De acordo com um levantamento realizado pela Fecomércio-ES, o Espírito Santo responde por 65,4% da produção nacional de café conilon, ressaltando o impacto da cafeicultura na criação de postos de trabalho, exportações, comércio e turismo.
O Espírito Santo permanece como a principal referência na produção de café conilon no Brasil. Conforme levantamento do Connect Fecomércio-ES, o estado concentra 69,1% de toda a área cultivada dessa variedade no país, o que equivale a 286,7 mil hectares, além de ser responsável por 65,4% da produção nacional.
O estudo, chamado “Especial Café – Retrato da Economia”, compila informações do Incaper, IBGE, Conab, Organização Internacional do Café, Comex Stat, Embrapa e Ministério do Trabalho e Emprego.
Além de liderar no conilon, o Espírito Santo possui a segunda maior área cultivada de café do Brasil, com 424,8 mil hectares. Desse total, 286,7 mil hectares são dedicados ao conilon e 138,1 mil hectares ao café arábica, variedade na qual o estado ocupa a terceira posição nacional. Com isso, o território capixaba se consolida como o segundo maior produtor de café do país.
Conforme André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, a relevância da cafeicultura ultrapassa a produção agrícola.
“O café é uma atividade que vai além da produção agrícola e movimenta uma cadeia econômica bastante ampla. Seu impacto atinge a indústria, logística, comércio, turismo e serviços, gerando renda, empregos e oportunidades em praticamente todo o estado”, afirmou.
Café sustenta milhares de famílias
O relatório indica que cerca de 131 mil famílias participam da cadeia produtiva do café no Espírito Santo. A atividade está presente em todos os municípios capixabas, com exceção de Vitória, e reúne aproximadamente 60 mil propriedades rurais — o que corresponde a dois terços do total de propriedades agrícolas do estado.
Outro ponto destacado é a forte presença da agricultura familiar. Segundo o levantamento, cerca de 73% dos produtores de café fazem parte desse segmento, o que reforça a relevância social da atividade para a manutenção da renda e da população no meio rural.
Colheita impulsiona geração de empregos
A cafeicultura também registrou resultados positivos no mercado de trabalho. Somente entre abril e maio de 2025, período de pico da colheita, o cultivo do café gerou 8.065 empregos formais no Espírito Santo. Esse número representa um aumento de 29,4% em comparação com o mesmo período de 2024 e é o maior já registrado desde o início da série histórica, em 2020.
Cadeia movimenta diversos setores da economia
Além da produção nas lavouras, o estudo ressalta que a cafeicultura fomenta atividades como beneficiamento, armazenagem, transporte, industrialização, exportações, cafeterias e turismo rural, tornando-se um dos principais motores do desenvolvimento econômico capixaba.
Segundo Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES, a força do setor reside justamente na integração entre diferentes áreas da economia.
Para ele, cada etapa da cadeia produtiva agrega valor ao produto, desde o beneficiamento e a logística até a comercialização, fortalecendo a geração de empregos e o desenvolvimento regional.
Exportações brasileiras alcançam US$ 15,6 bilhões
Em âmbito internacional, o relatório destaca que o café foi responsável por US$ 15,6 bilhões em exportações brasileiras em 2025, ocupando a quinta posição entre os principais produtos exportados pelo país e representando cerca de 4,5% de toda a pauta exportadora nacional.
O estudo também identifica oportunidades para ampliar a competitividade da cafeicultura capixaba por meio da industrialização, da produção de cafés especiais, da expansão do turismo de experiência, do fortalecimento das exportações de produtos com maior valor agregado e da ampliação de certificações e sistemas de rastreabilidade.







