Poucos produtos carregam tanto a identidade do Espírito Santo quanto o café conilon. O estado responde pela maior fatia da produção nacional dessa variedade, cultivada principalmente nas regiões norte e noroeste, em municípios como Linhares, São Mateus, Jaguaré e Sooretama, onde o clima quente e a topografia mais plana favorecem o cultivo em larga escala.
A cultura do conilon se consolidou no Espírito Santo a partir da década de 1970, quando produtores buscaram uma alternativa mais resistente que o arábica para lidar com solos e temperaturas da região. Hoje a cadeia produtiva emprega dezenas de milhares de famílias, entre produtores rurais, cooperativas, torrefadoras e exportadoras.
Nos últimos anos, cooperativas capixabas passaram a investir em certificações de qualidade e rastreabilidade, movimento que abriu espaço para o conilon capixaba competir em nichos antes dominados pelo arábica, como cafés especiais e blends de torrefação artesanal. Torrefadoras locais também têm explorado processos de fermentação controlada, técnica que altera notas de sabor e agrega valor ao produto final.
A relação do capixaba com o café vai além da economia. Visitar uma fazenda produtora, participar de colheitas comunitárias ou simplesmente tomar um cafezinho coado em casa de parentes no interior continua sendo parte do cotidiano em boa parte do estado, o que explica por que o conilon aparece tanto em rodas de conversa quanto em relatórios de exportação.






