Amor-perfeito, boca-de-leão, cravinas, flor-de-mel, bellis e calêndulas estão entre as espécies que ornamentam os canteiros públicos de Gramado. Ainda durante o inverno, a paisagem permanece vibrante para acolher os milhões de visitantes que vêm desfrutar do clima frio da Serra gaúcha.
Enfrentando o desafio de períodos prolongados de chuva, geada e outras intempéries típicas da estação, as mudas necessitam de um fortalecimento considerável antes de serem levadas às ruas. O processo de beneficiamento, iniciado ainda na fase de sementes, é executado manualmente pela equipe do horto municipal, formada por 20 profissionais.
Atualmente, são aproximadamente 1,2 milhão de mudas de flores e plantas produzidas anualmente, que emolduram ruas, praças e parques. Esse esforço obedece ao lema do coordenador do horto, Marcio Pottratz: “Gramado precisa estar florida hoje”.
“Nesta época do ano, o inverno é especialmente desafiador, pois nunca se sabe a intensidade do frio e da geada”, explica Marcio. Segundo o técnico agrícola, em determinadas situações é necessário cobrir as flores e mudas para evitar a perda das plantas.
Impacto visual
O secretário de Agricultura de Gramado, Eliézer de Lima, ressalta que todas as variações climáticas extremas são nocivas às plantas. Por isso, o trabalho foca nos plantios e podas para evitar que os canteiros percam a coloração. “Estamos fazendo o possível para reduzir o impacto visual e diminuir a ausência de flores”, afirma. É fundamental preservar o legado expresso nos pórticos da cidade: “Leve nos olhos a imagem colorida de Gramado”.
Trabalho com propósito
“Essa atenção com a cidade é uma tarefa permanente. Estamos nas ruas diariamente e nossa equipe reconhece a relevância de seu trabalho para embelezar Gramado, desde quem semeia até quem realiza a limpeza dos canteiros. Esse cuidado está no DNA de Gramado”, reforça Eliézer. “Muitas mãos participam desse processo, assegurando qualidade aos canteiros e economia aos cofres públicos”, completa.
As quatro estufas do horto municipal vivem abarrotadas de plantas, com planejamento voltado para as estações seguintes. Atualmente, já estão sendo preparadas mudas para colorir o município na primavera e no verão.
Hortênsias também ganham atenção nesta época
Preparando-se para o período de floração, nos meses mais quentes, o horto também se dedica ao manejo das hortênsias. Símbolo da cidade e da região, 300 mil estacas da espécie foram plantadas nos últimos seis meses. Além disso, a prefeitura distribui mudas gratuitamente.
Marcio explica que o inverno é a estação ideal para a poda, o que resulta em uma floração mais exuberante depois. “Queremos ter aquelas imagens belas dos corredores de hortênsias”, comenta o coordenador.
O trabalho vem sendo ampliado, especialmente nas regiões do interior que foram pavimentadas. “A poda é fundamental, pois remove a flor morta, que drena energia da planta. Além disso, há o aspecto estético, com um padrão de corte definido”, destaca, enfatizando o trabalho manual envolvido. O material extraído é processado e convertido em novas mudas.
Uma curiosidade sobre a hortênsia é que a coloração da flor depende do pH do solo. “O tom azul aparece quando o pH é baixo, pois eleva a concentração de alumínio e reduz o nível de ferro. Por outro lado, com pH alto, o ferro aumenta e a flor adquire tonalidade mais rosada”, explica.
Jardim de casa que se tornou parque

A paixão por flores e o zelo pelo próprio jardim transformaram a vida do empresário Jorge Filipe Simão, conhecido como Jorgito. Idealizador do parque Le Jardin, o carioca optou por recomeçar em Gramado. Dedicando-se a uma área superior a 3 hectares, abriu o jardim de sua residência há 20 anos para que turistas pudessem contemplar a beleza natural.
“Aprendi na prática, errando e refazendo. O parque é resultado das ideias de mais de cem pessoas”, relata o advogado de formação, destacando que aprecia conversar e compartilhar conhecimentos sobre cultivo.
Para Jorgito, o início ocorreu aos 14 anos, quando, em uma viagem à Europa, trouxe na bagagem sementes de uma flor ainda pouco difundida no Brasil: o amor-perfeito gigante. “Ali nascia uma vocação”, lembra.
Com essa predileção por plantas exóticas, ele cultiva no parque espécies distintas, como a lírio-tocha, que atrai beija-flores, e o repolho ornamental. Também há a columbina, cujas sementes vieram da Inglaterra. Todas essas flores se adaptam muito bem ao clima frio gaúcho.
“Acho fantástico trabalhar com a natureza e observar que a cada ano um novo ciclo começa”, enfatiza o empresário, que conta com dez jardineiros em sua equipe.







