A agência espacial norte-americana apresentou um mapa tridimensional do campo gravitacional terrestre, elaborado a partir de dados de satélite. A imagem despertou interesse por exibir uma forma menos simétrica do que comumente se imagina.
O gráfico retrata o geoide, uma superfície equipotencial que representa como seria o nível médio do mar se as águas ficassem completamente imóveis, ignorando marés, correntes e ventos. Em vez disso, o modelo considera a influência da massa de rochas, magma e água acumulada em grandes profundidades.
Os pesquisadores explicaram que o mapa não é uma fotografia real do planeta, mas uma ilustração que amplifica a escala vertical entre 7 mil e 10 mil vezes para evidenciar pequenas diferenças na força gravitacional.
— Como a distribuição dos materiais no interior da Terra não é uniforme, o campo gravitacional apresenta elevações e depressões — destacou Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, em estudo de 2020 sobre as características do geoide.
Regiões com maior concentração de massa, como a cordilheira dos Andes ou o Himalaia, exibem atração mais intensa e aparecem em tons avermelhados; já áreas de menor densidade, como o Oceano Índico ou a bacia do Rio Congo, são representadas em azul.
Para compor essa imagem, as equipes técnicas processaram mais de 1 bilhão de medições coletadas ao longo de 15 anos por 19 satélites. O modelo global GOCO06 combinou dados da missão GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do programa GRACE, desenvolvido pela agência dos EUA em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão.
— O campo gravitacional terrestre se altera mês a mês, principalmente devido ao deslocamento da massa de água sobre a superfície — afirmou Watkins, então cientista do JPL.
A missão GRACE utilizou duas espaçonaves idênticas voando em sequência, com distância de 220 quilômetros, para detectar flutuações micrométricas e monitorar o movimento da água nos oceanos, chuvas e geleiras.
O mapa ainda revelou que a altura do geoide varia de um máximo de 85 metros acima do nível médio do mar, na Islândia, até um mínimo de 106 metros abaixo, no sul da Índia.
“É extremamente desafiador medir a quantidade de água armazenada em grandes profundidades e suas variações anuais”, comentou Watkins. Essa ferramenta auxilia na análise do ciclo hidrológico, na disponibilidade de água subterrânea para irrigação agrícola e na elevação dos oceanos a longo prazo.







