliação criteriosa evita conclusões precipitadas. “Nem toda queixa de memória ou concentração tem origem neurológica. Alterações hormonais, disfunções metabólicas, deficiências nutricionais, infecções, distúrbios do sono e outras condições podem gerar sintomas parecidos. Por isso, a investigação médica deve enxergar o paciente de forma ampla e, sempre que preciso, usar exames complementares para esclarecer a origem do problema.”

6. Dor de cabeça com sinais neurológicos merece atenção

O brain fog isolado geralmente não indica uma doença neurológica. Porém, quando a sensação de confusão ou de lentidão aparece acompanhada de outros sinais neurológicos, o cenário é diferente e a avaliação precisa ser mais rápida.

“Alterações repentinas na fala, na força, na sensibilidade, na visão, no equilíbrio ou no nível de consciência são sinais que pedem avaliação médica imediata. Quando uma mudança cognitiva surge de forma súbita, principalmente junto a outros sintomas neurológicos, não se deve esperar para ver se vai passar. No acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo, o tempo é essencial para o tratamento e para a recuperação”, ressalta o Dr. Leandro Miranda Macedo.

Mudança progressiva da memória precisa ser investigada

Uma das principais diferenças entre uma distração ocasional e uma alteração que exige investigação é a progressão. Esquecer algo de vez em quando é bem diferente de ter dificuldades cada vez maiores para realizar tarefas habituais, organizar informações ou reconhecer situações familiares. Wilson Faglioni Júnior destaca que a investigação precoce ajuda a identificar diferentes causas e a direcionar o acompanhamento.

“Quando existe uma mudança persistente ou progressiva no funcionamento cognitivo, principalmente se pessoas próximas também percebem essa alteração, é importante procurar ajuda. O objetivo não é criar preocupação desnecessária, mas entender o que está acontecendo. Quanto mais cedo identificamos a causa de uma alteração neurológica ou clínica, maiores são as chances de estabelecer uma estratégia adequada de acompanhamento e tratamento”, alerta.

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