O café coado e o café expresso fazem parte do dia a dia de muitas pessoas, mas a forma como são preparados altera a quantidade de compostos que acabam na xícara. Quando a preocupação é com o colesterol, essa variação faz diferença, já que o cafestol, presente nos óleos naturais do grão, costuma estar mais presente em métodos que não utilizam uma filtração eficiente.
Entre café coado e expresso, qual costuma impactar menos o colesterol?
No consumo cotidiano, o café coado com filtro de papel tende a ter menor impacto sobre o perfil lipídico. O filtro de papel retém grande parte dos diterpenos do café, especialmente o cafestol, substância relacionada ao aumento do LDL em certas situações. Já no café expresso, a bebida é extraída sob pressão, mas sem a mesma barreira proporcionada pelo papel.
Isso não quer dizer que uma xícara única de expresso vá modificar os exames por conta própria. O impacto depende da frequência, do volume ingerido, do padrão alimentar, da genética e da presença de outras fontes de gordura na dieta. Contudo, para quem consome várias doses diárias e já apresenta LDL elevado, a opção filtrada geralmente é a mais cautelosa.
O que os estudos mostram sobre esse efeito no sangue?
Um estudo divulgado em 2020 compilou ensaios clínicos e constatou que o consumo de café costuma aumentar de forma leve o colesterol total, o LDL e os triglicerídeos, com efeito mais acentuado em preparos não filtrados. Isso confirma que a forma de extração influencia o resultado metabólico, e não somente a quantidade consumida. O achado está disponível na revisão sobre elevação discreta de LDL com cafés não filtrados.
Outra constatação relevante surgiu em 2022. Uma pesquisa populacional indicou associação entre um consumo diário mais elevado de expresso e níveis mais altos de colesterol total, especialmente entre aqueles que tomam várias xícaras. Essa correlação não estabelece um diagnóstico, mas ajuda a entender por que o expresso é tratado com mais cuidado em recomendações alimentares.
Por que o cafestol muda tanto entre um preparo e outro?
O cafestol é uma substância oleosa natural do café. Sua quantidade na bebida é maior quando a filtragem permite a passagem de parte desses óleos. No café coado com filtro de papel, uma parcela significativa fica retida. Já no expresso, no café de prensa francesa e em preparos fervidos, a retenção geralmente é menor.
No dia a dia, essas diferenças se manifestam de forma simples:
- Filtro de papel reduz a passagem dos óleos do café.
- Expresso intensifica sabor e aroma, mas pode carregar mais diterpenos para a xícara.
- Quanto mais doses diárias, maior a tendência de exposição ao cafestol.
- O volume da xícara e a força da extração também exercem influência.
Quem precisa prestar mais atenção a essa escolha?
Indivíduos com LDL alto, histórico familiar de dislipidemia, diabetes, obesidade abdominal ou risco cardiovascular elevado geralmente se beneficiam de escolhas mais atentas no preparo. Nessas situações, não adianta focar apenas em açúcar ou adoçantes, pois o método de extração também impacta o perfil de gordura no sangue.
Se a intenção for reavaliar a alimentação globalmente, é importante considerar os alimentos que aumentam o LDL e situar o café em relação a outros itens do cotidiano. Frequentemente, o efeito mais significativo não vem da bebida isolada, mas da combinação entre expresso frequente, lanches ultraprocessados e consumo insuficiente de fibras.
Como consumir café sem piorar o perfil lipídico?
Para grande parte dos adultos, a primeira medida é ajustar o método de preparo e a quantidade consumida. Se a meta é minimizar o impacto sobre o colesterol, algumas ações geralmente são úteis:
- Preferir café coado com filtro de papel no consumo diário.
- Limitar o número de doses de expresso ao longo do dia.
- Evitar acompanhar o café com creme, chantilly ou açúcar em excesso.
- Aumentar a ingestão de aveia, leguminosas, frutas e outras fontes de fibras.
- Repetir exames laboratoriais caso haja alteração significativa no padrão de consumo.
Na prática, o café coado com filtro de papel costuma ser a alternativa que menos impacta quando a preocupação é com o LDL e o equilíbrio das gorduras no sangue. O expresso pode permanecer na rotina, porém com menor frequência, observando o número de xícaras, o restante da alimentação e os resultados de exames.
Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Caso você apresente alterações nos exames ou tenha dúvidas sobre sua condição, busque orientação médica.







