Promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o Meeting Paralímpico Loterias Caixa 2026 congregou aproximadamente 160 atletas em Vitória. As competições de atletismo ocorreram na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), enquanto as de natação foram realizadas no Clube Álvares Cabral.
Para a nadadora capixaba Letícia de Oliveira Alves, de 18 anos, esta edição teve um significado especial. Após passar por uma cirurgia no início do mês e retirar os pontos apenas um dia antes da competição, ela participou e conquistou três medalhas de ouro. As vitórias vieram nas provas dos 100 metros livre (2m04s), 100 metros costas (3m27s) e 50 metros livre (58s37), todas na classe S8, destinada a atletas com limitações físico-motoras.
“Adorei estar aqui, amo esse clima de competição, fiquei muito feliz por ter conseguido. Foi difícil, senti muita dor, ainda tenho limitação de movimento, por isso só nadei três das quatro provas planejadas, mas é muito bom estar de volta às competições”, afirmou a atleta.
Letícia passou pela amputação das duas pernas: a primeira aos 7 anos e a segunda aos 8, quando um pequeno ferimento se transformou em uma infecção grave — situação que se repetiu em ambos os membros.
“Desde a amputação, minha perna direita tinha um fragmento ósseo que machucava a pele e provocava dor, tanto nos treinos quanto nas competições. Resolvi não passar mais por isso e, no início deste mês, fiz uma cirurgia para resolver o problema. Por isso, não sabia como chegaria ao Meeting”, relatou Letícia.
Na época das amputações, como Letícia era ainda uma criança, seus pais temiam que ela pudesse desenvolver depressão ou acreditar que não conseguiria mais brincar e realizar as atividades comuns de uma menina da sua idade.
“Tive muito medo, muita insegurança. Era apenas uma criança, não sabia como seria minha vida, como as pessoas me veriam, mas, aos poucos, tudo foi se encaixando”, contou.
“Aquilo mudaria a minha vida”
Foi nesse período de incertezas que o esporte entrou na vida de Letícia. Um ano depois da amputação da segunda perna, seu pai a inscreveu no curso de natação para pessoas com deficiência do Clube Álvares Cabral.
“Quando comecei a nadar, ainda não sabia, mas aquilo mudaria minha vida. Não parei de treinar, me desenvolvi e comecei a competir. Cheguei a ir a São Paulo disputar uma etapa das Paralimpíadas Escolares, no Centro de Treinamento Paralímpico, e lá conheci outras pessoas com deficiência correndo atrás dos seus sonhos e buscando ser melhores”, contou Letícia, após participar do seu quarto Meeting Paralímpico consecutivo neste sábado, acumulando 13 medalhas no total.
Para o futuro, o objetivo de Letícia é ambicioso. “Quero retomar o ritmo e treinar cada vez mais forte, pois meu sonho é estar nas Paralimpíadas de Los Angeles, em 2028”, concluiu a atleta, que também planeja iniciar o curso de Psicologia no próximo ano.







