O chefe de Estado argentino, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), afirmou no último domingo (26 de julho de 2026) que as administrações do Brasil e do México, somadas ao Partido Democrata norte-americano, estariam por trás de uma “campanha anti-argentina”. A fala ocorreu durante entrevista à rádio Mitre, como resposta às críticas direcionadas ao país e à sua seleção de futebol após a decisão da Copa.
“Vocês sabem quem mais injetou dinheiro nessa campanha anti-argentina? O governo brasileiro. 25% dos recursos vieram do governo do Brasil. E depois vêm me falar em interferência”, declarou Milei, sem fornecer evidências. “Além disso, os brasileiros tiveram um papel bastante ativo na campanha de 2023. Vocês já esqueceram que os assessores de Sergio Massa – candidato à Presidência argentina em 2023 – eram um grupo de brasileiros enviados por Lula? Eles participaram ativamente daquela campanha”, completou.
As falas de Milei ocorrem em meio a uma escalada de tensão entre os dois governos. O líder argentino esteve presente no sábado (25 de julho) na convenção do Partido Liberal, realizada em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Em seu discurso, chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e “ladrão”.
O governo Lula classificou as declarações de Milei como “agressões” e convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos.
Milei também direcionou críticas ao Judiciário brasileiro por ter recusado seu pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu queria ver meu amigo Jair Bolsonaro e não me permitiram, mas aqui o ex-presidiário – em referência a Lula – veio cumprimentar a ré – referindo-se a Cristina Kirchner –, não é? Ninguém o proibiu. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo que, além do mais, está preso injustamente”, afirmou Milei.
Lula encontrou-se com Kirchner em 5 de julho de 2025. A ex-presidente argentina cumpre prisão domiciliar.
A ex-mandatária argentina classificou o encontro como “ato político de solidariedade”.
Dias antes, em 3 de julho, Lula reuniu-se com Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz de 1980. O presidente posou para fotos segurando uma folha com os dizeres “Cristina livre”, uma alusão ao slogan “Lula livre”, utilizado quando ele próprio estava detido em Curitiba.
Partido de Milei e PL
O partido de Milei, La Libertad Avanza, publicou no domingo (26 de julho) em sua conta no X algumas imagens da convenção do PL. “Que a direita se una. A onda azul está chegando ao Brasil, liderada por Flávio Bolsonaro”, dizia a postagem.






