O Lakers oficializou a contratação do ala-armador Matisse Thybulle por uma temporada, pelo salário mínimo da NBA, com o objetivo de reforçar a proteção no perímetro ao lado de Doncic. A movimentação, revelada por Shams Charania, coloca a franquia com 16 contratos garantidos e força uma decisão que a diretoria vinha adiando.
O que o Lakers enxerga em Thybulle
Thybulle não foi contratado para contribuir ofensivamente. Sua função é incomodar. Duas vezes selecionado para a Segunda Equipe de Defesa da NBA, em 2021 e 2022 quando atuava pela Filadélfia, o ala construiu sua reputação roubando bolas e anulando o melhor jogador de perímetro adversário. Sua média na carreira é de 1,6 roubos por jogo em 20,6 minutos, número que o coloca entre os atletas mais ativos da liga nesse fundamento.
O encaixe tático é direto: Thybulle marca o principal ala adversário, alivia a carga defensiva sobre os armadores e oferece ao treinador uma peça para jogos apertados, justamente onde o Lakers sofreu pontos na temporada passada.
O risco é a durabilidade. Nas duas últimas temporadas, lesões no tornozelo, no joelho e no polegar limitaram o ala a apenas 45 partidas no total. A boa notícia veio na reta final de 2025-26, quando ele terminou saudável e voltou a atuar em minutos de rotação em Portland. O Lakers aposta que o corpo resistirá e que a leitura defensiva compensa o histórico médico.
Para uma equipe que enfrentou dificuldades para defender as alas ao lado de LeBron James e Doncic, um especialista de baixo custo é exatamente o tipo de peça que pode mudar uma série de playoffs sem pesar na folha salarial.
A conta não fecha: 16 contratos para 15 vagas
O detalhe incômodo surgiu no momento da assinatura. Com Thybulle, o Lakers passou a ter 16 jogadores com contratos padrão. A liga permite carregar até 20 vínculos durante a pré-temporada, mas a regra é rígida no dia da estreia: o elenco precisa estar limitado a 15. Ou seja, alguém ficará de fora. E a matemática financeira, mais do que a tática, definirá quem.
A pressão recai sobre o fim do banco. Nomes com rotação curta e contratos de menor peso tornam-se moeda natural nesse tipo de ajuste, pois saem sem desmontar a força principal do Lakers. A diretoria tende a proteger a espinha dorsal e mexer nas margens do elenco.
Por que a saída deve ser uma troca, e não um corte
Aqui a situação salarial do Lakers restringe as opções. Como o time já opera bem acima do teto, cortar um jogador não libera espaço salarial algum. Nem o recurso do waive-and-stretch, que dilui o salário de um dispensado por mais temporadas, resolve: aplicá-lo a Jarred Vanderbilt não abriria margem sob o teto no cenário atual.
Isso empurra a diretoria para o mercado de trocas. Trocar um contrato, em vez de simplesmente descartá-lo, permite ao Lakers receber algo em troca, seja uma escolha de Draft, seja um jogador que encaixe melhor, enquanto ajusta o número de 15. Uma dispensa pura seria dinheiro perdido sem contrapartida esportiva. Trocas assim costumam ser resolvidas perto do fim da pré-temporada, quando as folhas rivais também apertam.
Segundo o relato de Shams Charania, publicado pela ESPN, a história ainda está em aberto e deve ganhar novos capítulos nos próximos dias.
O próximo movimento
A contratação de Thybulle é barata e de baixo risco no papel, mas desencadeia um efeito dominó. O Lakers não fechou o elenco: apenas comprou tempo para negociar de uma posição de força. Quem for o 16º nome dessa lista provavelmente não será cortado no vestiário, e sim anunciado em uma troca. O reforço defensivo chegou. A arrumação da casa é o que vem agora.







