Com o endividamento das famílias em patamares históricos, ensinar jovens a lidar com dinheiro pode ajudar a formar adultos mais preparados para consumir, poupar e investir com consciência.
Dominar matemática, português e ciências segue essencial, mas saber administrar o próprio dinheiro também virou competência indispensável. Diante do crédito oneroso, da inflação persistente e da baixa taxa de poupança, a educação financeira ganha relevância crescente no ambiente familiar e escolar.
Os dados ajudam a dimensionar esse cenário. Atualmente, 78,8% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior índice desde novembro de 2022, e 30,4% possuem contas em atraso, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na população adulta, 43,1% estão com o nome negativado. Em agosto de 2025, isso correspondia a 71,7 milhões de brasileiros inadimplentes, alta de 9,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.
Na avaliação de economistas, o problema não se deve apenas ao cenário econômico, mas também à carência de conhecimento sobre planejamento financeiro. O uso equivocado do cartão de crédito, do cheque especial e dos empréstimos costuma resultar de hábitos financeiros pouco trabalhados ao longo da trajetória de vida. Por essa razão, especialistas recomendam que a educação financeira tenha início já na adolescência, fase em que muitos comportamentos de consumo são estruturados.
Educação financeira deve começar ainda na adolescência?
Sim. A adolescência está entre os períodos mais decisivos para a formação de hábitos que permanecem na vida adulta. Transmitir noções de planejamento, consumo consciente, orçamento e investimento eleva as probabilidades de esses jovens tomarem escolhas financeiras mais equilibradas no futuro.
De acordo com o economista William Baghdassarian, professor do Ibmec, a inadimplência diminui o poder de consumo das famílias, dificulta o financiamento de bens e prejudica o crescimento da economia. Veja os principais benefícios da educação financeira:
- Compreensão do valor do dinheiro
- Consumo consciente
- Prevenção de compras por impulso
- Criação do hábito de economizar
- Desenvolvimento da autonomia para decisões financeiras
- Redução do risco de endividamento na vida adulta
Outro ponto de destaque é o exemplo dentro de casa. Pais e responsáveis que dialogam sobre orçamento, planejamento e prioridades auxiliam os adolescentes a desenvolver uma relação mais equilibrada com o dinheiro.
Como falar sobre dinheiro com adolescentes na prática
A educação financeira vai muito além do ambiente escolar. Situações do dia a dia criam oportunidades para ensinar conceitos relevantes de forma simples e prática. Uma boa estratégia é incluir o adolescente em pequenas decisões financeiras, demonstrando que todo orçamento tem limitações e demanda escolhas. Confira algumas práticas recomendadas:
- Uso da “mesada” como ferramenta pedagógica
- Registro de receitas e despesas
- Distinção entre necessidade e desejo
- Definição de metas para compras futuras
- Comparação de preços antes de comprar
- Demonstração de como pequenas economias geram resultados com o tempo
Outra ferramenta bastante difundida é a regra 50-30-20, que pode ser adaptada à realidade dos adolescentes:
- 50% para despesas essenciais
- 30% para lazer e gastos pessoais
- 20% para poupança ou investimentos
Mesmo para quem ainda não tem renda fixa, essa divisão contribui para criar disciplina e organização financeira.
Habilidades financeiras fundamentais para jovens
A educação financeira abrange diversas competências que transcendem o simples ato de poupar. Entre os principais aprendizados, destacam-se:
- Controle de gastos
- Constituição de reserva financeira
- Compreensão de juros e crédito
- Definição de metas de curto, médio e longo prazo
- Entendimento dos riscos do endividamento
- Noções básicas de investimentos
- Estímulo ao espírito empreendedor
Algumas instituições financeiras já disponibilizam produtos direcionados ao público jovem para incentivar esse aprendizado com supervisão. As contas Kids e Teen, do Inter, são gratuitas para menores de idade. Em um único lugar, o Inter reúne cartão de débito personalizado, Pix, recarga de celular, gift card, cashback, plataforma de investimentos e outros recursos. Assista ao vídeo explicativo com mais informações.







