Após um período de descanso no fim da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti retornou ao Rio de Janeiro e já iniciou o planejamento da seleção brasileira visando a edição de 2030 do torneio, prazo até quando se estende seu vínculo contratual. Em entrevista ao ge, o técnico revelou já ter comunicado a alguns jogadores mais experientes que chegou o momento de passar o bastão.
Segundo Ancelotti, esta Copa do Mundo encerra um ciclo de atletas muito relevantes, começando por Neymar e passando por Danilo e Casemiro, além de outros jogadores que tinham mais de 30 anos no torneio, com exceção de um zagueiro atualmente com 32 anos. O treinador afirmou não pretender mexer em todo o grupo de 26 jogadores, mantendo nomes importantes capazes de dar continuidade ao trabalho, como Marquinhos, considerado fundamental para sinalizar essa continuidade ao projeto. Ainda assim, a intenção é promover mudanças e abrir espaço para uma nova geração.
Em diversos momentos da entrevista, o técnico italiano apontou a Copa América de 2028, que será disputada nos Estados Unidos, como o próximo grande objetivo. Até lá, o Brasil terá apenas amistosos e alguns compromissos das Eliminatórias para o próximo Mundial, uma longa espera que Ancelotti classificou como angustiante. Ele admitiu sentir decepção e tristeza pessoal diante do sentimento do país, reconhecendo que não há como reagir rapidamente a um horizonte tão distante, que só terá uma resposta concreta em 2028 ou 2030, e que esse período deve vir acompanhado de mais críticas do que o normal.
As críticas recaem principalmente sobre a atuação da seleção na derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final, partida em que a equipe brasileira teve apenas 33,6% de posse de bola, contra 66,4% do adversário, segundo dados da Opta Analyst. Para o treinador, porém, esse não foi o problema central. Ele defende que o estilo de jogo deve se basear nas características dos jogadores disponíveis, e que, com atletas como Vinicius, Endrick, Estêvão e Raphinha na frente, faz mais sentido um jogo vertical do que baseado em posse de bola. Segundo ele, caso surjam novos meio-campistas de alta qualidade, será possível adotar um estilo com mais posse, citando o exemplo da Espanha, campeã do torneio, que teve grande posse de bola, mas também sofreu um gol, sustentada por uma geração de meio-campistas que reúne sete jogadores de alto nível mundial.
Ancelotti reconheceu que as substituições feitas no segundo tempo contra a Noruega não surtiram o efeito esperado. Entraram em campo Endrick, Neymar, Danilo Santos e Éderson, e quando Neymar foi acionado, Endrick passou a atuar como ponta-direita, sendo driblado no lance que resultou no primeiro gol do atacante norueguês Haaland. O treinador avaliou que, até a parada para hidratação do segundo tempo, a equipe estava bem posicionada em campo, tendo inclusive desperdiçado um pênalti e uma chance com Endrick, mas reconheceu como autocrítica ter mudado a estrutura do time após essa pausa, o que fez a seleção perder o controle da partida.
Ancelotti negou ter escalado Endrick e Neymar por pressão popular em torno dos dois nomes, e também negou que tenha sido um erro manter Neymar no grupo mesmo após a revelação de que a lesão na panturrilha do jogador era mais grave do que o próprio atleta e o Santos haviam informado. O técnico fez uma avaliação positiva do primeiro ano à frente da seleção, período marcado por lesões, mencionou a busca por jovens meio-campistas capazes de oferecer uma alternativa tática e apontou o zagueiro Vitor Reis, de 20 anos, que passou a última temporada emprestado pelo Manchester City ao Girona, como provável presença nas próximas convocações.
Por fim, Ancelotti confirmou ter recebido contato da Federação Italiana de Futebol para assumir a seleção de seu país natal, mas recusou a proposta mesmo com o contrato já renovado com a CBF. Segundo ele, a decisão não teve relação com o documento assinado, mas com o compromisso construído ao longo do ano que passou no Brasil, onde afirma ter sido muito bem recebido e não querer romper esse vínculo, priorizando dar continuidade ao trabalho à frente da seleção brasileira.







